Páginas

terça-feira, 17 de março de 2015

PONTOS DE MUTAÇÃO: Confrontos e Limites...



            Duas coisas nos assustam: nossa condição finita e a nossa liberdade infinita.
                                                                                                               (Kierkegaard)


Quantas e quantas vezes adiamos, procrastinamos, relutamos e até evitamos deliberadamente o confronto.

E você já deixou de resolver problemas, situações e conversas necessárias por não se dispor ao confronto direto?

É difícil ter aquela conversa cara a cara?

Vem comigo, vamos juntos dar uma espiada na extensão de nossos limites, ou na estreiteza de nossa visão...

Você se recorda da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática?

Aquela que deixa passar os nutrientes do meio externo para o interior da célula e vice-versa? Temos ou não permeabilidade seletiva em nossas mentes?

Algumas vezes é necessário amadurecer através do confronto e instaurar o diálogo, não é verdade?

A nossa racionalidade e ou emotividade, são incessantemente esculpida pelas diversas vezes que negamos ou nos aproximamos para ajustar diferenças, esclarecer situações ou ampliar impressões, e assim demarcamos ou traçamos fronteiras tipo “muralhas da China”.

O pensamento baseado na racionalidade é linear, analítico e centrado, já a nossa intuição, esta encontra-se fundamentada na realidade decorrente da experiência direta de um estado de consciência ampliado.

A nossa natureza interna é livre, mas nos enclausuramos, não nos permitimos experimentar genuinamente nossos desejos, sonhos e projetos de vida, que envolvem outras pessoas.

Experimentamos ansiedades e dúvidas ao olharmos à nossa volta, o mundo externo.

Somos prisioneiros e passamos a girar em círculos e isso se torna um padrão e estilo de ser, e à medida que estes padrões de repressão vão se tornando fixos, fragilizam nossas oportunidades de expressões próprias, e ficamos alienígenas.

Como retomar a liberdade e enxergar com clareza nossa verdadeira natureza interna?

Quebrando e rompendo padrões de fuga, assumindo uma forma mais direta e honesta, pois nossas  esquivas  impedem aproximações e o confronto.

Entre no problema, lá está a solução, assim a inquietude e o desejo de fugir diminuem.

Olhando com clareza nossas forças e fraquezas, teremos abertura para mudanças e crescimento. Desafiador, não?

Algumas vezes somos resistentes às mudanças e pontos de mutação, mas quando abrimos mão de medos, opiniões e emoções fixas, ganhamos controle sobre nossas vidas.

Diminuindo as tensões internas com sentimentos positivos e não se apoiando em percepções e julgamentos superficiais, que bloqueiam o fluxo das nossas ações, atitudes e relações com outros.

A superficialidade nos tira a visão e aprisiona nossa percepção.

Vivemos uma vida superficial quando não nos abrimos ao diálogo.

Quando abrimos canais de comunicação, ressignificamos a nossa capacidade de relacionar, compreender e ser compreendido, ampliando nossa compreensão sobre a natureza humana.

Pensamentos egocêntricos e centrados unicamente no “eu” é como uma criança que afirma que a lua segue as pessoas e quando lhe perguntamos como será então duas pessoas caminhando em direções opostas, esta não sabe responder, no entanto não se abdica de continuar afirmando que a lua segue as pessoas.

Assim também comportamos, esquecendo-nos da dialética que preside a construção do “eu”, não nos abrimos à reciprocidade, dificultando ou impedindo a coordenação da individualidade com o universal.

Nosso cérebro é um sistema aberto de enorme plasticidade e que são moldados ao longo da nossa história de vida, através do desenvolvimento individual em interação com o meio ambiente.

Isso evidencia a forte ligação de nosso substrato biológico com o funcionamento dos processos psicológicos humanos e a própria inserção em um contexto específico.

Quantas vezes não conseguimos verbalizar, porque não queremos confrontar, mas a linguagem humana é  a  base do intercâmbio social e afetivo, simplificando e generalizando nossas impressões e intenções.

Somos “visceralmente” seres dialéticos, nos mostramos desde o ato motor ao ato mental, onde afetividade e razão se encontram, via  de regra, sob a forma de confronto.

