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domingo, 28 de setembro de 2014

Ampliando o Olhar sobre a Esquizofrenia “Diante de um Espelho Partido”



“O doente recusava-se a urinar, com medo de provocar um dilúvio.”
Sorano, 93 – 138 dC

Como poderemos separar o normal do patológico, considerando a personalidade do indivíduo?

Caráter?  Temperamento?  Comportamento, ações e atitudes?

Muito subjetivo, não é?  mas quando adentramos o mundo psicológico, neurológico e psiquiátrico, poderemos vislumbrar as conexões entre mente X cérebro, alma X espírito, e aí navegaremos em um universo quantitativo e qualitativo de sintomatologia multifacetadas e produzidas por uma disfunção específica que altera, transforma, modifica, escancara ou mascara  a realidade.

Anatomia? Fisiologia? Nada é excludente nesse processo, inclusive o ambiente, o contexto onde se desenvolve a cena, real e ou irreal, onde fantasia e realidade se fundem num painel que se mostra surpreendente em sua ruptura, e recepção dos processos neuronais, em regiões específicas que produzirão episódios psicóticos, como é o caso da esquizofrenia.

Essa doença intrigante e que vem acompanhada de prejuízos cognitivos, neurofisiológicos, funcionais, neuroquímicos e estruturais.

Fico imaginando, o que adormecido estava no genoma humano, e como foi despertado...  a ativação desses genes, que certamente possuem falhas específicas, que contribuem no surgimento da esquizofrenia.

Uma doença que consiste em um ataque profundo à afetividade, à volição, com manifestações de distúrbios intelectuais, impulsividade, agressividade e estereotipias amaneiradas.

Esse termo “Esquizofrenia” refere-se a uma “mente dividida”, sendo a interceptação do pensamento o sinal ou fator patognomônico da esquizofrenia, e um indescritível comprometimento na expressão dos afetos, pois aquilo que os chocava anteriormente, agora é motivo de divertimento e atitudes paradoxais e absurdas.

Isto não significa que o processo patológico destrua a afetividade, mas desestrutura sua exteriorização, organização e funcionalidade, resultando em uma antipatia ao comércio com o mundo, aparecendo sentimentos de indiferença e ou hostilidade, traduzida por manifestações verbais e motoras, ambivalentes e negativistas.

Podemos falar de um tripé sintomático, onde se manifestam os distúrbios: rigidez afetiva, ambivalência na representação mental dos sentimentos e autismo ou fuga pela interiorização, acompanhada de alucinações e processos delirantes, caracterizando assim, uma psicose manifesta através da tragédia emocional que se esconde ou se apresenta na conduta explícita.

Difícil não se especular em psicologia, no entanto, podemos verificar um contato empobrecido e desadaptado à realidade, isto é notório, quando observamos que existe uma redução ou exagero nos aspectos emocionais e afetivos, é como se houvesse uma perplexidade diante da vida, uma sensibilidade a fatos insignificantes, geradores de desconfiança e uma verdadeira transmutação em seus julgamentos, crenças e juízos.

A perda do contato vital com a realidade, característico da instalação de um processo de despersonalização, como no caso de risos imotivados, gestos e tiques extravagantes, maneirismos e estereotipias desconcertantes, indicadores da desagregação mental.

É comum encontrarmos condutas bizarras e excêntricas, sendo possível observarmos os suicídios sem desespero, fugas inexplicáveis e homicídios sem sentimentos de culpa ou remorso, oscilando entre agitação, puerilidade saltitante ou uma extrema anestesia e estupor nos gestos e ações delirantes.

Na psicopatologia esquizofrênica, as alterações do pensamento assumem um critério mágico, característico da mentalidade infantil, onde se nota a disfunção mental no conteúdo e na elaboração do pensamento, o que afeta notavelmente a sua expressão, sendo difícil entender o sentido da linguagem esquizofrênica, devido à falta de espontaneidade e excessiva rigidez no diálogo.

O pensamento esquizofrênico é extravagante e fragmentado, recheado de ideias delirantes, cuja temática gira em torno de ocorrências cósmicas, metafísicas, religiosas, místicas e eróticas, predominando complôs, e ideias persecutórias de conteúdo político ou sexual.

Preocupações descabidas evidenciam uma escassa racionalidade de suas criações ilógicas, revestidas de um caráter absurdo em termos de argumentação e autocrítica.

Observa-se um desacordo entre as ideias delirantes e o comportamento, por exemplo, acredita que desejam envenená-lo através da comida, no entanto come despreocupadamente sua refeição, ou diz ser uma famosa autoridade de outro país, enquanto se abaixa para apanhar no lixo um toco de cigarro.

Predominam distúrbios senso-perceptivo, sendo as alucinações mais psíquicas que sensorial, é como se fosse um estado onírico constante, onde o indivíduo se sente incapaz de fazer uma distinção clara entre sonho, fantasia e a realidade ambiental.

É comum a ocorrência de pseudo percepções auditivas e visuais, são mais raras as alucinações olfativas e gustativas, já as pseudo percepções motoras, ocorrem em uma parcela significativa da esquizofrenia catatônica (imobilidade ou agitação, ou seja, distúrbios psicomotores, tipo hipercinesia ou estupor, passível de posições estranhas, numa espécie de rigidez de cera) e muitos afirmam levitar, voar e realizar movimentos independentes de sua vontade.

Quanto às alucinações viscerais ou cinestésicas, comumente ocorrem na área genital, onde sentem manipulados em seus órgãos e delirantemente obrigados a relações sexuais anormais ou não, com seres que às vezes não conseguem identificar.

A linguagem esquizofrênica apresenta-se em alguns casos, misteriosa e obscura, outras vezes existe um tom pedante e rebuscado, indo da fala monossilábica à logorréia interminável ou mutismo encapsulado, este diferente da afasia, pois o paciente de repente resolve responder a uma pergunta ou interromper o seu silêncio.

Enfim, a linguagem é afetada por maneirismos, gestos ritualísticos, grunhidos de caráter individualizado e estranhos, indo do discurso incompreensível ao monólogo autista, com um colorido artificial e excêntrico, sendo muito comum o uso de neologismo e estereotipias verbais (verbigeração: repetição de frases ou palavras, por longos períodos), especialmente na forma catatônica.

Quando analisamos os desenhos de pacientes portadores de esquizofrenia, verificamos uma riqueza de simbolismos e um estilo repetitivo de temas geométricos, que lembra o cubismo, com elementos desagregados pela justaposição arbitrária das partes, evidenciando o caráter mórbido da rigidez esquizofrênica.

No plano afetivo, verifica-se uma anestesia dos afetos, ou seja, uma dificuldade na expressão de suas emoções, sendo impenetrável evidenciarmos as causas da discordância entre sentimentos e ações, o que caracteriza a ambivalência (quer e não quer) e finalmente uma interiorização que o leva ao isolamento, indiferença, hostilidade, como se desconhecessem os  valores ético-morais, e assim adentram o mundo da marginalidade através de condutas criminosas.

Os pacientes esquizofrênicos de modo geral apresentam as extremidades frias, aquela mão desenergizada ao toque, dedos cianosados, coração com bradicardia, hipotensão, sialorréia (secreção excessiva de saliva) e profundas alterações endócrino-metabólicas.

A esquizofrenia acomete 1% da população mundial, sendo raro seu aparecimento antes dos 10 anos de idade ou após os 50 anos.

Ainda não podemos falar em cura, mas em melhoria dos sintomas, e em reabilitação, pois o tratamento visa reduzir e controlar sintomas com recidivas de novos surtos psicóticos.

Esta doença atinge todas as classes sociais e grupos humanos, mas é possível o tratamento, com acompanhamento médico-medicamentoso e abordagens terapêuticas de intervenção, como a psicoterapia, a terapia ocupacional, a intervenção familiar e psico educacional.

É uma doença que fragmenta a estrutura básica dos processos do pensamento, dificultando a distinção entre o que é parte do mundo interno e das experiências externas.

Importante se faz realizar um diagnóstico diferencial devido etiologia multifatorial, sendo necessário a exclusão de outras doenças ou condições que poderiam produzir sintomas psicóticos parecidos com a esquizofrenia, como tumores cerebrais, alterações  metabólicas, epilepsia e abuso de drogas.

A família é fundamental para um bom tratamento, reabilitação e reinserção social, esta deve se preparar, informar-se sobre recaídas e oferecer suporte através do reforço positivo, afeto e interesse.

Ficamos por aqui, e nesse momento me recordo da comunidade científica que tiveram como representantes magistrais, dois homens formidáveis: o inglês, Isaac Newton e o alemão, Albert Einstein e que foram rotulados por parecerem carregar uma “tendência esquizofrênica”, no entanto, proporcionaram para a humanidade as duas principais contribuições da física moderna: (Leis da Gravidade e a Teoria da Relatividade), tudo graças à genialidade e originalidade de suas mentes.



Deijone do Vale
Neuropsicóloga

domingo, 7 de setembro de 2014

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: Integridade...



“E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.”
Gênesis 2:3

Vamos caminhar juntos e realizar uma reflexão sobre integridade pessoal, quando verdadeiramente adequamos nossas palavras, ações e estilo de vida à realidade.

Nesta caminhada poderemos cruzar belas campinas e também penhascos tenebrosos, e quem sabe encontrar o nexo causal entre saúde/doença, trabalho e qualidade de vida.

Saúde e qualidade de vida,  caminham de mãos dadas, e segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o termo qualidade de vida, refere-se a um conjunto de percepções individuais da vida, nos diversos contextos e sistemas (cultura, metas, expectativas, padrões de comportamento, preocupações) e que possibilita a singularidade e bem estar do organismo.

A palavra de ordem fica por conta da promoção e prevenção da saúde, através das mudanças no estilo de vida, novas formas de enfrentamento das adversidades, melhoria das relações interpessoais no ambiente de trabalho, na família, no social, no emocional e espiritual.

Falar em qualidade de vida é falar também em “Gestão do Tempo”. 

Os gregos possuem duas palavras para tempo: 

Chronos e Kairós.

Chronos tem tudo a ver com horários, atrasos, atividades, prazos e duração de eventos.

Kairós  confronta-nos com valores e qualidade em seu uso.

Quantas pessoas chegam alegremente ao trabalho e sinceramente cumprimenta o outro com um festivo, bom dia!

Quantas pessoas são capazes de organizar o seu dia a dia sem se queixarem ao término, que não conseguiram “fazer nada”?

Qualidade de vida é uma expressão que transcende o próprio conceito, é enxergar com amplitude o cenário/ambiente com uma visão que identifica a escala de prioridades, previne desperdício e o retrabalho.