Vale dizer que algo motiva as nossas escolhas e geralmente a afetividade é a vilã e a razão sua serva.

Bem, daí adentraremos  a seara da moral e as questões de interesses, e como diria numa solução Kantiana: “o respeito pela lei moral é um sentimento produzido por um princípio intelectual, e este sentimento é o único que conhecemos perfeitamente a priori, e do qual podemos perceber a necessidade”, e trocando por miúdos, o interesse esvazia o valor do ato moral.

Voltamos então, ao dualismo: razão e afetividade.

O que nos contêm? Será a razão? Ao nos lembrar na hora, de controlarmos desejos?

Pergunto: a razão nasce da emoção e vive de sua morte?

A emoção reduz a eficácia do funcionamento cognitivo?

Novamente o confronto, mas este não significa hostilidade, mas uma validação entre pessoas em termos de mudanças e pontos de mutação.

Impor limites, olhar o outro com amplitude, implica uma demarcação daquilo que lhe pertence e define sua identidade para o relacionamento.

A clareza em delimitar suas fronteiras é algo saudável, um fator de proteção,   mas não devemos nos afastar fisicamente ou emocionalmente por conta de nossas incertezas e medos.

Quando realmente olhamos nos olhos, a intenção é aprofundar a intimidade ou o relacionamento.

O confronto nos leva a uma aproximação e assim é possível estabelecer ou fortalecer vínculos entre as partes.

Uma boa confrontação exige respeito, delicadeza, e sobretudo, uma postura despojada de defesas do ego. Então?

Seja gracioso,  a verdade é sempre uma excelente aliada e o selo da sinceridade proporciona uma incomum oportunidade de amadurecimento.

O seu tom de voz dará o compasso na confrontação, caso tenha consciência clara de que o outro, não é um desafiador, carregando nos ombros uma mochila de informações emocionais, prontas a entrar em ação (ou ebulição?).

Nós humanos, regulamos nosso comportamento através de intenções complexas de nossa consciência, esse componente de alto status na hierarquia das funções psicológicas, ou seja, a própria essência da psiquê humana com suas subjetividades e sempre polissêmica.

Enfim, a solução de tudo isso é vivermos sob a graça de Deus, livre de mérito, com acesso totalmente aberto a essa graça imerecida.

É esse confronto do reino de Deus, graça, simplesmente graça,  gratuidade e favor, não há nenhum condicionamento, é graça pura.

Quando ouvimos: “o reino de Deus está próximo”, acredito que não fala de um tempo cronos futuro, mas de que este reino está aqui e agora ao alcance da sua e da minha mão, este reino que se consumará na eternidade.

Que venha o teu reino, SENHOR, e que o vento de Deus sopre sobre nós.
AMÉM!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

VOCÊ É OU NÃO UM TRITICÓLICO ? (Consumidor Compulsivo do Trigo) – Gordura Visceral: Perigo à Vista...



Jesus!  O verdadeiro Pão da Vida
                        Deijone do Vale


Como você define obesidade?

Olhando desesperadamente para as dobras de sua pele?

Isto depende da relação individual de gordura e músculos, pois você pode ser gordo ou magro com o mesmo peso.

Geralmente para mensurar o sobrepeso ou a obesidade, usa-se o IMC (Índice de Massa Corpórea ou Corporal), onde se divide o peso corporal (em Kg), pelo quadrado da altura (em metros), caso você pese 63,5 (Kg) e meça 1,68 (m): IMC: 22,5, ou seja, normal, já um IMC acima de 30 poderá ser rotulado como obeso e se este índice vai de 40 ou mais, a definição clínica é de obesidade mórbida, mas não podemos esquecer que a quantidade de gordura corporal modifica com a idade.

Na atualidade a obesidade é um tormento para milhões de pessoas ao redor do mundo, e o acúmulo de gordura abdominal tem roubado a vida de muita gente.

A ciência ainda não conseguiu fazer a saúde ser contagiosa, no entanto mudanças de hábitos no estilo de vida, pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida.

É verdade, somos humanos e teimosos, mas  qualidade de vida é um espelho que reflete hábitos adequados ou não ao longo da vida, e é bom lembrar que prevenção não tem idade.

A maioria dos  indivíduos, só começam a se preocupar com a saúde a partir do momento da evidência de sintomas desagradáveis.