É uma visão prescrutadora, que percebe as tonalidades das cores, onde as nuances estão misturadas e nem sempre claras ao primeiro olhar.

Temos que dar um norte/direção ao que expressamos através das palavras, gestos, atitudes e buscar perceber o sentido daquilo que ouvimos ou lemos.

É como o posicionamento de um soldado, em sentido de continência, com um olhar assertivo, certeiro, investigador e objetivo.

É exatamente neste contexto que entra a Ética, esta palavrinha tão utilizada, tão banalizada e pouco compreendida, pois rebatemos, burlamos e negligenciamos as normas de conduta moralmente aceitas, e socialmente definidas, numa distinção clara entre o certo e o errado, com base na universalidade do reconhecimento da conduta pública a qual todos devem se sujeitar.

Mas vem aí, outra palavrinha espetacular: Moral, que representa princípios e regras de foro íntimo, daquilo que introjetamos através do aprendizado, do conhecimento e pré-conceituamos.

Vejamos as seguintes proposições:

- Sicrano chega sempre atrasado.
- Beltrano é relapso com seus deveres.

Pergunto: Como eu gostaria de ser tratado, caso encontrasse na mesma situação?

Com empatia, você responde de pronto, ou algo parecido com aquela conversa: “Aos amigos tudo, para os inimigos, os rigores da lei”.

Não estamos falando em encobrir ou acobertar tais erros, mas dar e receber feedback, não é tarefa fácil. 

E se o feedback é dado de forma rude e indelicada ou de maneira educada e solidária, o impacto será diferente, pois toda ação corresponde e produz um tipo de reação.

Isto me recorda o jovem padre, meu professor de Psicologia Social, que ao ver-me pelos corredores da Universidade em um grupinho tagarelando, enquanto a aula acontecia, me olhou nos olhos, e falou: 

“Deijone! se os cedros do Líbano estão assim, o que será dos pinheirinhos?”... que lição, ele me deu! me valorizou, mesmo eu estando errada, até hoje suas palavras tem um efeito extraordinário sobre minhas fraquezas... Cedro do Líbano...

Tornamo-nos qualificados, mas será que temos qualidade realmente?

Somos administradores de Empresas, mas às vezes não conseguimos gerenciar a nossa própria vida.

Conhecemos técnicas e mais técnicas de relações interpessoais, mas não dialogamos com o nosso filho rebelde e muito menos com o subordinado, ou mesmo com o nosso amado.

Tudo é rápido, breve e fugaz: dormimos tarde e acordamos muito cedo, fazemos refeições ligeiras e dialogamos pouco, isso porque o mundo gira e então tenho que correr.

Como está a sua respiração? Ofegante?

Qual o ritmo de seu coração?

Sou limitado em...

Meu maior potencial é...

Qual é o meu conflito interno hoje?

O que você está pensando nesse exato momento? Esse pensamento reflete o que você armazena em seu cérebro.

Você tem valor?

O que possui? Muito conhecimento, bens materiais, solidão, família, tristeza, bom humor?

Como vai a sua saúde física, mental e espiritual?

Você consegue ficar pelo menos um dia sem celular?

Dois dias sem ver TV?

Três dias sem trabalhar?

Quatro dias cuidando de seu tio acamado?

Cinco dias de férias no Hawai?

Seis dias rachando lenha ou quebrando pedras?

Sete dias sem tomar banho?

Estas perguntam te estressaram?

As organizações estão lidando com indivíduos altamente estressados, as pessoas correm contra o tempo Chronos e ainda não conseguem concluir suas tarefas.

Não se adaptam às mudanças, seja aos novos processos ou tecnologia a ser implantada em sua área de trabalho.

É crise em cima de crise, devido estímulos estressores do dia a dia: chefe mal humorado, colega invejoso, mudanças e novas estratégias, fofoqueiros de plantão 24 horas e rádio pião: “é... dizem que vão transferir a fulana de tal, para aquele departamento em que todos os funcionários têm Síndrome de Dinossauro... acho que agora ela pede demissão”...

Dores de cabeça, pressão alta, dores nas costas e pescoço enrijecido, fadiga excessiva, boca seca, taquicardia, todo um conjunto de reações fisiológicas, o organismo está em estado de alerta: alterações emocionais e comportamentais, desde agressividade até falta de cooperação.

Esta somatória de desajustes produz um ambiente hostil, absenteísmo, afastamentos médico, acidentes de trabalho, rotatividade, baixa produtividade e conflitos interpessoais de toda ordem.

Vamos chamar o Super Man?

Não é necessário! É preciso ter atitude, principalmente nas relações humanas, realizar atividades físicas, técnicas de relaxamento e aprender a dizer: Não, com amor e educação e principalmente ter integridade.

Qual é o seu lazer?

O seu sono é reparador?

Tem uma alimentação balanceada para suas reais necessidades?

Está se medicando com o seu médico assistente?
Ah! Está iniciando uma psicoterapia para ajudar no enfrentamento daquilo que te incomoda.

Deseja ser feliz?

Ser feliz é uma decisão entre o nosso comportamento e o estilo de vida adotado.

Bem-estar é subjetivo, portanto, pare de se comparar com os outros, cuide de seu trabalho, isso pode te deixar bem feliz, sabia?

O que precisamos mesmo é ter sabedoria para fazer escolhas felizes e uma das escolhas felizes que conheço, é fazer alguém feliz.
Faça alguém feliz, logo que terminar de ler este artigo.

Stress demais mina nossa energia e tensões repetitivas vão se estendendo através das sinapses e aciona comandos que interagem no organismo como um todo, expandindo e desencadeando desgaste físico e mental.

Imagine a seguinte situação: 
Beltraninha está trabalhando atendendo e telefonando para clientes numa média de 40 clientes/dia.

Deve verificar o cadastro do cliente, e caso necessário, atualizar dados como: endereço, telefone, e-mail e CEP.

Planeja sua rotina e inicia seu trabalho, levando o seu cérebro a desempenhar as funções, a princípio com alguma dificuldade, até que consiga realizá-la na sequência correta.

Ao atender o 13º cliente, já está a todo vapor no desenvolvimento de suas funções, mas de repente sua mente antecipa as ações, e começa a derrubar as fichas cadastrais, o que é atribuído ao cansaço.

Isso ocorre porque existe uma antecipação do cérebro de Beltraninha, no processamento e execução das tarefas, gerando tensão entre o sistema motor e o centro cognitivo, um conflito entre o SNC (Sistema Nervoso Central) e SNP (Sistema Nervoso Periférico), devido ao esforço repetitivo e fadiga.

Por isso, é necessário realizar pausas durante o trabalho, senão estes curtos circuitos vão deteriorando com o passar do tempo, falindo órgãos, com o desgaste progressivo e estafante das ações mecânicas ou quase robotizadas realizadas em série. 

Beltraninha, deve se distrair aleatoriamente, olhando a paisagem, modificando ou invertendo a maneira de realizar seu trabalho de forma criativa e inovadora.

Tenha interação com os colegas de maneira humana e não mecânica, tome um copo de água, coma uma fruta ou uma castanha, dê uma pequena pausa, levante-se e estique o corpo.

Algum incômodo, dor ou doença?

Deveríamos questionar o que essa doença quer nos dizer.

O que é necessário saber ou aprender?

O que posso melhorar em meu estilo de vida?

Esta doença está apontando o dedo para minha dimensão emocional e espiritual?

A verdade é que simbolicamente a doença é uma expressão de nossa alma (mente, vontade e emoções).

Amplie a sua consciência para a sua saúde, ouvindo os sinais em seu corpo, suas atitudes e afetos, que nos faz um convite irrecusável para o cuidado consigo mesmo.

Tire férias. Algumas pessoas tem medo de tirar férias e “perder o espaço”, mas só perdemos, por omissão ou negligência nas responsabilidades assumidas.

O nosso corpo e mente necessita de repouso, estar em família, comer à mesa juntos, amar e ser amado, acolher e ser acolhido e principalmente ficar um tempo fora do ambiente de trabalho.

Pode ficar tranquilo, saía de férias e mesmo que morra a organização sobrevive sem você, viu?

É bom amarmos o nosso trabalho, mas a vida vai além, que tal saltar de para- quedas, mergulhar e olhar os peixinhos, escalar montanhas, pedalar e correr, mesmo que apenas 100 metros diários, e não se esqueça de monitorar os batimentos cardíacos.

Você também pode contemplar a natureza: chuva, lua, vento, estrelas, sol, o universo está aí em toda a sua plenitude, ainda...

Descanso é condição “sine qua non” para a qualidade de vida no trabalho e ajuda a recompor a energia do nosso organismo.

Estamos vivenciando uma exaustão coletiva, basta olhar para o lado e veremos dedos frenéticos teclando celulares, computadores e tudo que se tem direito na tecnologia de ponta.

Logicamente, tecnologia é algo bom, mas ficar o tempo todo com os ouvidos antenados ao menor toque do celular e muitas horas no virtual, em detrimento do olho no olho, da boa e velha conversa cara a cara, tem alguma coisa muito errada.

Virou “vício virtual”, e quando algum celular emite seu toque, é bastante engraçado aquela multidão, procurando desesperadamente, o seu celular, sem perceber que é o toque do celular alheio, esse tipo de comportamento paralisa e engessa as relações interpessoais, tornando-as mecânicas e condicionadas.

Seja inteiro e fique em sua totalidade para se relacionar com outro humano, respeitando limites, mesmo em um mundo globalizado e aparentemente sem fronteiras.

Tenha clareza naquilo que exprime, seja transparente em seus contatos interpessoais, nunca faça fofoca sobre acontecimentos da vida pessoal alheia, procure colaborar e interagir com a sua equipe de trabalho, comunicando-se face a face, cumprindo suas tarefas com boa vontade e prazer. 

Limpe suas gavetas, jogue fora o que for inútil e desnecessário, assim também faça o mesmo com os pensamentos que povoam sua mente, mantenha-a focada em pensamentos edificantes, descarte pensamentos desanimadores, limitantes e destrutivos.

Você precisa de descanso, é um mandamento, ouviu?

Agora, se você não admite que nada, é melhor do que o seu trabalho, tire férias imediatamente, você é um chato de galochas vermelhas.

Lembre-se, você é responsável por seu corpo e sua saúde, desperte para o novo, para uma virada de 360º , faça uma mudança em seu estilo de vida, afinal o ponto de partida para uma ação, depende de você.
Abra a janela e veja o horizonte, ele é o limite para a relação: Eu e Tu...

Nunca se esqueça, você é um Cedro do Líbano!