O ideal é a prevenção, uma grande aliada para manter saudável, enquanto se envelhece.

Controlar o peso corporal, o nível de glicemia, a pressão arterial e o colesterol, são coadjuvantes que reduzem a probabilidade do aparecimento de doenças.

Se você se parece comigo e com uma parcela significativa da população, deve gostar do cheiro do pão fresco e quentinho, com uma camada generosa de manteiga ou geléia escorrendo pelas beiradas.

É irresistível para você? ... Tenho más notícias... mas, antes vamos dar uma espiada na história do trigo e sua trajetória, que se confunde com a própria história da humanidade, e que tem um papel de relevância na economia mundial.

O trigo começou a ser cultivado no Oriente Médio, especificamente na Mesopotâmia, numa região conhecida por Crescente Fértil, uma área que vai do Egito ao Iraque.

O seu cultivo espalhou-se pelo mundo através dos europeus, chegando às Américas, e ao Brasil  por volta de 1531.

Dizem os historiadores que a “invenção” do pão foi dos egípcios, mais ou menos no ano 4000 a.C. e seu status, vai muito além de alimento, é basicamente um símbolo religioso, representando o Corpo de Cristo na Eucaristia da Igreja Católica Apostólica Romana, na Santa Ceia Cristã e na Páscoa Judaica (pão ázimo sem fermento).

Temos notícias de que a Associação de Celíacos (doença celíaca) italianos, batalharam para que as hóstias fossem feitas de arroz, mas não obtiveram permissão, apenas redução para um teor baixíssimo de glúten, já os judeus ao consumir o matzá (pão ázimo), no festival judaico Pessach, permite a sua substituição por fécula de batata, pois a lei judaica sustenta que a saúde de ninguém deverá ser colocada em risco para cumprir um mandamento.

E o pão nosso de cada dia? Será que o trigo produzido atualmente é o mesmo de séculos atrás?

Certamente a resposta é negativa.

Segundo o médico norte americano, cardiologista e pesquisador, William Davis, em seu livro, Barriga de Trigo, afirma o quanto esse trigo modificado geneticamente tem ocasionado prejuízos à saúde de quem o consome.

O glúten é o “Fantasma da Ópera” que vem assombrando, estimulando nosso apetite e expondo nosso admirável cérebro, às exorfinas (receptores  opióides), que nos viciam em consumir os produtos do trigo e de seus derivados.

Acredito que mudanças genéticas dos grãos de trigo, possam realmente provocar distúrbios em nossa saúde, agravar outros e diminuir a qualidade de vida.

O que tenho visto e percebido ao longo dos anos, sobre obesidade e comilança, me reforça a crença, contida no consumo de carboidratos dos grãos de trigo, que estimulam a produção e armazenamento de gordura visceral, que atua como um depósito de triglicerídeos, um caminho que certamente conduzirá ao diabetes.

Faça você uma experiência de deixar de comer trigo e seus derivados por um mês, e depois tire suas próprias conclusões.

As deliciosas rosquinhas, tortas, bolos, bolachas, pavês, croissants, deflagram grandes picos glicêmicos na corrente sanguínea (glicação), e leva ao acúmulo de gordura visceral, olhe para a barriga de um bebedor de cerveja.

Os efeitos do trigo quando chegam ao cérebro na forma de peptídeos opioides, nos faz desejar comermos mais e mais.

Quanto mais você come, mais quer comer.

Conhece o famoso Foie Gras? (patê de fígado de ganso, uma iguaria da gastronomia francesa), o fígado dos gansos  que  foram alimentados com carboidratos dos grãos de trigo, crescem até 12 vezes o seu tamanho, podendo chegar a 2 kilogramas, eu diria uma verdadeira hepatomegalia (fígado inchado).
Literalmente "pagando o pato" com uma "esteatose" forçada.


Quando você retira o trigo de sua alimentação, seu peso diminui rapidinho e aquele pneuzinho horripilante em torno do abdômen, simplesmente, some.