Veja o link abaixo da ministração da palestra no dia 04 de setembro no Instituto Federal Goiano:  

Comissão de Saúde do Servidor realiza primeira ação no câmpus






Fotos do Evento realizado na UFG – Reitoria do Campus Samambaia – Goiânia -  no dia 28/08/2014

Palestra: STRESS E DEPRESSÃO (Deijone)






Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

UM OLHAR PSICOLÓGICO - HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES MELLITUS




Palestra ministrada hoje pela neuropsicóloga Deijone do Vale para os servidores da Receita Federal do Estado de Goiás.

Circuito Saúde 


sábado, 26 de julho de 2014

SEXO Frágil X SEXO Default:... xx e xy



              Razão e Emoção equacionadas, nos leva à “Reflexão” primeiro passo  para a mudança e o aprendizado.
Deijone do Vale

Razão e sensibilidade são duas vertentes que sinalizam a essência da natureza humana.

A conectividade neural dos hemisférios cerebrais do homem e da mulher sugere diferenças marcantes relacionadas à capacidade de comunicação verbal, percepção, intuição, tomada de decisão, socialização, cognição como memória e atenção, fornecendo um incrível mapa do comportamento feminino X comportamento masculino.

Estas diferenças entre os gêneros abre uma janela para o entendimento de doenças neurológicas ligadas ao sexo.

Vale dizer que as conexões cerebrais variam durante o ciclo vital e são modeladas pela aprendizagem e ou experiências.

O corpo masculino sempre foi default, e as diferenças vão muito além das mamas e outras áreas abaixo do Equador, não e?

O comportamento sexual é governado pelo hipotálamo (uma área localizada na base da nossa massa cinzenta), esta é maior em homens, devido ao hormônio testosterona e certamente devido a ele, o sexo masculino está mais propenso a realizar sexo em situações inusitadas, na qual a mulher nem pensaria.

Quem se importa mais com sexo, o homem ou a mulher?

Aposto que você errou, quando disse que é o homem... pois  bem, pesquisas recentes revelam que o sexo, talvez na atualidade, seja mais importante para as mulheres.

Machismo pode ser mito de um comportamento idealizado e valorizado pela cultura.

O orgasmo masculino comparado ao feminino possui um tempo reduzido de duração e ambos os sexos, necessitam de um período refratário pós-orgasmo, sendo a mulher mais rápida na recuperação para nova resposta na atividade sexual.

E o orgasmo feminino? Este demora um pouco mais para acontecer, mas quando ocorre, é mais prolongado o período do ápice de prazer,  e pode vir em forma de uma cascata borbulhante de orgasmos múltiplos ... um, atrás do outro...

Imagine uma sequência ritmada de pulsões ativadas como fogos de artifício, que explodem em uma cadência tempestiva, impulsionando as terminações nervosas, projetando-as com uma avalanche de descargas elétricas, que avançam sobre uma tempestade de estrelas cadentes, e que deixam um indescritível rastro prazeroso espalhado pelo corpo e cérebro, numa junção palpitante de demonstração da sexualidade feminina, em um momento ímpar.

Do ponto de vista psicológico, a força da mulher reside na leveza, sutileza de sua alma, receptividade e acolhimento, encaixe e sensibilidade.

O homem por sua vez é contido na demonstração de sua emotividade, encapsulado em suas convicções, e mais posicionado em relação a atitudes, ações, direção e foco.

Quanto ao QI (Quociente de Inteligência), não existem basicamente diferenças significativas entre os gêneros.

E as doenças e sua incidência?

O corpo feminino devido às mudanças hormonais constantes, concentra  maiores possibilidades de adoecimento, no entanto, nos curamos mais rápido, até porque culturalmente e na mídia, a saúde da mulher é mais visada, mas essa condição está se modificando, considerando que os homens estão mais propensos a realizar exames preventivos e investir  mais em sua saúde.

A depressão, por exemplo, é mais prevalente em mulheres, exatamente pelas frequentes alterações bioquímicas e hormonais a qual é submetida.

Apresenta também maior ocorrência de AVE (Acidente Vascular Encefálico), do tipo hemorrágico, sendo um fator de risco predisponente,  a famosa enxaqueca feminina.

E a tireoide? ela é a toda poderosa na regulação do peso, temperatura corporal, metabolismo, entre outros, e assim estamos mais vulneráveis à queda da produção hormonal  (hipotireoidismo), cuja disfunção ocasiona cansaço e ganho de peso.

E o que dizer das constipações intestinais? estas deixam a mulherada de cabelo em pé, e o culpado disso é o estrogênio, lento feito tartaruga, enfraquece a musculatura intestinal e vem o quê?  a incômoda prisão de ventre.

Coitada das duplas de cromossomas xx, com joelhos vulneráveis e desgastados nas cartilagens, o que provoca dores articulares, tudo porque temos a bacia dos quadris mais larga que a masculina, devido ao parto.

E o que dizer das doenças auto-imune? aquelas causadas pelas próprias células do organismo, que por não reconhecê-las como células saudáveis, trata-as como células alienígenas e o sistema  imunológico as ataca sem dó e nem piedade, é o caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) que pode comprometer e atacar os órgãos vitais, como o coração e os rins, numa proporção de nove (09) mulheres para cada homem.

A vilã da vez é a prolactina, o hormônio feminino que afeta o sistema imunológico levando-o a nocaute.

Entre homens e mulheres prevalecem diferenças anatômicas, neuropsicológicas e emocionais, sendo o cérebro masculino portador de áreas com maior quantidade de neurônios, volume, espessura, o que pode ser constatado através das varreduras e análise das imagens de RM (Ressonância Magnética).

As áreas de Brocca e Wernicke nos lobos frontais e lobos temporais que são relacionados à  linguagem, são maiores nas mulheres e assim poderá explicar porque conversamos tanto, você  percebeu?

Nós mulheres, processamos a linguagem verbal simultaneamente nos dois hemisférios (direito e esquerdo) do cérebro frontal, e os homens tendem a processar apenas o hemisfério esquerdo, daí a diferença na falação.

As diferenças cerebrais existem, e foram comprovadas pela  ciência,  isto significa um passo de gigante para pesquisas de novos tratamentos de doenças, utilização de medicamentos e até procedimentos cirúrgicos.

Quando nos reportamos ao nível cognitivo, a atenção das mulheres é mais difusa, realiza várias atividades ao mesmo tempo, conversa ao telefone, sente empatia e chora pela notícia recebida, escuta e identifica o movimento dos filhos, vê a capa da revista que está sobre a mesa, de um vestido com delicados babados de renda francesa  e  pequeninos botões de madrepérola, ao mesmo tempo em  que sente o cheiro da lentilha que está preparando para o jantar e não deixa de escutar a propaganda da TV, que anuncia o nome do novo medicamento para obesidade.

Enfim, o cérebro feminino é como uma caldeira em constante ebulição, um verdadeiro arquivo vivo de argumentos verbais ambulantes, capaz de perceber uma pulga atrás da orelha de seu amado a uma distância de 100 milhas, e com uma varredura visual periférica identificar um colar de coral no pescoço alheio, e ainda sentir o cheiro de seu perfume predileto em meio à multidão em movimento.

O homem é mais focado, age com lógica e objetividade, fixa os olhos na televisão para ouvir o noticiário, ou quando  executa  cálculos lógico-matemáticos, o mundo pode cair ao seu redor que a sua percepção e orientação, permanecem em linha com a sua atenção concentrada, que dificilmente será deslocada para tarefas simultâneas.

Decididamente agir com extrema lógica não é um repertório muito comum em cérebros femininos.

Então? Eu sou xx e você xy...

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

domingo, 22 de junho de 2014

MENTE - Tempo/Espaço - Um Universo no Aqui e Agora



“Tu és  digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder,
porque  todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”
                            Apocalipse: 4: 11

Nunca deveríamos querer chegar ao fim da linha, você não acha?

Somos irremediavelmente seres de possibilidades incomensuráveis.

Quais são os seus sonhos? Uma viagem? Um amor extravagante? Um pedaço do bolo de chocolate com calda de hortelã?

O que tem alimentado a sua imaginação e criatividade?

A sua mente e a minha é um oceano em arrebentação e movimento, nunca está totalmente  sossegada...será por quê?

Você é curioso? Entusiasmado por descobertas?

Somos mesmos humanos, com uma mente complexa, senão em profundidade, ela é no mínimo, um horizonte em expansão, concorda?

Estou escrevendo e olhando o universo pela vidraça, pedaços de um céu azul, e ouço o canto de um bem-te-vi, será que ele está na antena da TV, nos fios de eletricidade ou nos retalhos de folhas verdes que brincam docemente através do meu olhar, são visões elásticas como o éter, basta eu desviar o olhar e posso mudar radicalmente a minha compreensão do tempo e espaço, e até da minha própria realidade em perspectiva.

Vem comigo, vamos adentrar pelos escorregadios, imbricados, entrelaçados, divertidos ou sombrios, caminhos de uma mente terrivelmente ou amorosamente humana.

É isso! Humanidade, o que permeia o nosso agir, assim como um facho de luz, formando ângulos, em direção a quê?  Tempo? Espaço?

Será que o seu tempo é o mesmo medido pelos relógios?

O seu tempo é o mesmo que o meu?

Os físicos diriam que o tempo de duas pessoas somente  coincidiriam se elas estiverem  em repouso, uma em relação à outra, mas a verdade é que queremos estar sempre em movimento.

Quando, então, nos encontraremos?

Eu viajo para o leste e você está sempre viajando para o oeste... na teoria da relatividade, cada observador tem a sua própria medida do tempo, e isto às vezes é perturbador.

Não? Absoluto ou relativo? Pronto, lembrei:  E=MC², ou seja: E (energia) é igual a M (massa) e C² (velocidade da luz ao quadrado), lembrou do colegial?

A consequência da relatividade? Da famosa equação de Einstein, da relação entre massa e energia?

Este postulado da física, me parece ser o único que memorizei... Tempo absoluto/universal ou o tempo que a minha mente pensante relativiza, em favor de um tempo personalíssimo que crio dentro da minha realidade mental.

O universo de uma mente é ricamente alterado, em constante possibilidade de expansão, ou é dependente do tempo?

Existe uma constante ou uma variável?

Nosso agir no mundo está intimamente relacionado às nossas interpretações sensoriais, o modo pelo qual nos comunicamos (verbal, escrito), se expressa também  através da motricidade, que revela suas impressões, nos gestos e na postura de nosso corpo.

Mente e corpo formam uma identidade manifesta pelo comportamento, que é coordenado através de recursos cognitivos, tecidos pelo cérebro o qual desenha uma rede extraordinária de conexões neuronais, articulada pelos vínculos afetivos, motores e sensitivos.