Existem pessoas que tem uma resposta imunológica disfuncional para o glúten do trigo, e quando esta resposta é ativada pelo consumo, ela ataca e agride os órgãos, geralmente acionados pela predisposição genética e pela exposição ao glúten do trigo, e aí é uma Via Cruzes de doenças desencadeadas, principalmente as autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, asma, doença celíaca, doença de Crohn e até doenças neurológicas com perda do equilíbrio, da coordenação motora (Ataxia cerebelar), neuropatia periférica (perda do controle muscular das pernas), entre outras.

A comunidade científica decidiu: “Trigo é um alimento saudável” e pronto, acabou!  só que o trigo de hoje não é mais o mesmo, e assim instala-se um círculo vicioso: É! Não é! É! Não é! É! Não é...

As pessoas que conheço e são triticólicos (consumidores compulsivos por trigo e seus derivados), são obesos, barrigudos com uma cintura de gordura visceral, capaz de fazer inveja a um campeão de Sumô.

Não é fácil abrir mão de um pão francês, pão preto, italiano, integral, multi-grãos, waffles, crepes, cereais matinais, macarrão e zilhões de outras delícias trigais, não é? mas, faça sua própria experiência, e quem sabe a sua neuropatia periférica melhora.

Comer é muito prazeroso, mas temos outras opções gostosas, vai depender de sua criatividade, disciplina, vontade de manter ou restaurar sua saúde. O que você prefere? Dizem que alguns peixes morrem pela boca.

Se você retirar o trigo e tiver alívio de seus sintomas, por exemplo, aquele gosto amargo na boca, provocado pelo refluxo gastroesofágico, quando o ácido do estômago volta para o esôfago, ou uma melhora na absorção do cálcio em seus ossos e não uma terrível osteoporose ou a temível aterosclerose, ativada pelo poder extraordinário do trigo daquela pizza que eleva a sua taxa de glicose no sangue, fazendo com que você envelheça mais rapidamente.

Você sabia que nem sempre a idade biológica anda de mãozinhas dadas com a idade cronológica?

O glúten corrói a saúde de seus ossos, atuando como um feroz inimigo, acionando o sistema de liberação de interleucinas e citosinas que vão atuar na desmielinização de seus ossos, causando a osteopenia (desmielinização leve) ou a desmielinização grave (osteoporose).

Pense bem, você quer perder o controle sobre o seu equilíbrio e coordenação motora, através de um ataque direto às suas células nervosas?

As espetaculares células de Purkinje, só que elas não se regeneram, e uma vez destruídas, bye...bye.. e a comunidade científica continua afirmando: “ o trigo faz bem para a saúde”.  Adianta retrucar que o trigo de hoje não é mais o de antes?

É você que deverá descobrir, viu?

A doença celíaca é de difícil diagnóstico e comumente a sua descoberta é quase ao acaso, quando se realiza endoscopia por suspeita de úlcera duodenal ou refluxo gastroesofágico, ou mesmo nas investigações para as deficiências de cálcio, ácido fólico, vitamina B12 e quadro de anemia, sendo estas alterações comuns na doença celíaca.

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten (uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e derivados) e que provoca má absorção dos nutrientes dos alimentos, dos sais minerais, água e vitaminas pelo organismo.

A doença celíaca provoca sintomas como diarréia, distensão abdominal, irritabilidade, falta de apetite, prisão de ventre, sintomas neurológicas, desconforto abdominal, dores musculares, fadiga crônica, dispepsia, dermatites, alterações hepáticas, e sendo uma doença autoimune, dispara reações imunológicas no intestino delgado, causando um processo inflamatório crônico.

E sabe qual é o tratamento?

Fechar a boca para o trigo, parar imediatamente de comer trigo e alimentos que contenham glúten, manter uma dieta restritiva definitiva e que exige disciplina férrea, pois uma grande maioria dos alimentos industrializados contém glúten.

É lógico que as pessoas que desenvolvem a doença celíaca tem predisposição genética através do gene HLA DQ2 ou HLA DQ8, e estresse emocional é um fator de risco para desencadear os sintomas, então a estratégia é manter a dieta isenta de glúten e provavelmente as lesões no intestino delgado iram se curar e haverá redução de anticorpos.