É maravilhoso, não é? ... esses fenômenos neurais que processam as relações afetivo-emocional através do que a mente produziu.

Imagine uma linha única e infinita, espaço/tempo, impossível não percebê-los como mão e luva, totalmente interligados e dependentes  em sua singularidade dentro do universo.

Uma coisa é fato: vivemos e vivenciamos o tempo incerto, da impermanência, é como visualizar um pêndulo frente aos olhos, no suave balanço de seu vai e vem: tempo e espaço, um vácuo de flutuações, rotações, dimensões, amplitudes, trajetórias, curvas, dá muito  o que pensar, afinal tudo começa na mente.

Qual é a dimensão em que você vive?

Temos um corpo físico com data de validade, mas também temos uma alma, com uma mente livre para caminhar audaciosamente aonde os seus sonhos o levarem.

Olhe para o céu em uma noite escura, mas estrelada, com bilhões de galáxias que contêm bilhões de estrelas e planetas... Ah!  está vendo a Via Láctea? É tudo grandioso demais, sem fronteiras, eu diria, mas um dia as estrelas se extinguirão, e caíram pela terra.

Pergunto: Hoje, em seu aqui e agora, qual é a sua expectativa de vida?

Você depende de quem? Auto-suficiente? Espiritual? Carnal?

Faça um inventário dos pensamentos que cultiva em sua mente.

Você acredita nas pessoas? ou é um eterno desconfiado?

E você é confiável?

Cuide de sua mente, não a deixe cirandando aleatoriamente, bloquei estímulos invasores que vem das diferentes áreas do cérebro, e não desista da tentativa de dar uma adequação apropriada às ações do seu comportamento.

Lembrando sempre que o lobo frontal é o portal da mente humana, um verdadeiro  maestro que rege o universo de nossas  atitudes.

Você tem a responsabilidade de proteger e guiar seus pensamentos,  aprenda a falar a linguagem dos anjos com amor, e por fim interprete a realidade com a sensibilidade de sua percepção e intuição, mantendo a sua consciência em paz.

Finalizo este texto com o adágio escolástico: Nihil est in intellectu quod non prius fuerit in sensu (Nada está no intelecto que não foi o primeiro nos sentidos).


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

segunda-feira, 16 de junho de 2014

SÍNDROME DE BURNOUT: O tendão de Aquiles dos Workaholics




Deus é o alicerce sob o qual a minha perfeição é construída.
Deijone do Vale



Você já se sentiu totalmente desenergizado para o trabalho?

Qual é a sua motivação para desempenhar suas atividades no exercício profissional?

O quê? Queria ser Bombeiro?... mas é Controlador de Vôo?

O seu trabalho exige resultados inatingíveis e metas imbatíveis?

Encontra-se em um momento crítico de grande desajuste emocional e de frustração no ambiente de trabalho?

Existe um desequilíbrio entre o profissional e o pessoal?

Qual é o seu grau de expectativa e gratificação pelo que faz?

Alto demais, não é? Muita responsabilidade? Está sobrecarregado?

Encontra-se no limite da exaustão? Perdeu o interesse pela vida diária, esta se tornou insípida?

Esta vivenciando uma incapacidade para lidar com as demandas de sua profissão?

Somos vulneráveis, todos! Temos nosso tendão de Aquiles, como na mitologia grega, o grande guerreiro Aquiles, vencedor de muitas batalhas na Guerra de Tróia, filho de Tétis, deusa grega do mar, que desejava a imortalidade do filho, mergulhando-o nas águas do rio Estige, exceto no calcanhar, ponto este onde a sua mãe o segurou.

Aquiles morreu na Guerra de Tróia, quando uma flecha trespassou o seu ponto vulnerável, o calcanhar.

E você, qual é o seu tendão de Aquiles?

Você é muito competitivo?

Vive tendo problemas de relacionamentos?

É o chefe? O colega de trabalho ou de profissão? Os clientes? A família? Sua personalidade? 

Falta de autonomia para decidir? Pressão externa e ou interna?

Sem liberdade para fazer escolhas? Pessimista e irônico?

Exigente ao extremo? Doses cavalares de perfeccionismo? Horas extras constantes?

Queixas físicas: mal estar generalizado, dores de cabeça, tonturas, dores cervical, lombar, tensão muscular entre outras?

Sente-se injustiçado profissionalmente? O seu quociente de entusiasmo está em baixa?

Parece uma caldeira borbulhante, prestes a explodir ou implodir?

Vive para o trabalho e morre por ele também?

Bem, um verdadeiro Workaholic? Com uma obsessão pela auto -afirmação no trabalho, assim como um exagero na dedicação e na auto- suficiência?

Suas necessidades básicas como comer, dormir, lazer, estar com a família, são negligenciadas e consideradas como desperdício de tempo, tudo em prol do desempenho profissional, inclusive a autoestima?

Se você se identificou nestas questões, é um sério candidato a ganhar um nível elevado de estresse e esgotamento profissional e quem sabe de quebra, até um diagnóstico bem sombrio: a Síndrome de Burnout...

Um dos fatores determinantes para disparar o gatilho da Síndrome de Burnout, seria uma insatisfação incomensurável aliada a um nível elevado de frustração e exaustão na relação indivíduo/trabalho + trabalho/indivíduo = Suscetibilidade à Síndrome (Exaustão emocional + Física + Despersonalização + Frustração + Estresse elevado), um círculo vicioso no qual se ciranda descontroladamente. 

Aos poucos se instala um processo de isolamento e vazio existencial que culmina com o colapso físico e mental para exercer suas atividades laborais.

As profissões mais propensas à Síndrome de Burnout são basicamente aquelas que envolvem relações interpessoais intensas e alta performance, principalmente profissionais da área da saúde (enfermeiros, médicos, psicólogos, técnicos), professores, jornalistas, músicos, bombeiros, policiais, bancários, padres, pastores e artistas em geral.

É notório que o portador da síndrome vai se despersonalizando e apresentando sintomas patológicos variáveis, uma vez que a sua estrutura psiconeuro-endócrina e imunológica está comprometida pela exaustão e conflitos, potencializando uma extrema fragilidade sistêmica do organismo.

Instala-se um quadro clínico totalmente disfuncional, uma espécie de depressão relacionada ao trabalho, com alterações cognitivas (atenção, concentração e memória), comportamentais e neuropsicológicas.

Dependendo do grau de Burnout, é possível perceber evidências de uma correlação relevante entre as exigências laborais e alto nível de estresse ocupacional, principalmente relacionado à etiologia, até porque os profissionais mais comprometidos, também são os mais vulneráveis à síndrome.

A não gratificação de seus esforços e investimentos é desproporcional, gerando uma insatisfação crescente que leva o indivíduo ao esgotamento, fracasso e impotência, resultando na falência de sua saúde.

É possível que os sintomas graves levem à incapacidade do exercício profissional, gerando absenteísmo, licenças para tratamento e até o envolvimento com drogadição, alcoolismo, acidentes e suicídio.

A melhor medida é ainda a prevenção, através de atividades físicas regulares, intervalos de descanso suficiente para a retomada em tarefas e demandas desgastantes, no sentido da recuperação do esforço empreendido, o qual ocasionou a fadiga e exaustão.

Vale dizer o quanto é importante buscar ajuda especializada, intervenção terapêutica precoce, conscientização das ocorrências que o predispõe ao adoecer e na ruptura da tênue linha que separa a saúde da doença.

A psicoterapia é um dos pilares para sustentar a busca pela modificação do comportamento e um processo de fortalecimento psicológico na aquisição de novas possibilidades de enfrentamento.

O trabalho move o mundo, mas conflitos aliados à má qualidade das relações interpessoais dentro das organizações ou no exercício profissional tem adoecido uma parcela significativa de trabalhadores, comprometendo o desempenho e a qualidade de vida, com impacto negativo para toda a sociedade.

Não permita que o mundo do trabalho, dos negócios, ameace a sua saúde e bem-estar, procure também ajuda espiritual que nos ensina que basta a cada dia o seu mal. Reflita sobre isso.

Cultive e exercite sua paciência, ela nos fala de controle emocional e domínio próprio, tenha consciência das coisas que o irrita e administre com mansidão seus impulsos de agressividade e ansiedade.

Não fique tentando mudar os outros, mas você pode modificar, então? Respire fundo, ouça o ritmo de seu coração, mantenha a calma e o bom ânimo.

E que tal caminhar por aí... encontre uma nova paisagem, descubra as belezas ocultas aos olhos, você vai se surpreender.

Tenha um memorial de coisas agradáveis construídas ao longo de sua existência e demonstre gratidão pela vida.

Quais são as suas lembranças mais queridas?

Como foi o seu dia hoje? Anote aquilo que te agradou ou entristeceu, identifique os tipos de pensamentos que povoam o seu extraordinário cérebro.

Cadê o sorriso? Sorria para você e de você mesmo.

Você consegue ouvir o seu mundo interno?

Ouça também as pessoas sem apriori, julgamentos, defesas ou argumentos pré-concebidos, e antes de responder, pondere, seja mais amoroso e generoso.

Não tome decisões por impulso, raiva, durma antes, reflita e escolha na medida certa que sempre terá a medida da sua capacidade de esperar e de seu senso de humor.

Cuidado com a adrenalina em excesso, estamos vivenciando uma Copa do Mundo, e você não vai querer se infartar, não é mesmo?

Como vai a P. A. (Pressão Arterial)?

Mantenha sua pressão sob controle, lembrando sempre que bebidas com álcool, café demais, aumenta a pressão arterial e acelera os batimentos cardíacos, o que poderá contribuir para complicações cardio- vasculares e respiratórias. 

Aproveite os jogos da Copa para se divertir e torcer por sua Nação, afinal o futebol é uma situação de confraternização e descontração, mas se você apresenta níveis de ansiedade elevada e descontrole em relação à competitividade, deixe de assistir os jogos, é melhor descansar, dormir, ler, orar, cantar ou realizar algo prazeroso e que mantenha sua serenidade.

A vida é tecida pelas escolhas realizadas ao longo do percurso, e como argumentou a empresária americana, Mary Kay: “Existem três tipos de pessoas neste mundo: as que fazem as coisas acontecerem, as que observam as coisas acontecerem, e as que perguntam o que aconteceu”.

Aprimore os seus conhecimentos sobre você, lapide suas competências, reforce seus valores essenciais e adote para sempre boas maneiras, modere os excessos e compartilhe seus conhecimentos.

É o momento de multiplicar o seu talento.


Deijone do Vale
Neuropsicóloga