Outras doenças dermatológicas como a doença de Duhring – Brocq, a dermatite hipertiforme, uma patologia cutânea crônica benigna que apresenta sintomas de queimadura e coceira intensa, úlceras na genitália e boca, com sintomas psicóticos em função do envolvimento neurológico, causando artrite e fadiga crônica, erupções, caimbras intestinais, diarréia, desnutrição, lesões avermelhadas nos joelhos, cotovelos, nuca, costas, nádegas, couro cabeludo, borda dos cabelos, é uma verdadeira variante da doença celíaca, devido a intolerância radical ao glúten segundo os pesquisadores.

A psoríase (artrite psoríatica), vitiligo  e outras doenças pápulo-descamativas, são doenças dermatológicas que prejudicam seus portadores, do ponto de vista emocional, social, o que não deveria acontecer se houvesse mudança na dieta e disposição para experimentar novas possibilidades alimentares.

Quem faz jejum sabe muito bem que a água é a principal opção, mas se você não for viciado em glúten (trigo), o seu jejum será mais fácil, você não ficará com aquele mau humor terrível ao ponto de apresentar uma fúria indomável.

Cadê o remédio viciante: Glúten!

Depois do jejum você pode comer uma macarronada? NÃO!

Coma abobrinha fatiada, refogada com queijo em fatias grossas, tomates secos, azeite extra-virgem e manjericão fresco.

Vai aí uma salada de maçã verde com casca, cortada em cubos, cenoura ralada crua, gotas de limão siciliano, azeite de oliva e um punhado de nozes. Gostou?

Talvez você goste de pepinos gelados, (corte e deixe no gelo até o momento de servir, para ficar crocante) cortados em tacos, cubos de melão doce, salsão fatiado, folhinhas de hortelã fresca, iogurte integral e azeite.

Sugiro um peito de frango grelhado com molho de laranja e maracujá, ou um peixe grelhado com molho de gengibre, engrossado com caldo de mandioca cozida e alho poró no azeite.

Não sou agricultora e nem nutricionista, mas como psicóloga,  o que tenho visto e experimentado, me faz crer, que muitas doenças, poderiam ser evitadas ou ter seus sintomas reduzidos, se houvesse disponibilidade para uma mudança radical na alimentação.

Não sei se são os transgênicos, as hibridizações, as manipulações do código genético dos grãos de trigo, é que tem contribuído para tantos agravos na saúde, mas é algo que não podemos ignorar.

E o que dizer dos agrotóxicos? dos conservantes?  estabilizantes? espessantes? acidulantes?  corantes?  emulsificantes?  flavorizantes?

O que sei é que estou experimentando viver sem glúten e vou muito bem, obrigada!

Somos o que comemos, sempre!



Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

ZONA DE GLÓRIA, PEDRA DE ESCAPE OU AINDA CAVERNA?



“No reino espiritual não há neutralidade: ou é unção e glória ou poder das trevas”
                                                                                                                                    Deijone do Vale                         


A verdade é sempre libertadora, e só é possível corrigir, aquilo que dispomos confrontar.

E isso significa na maioria das vezes, enfrentarmos a nós mesmos.

Ouça a sua verdade e por mais cruel que pareça, ela te conduzirá a uma intervenção de fato, caso aguente firme e não se desvie da rota.

Muralhas de Jericó?  Se estas caíram é bem possível, que as nossas também, ou você prefere procurar alvos para culpar?

Ah!  entendi... esse é o seu momento mais  escuro?
Caos? Divórcio? Pressão? Fracasso? Rejeição? Abandono? Dúvidas? Finanças? Doenças?... e  por falar em doenças, estamos vivendo em um tempo de vidas longas, de pouca ou nenhuma qualidade.

O drama da longevidade é confrontado com as doenças crônicas como Alzheimer, hipertensão arterial, osteoporose, diabetes, Parkinson, a lista é bem extensa, passando pelo câncer, pelas síndromes senis, neurológicas e degenerativas que margeiam as fronteiras da vida, numa mistura de incapacitações, limitações e perda de autonomia.

A senilidade nos aponta o seu dedo implacável, através das mutações genéticas e à medida que envelhecemos, nossas células vão perdendo o seu potencial de reprodução.

A ocorrência de um acúmulo de mutações de nossos genes, conectam-nos  inevitavelmente com o câncer, em suas mais variadas formas, as demências degenerativas, como o Mal de Alzheimer, que é uma doença basicamente ligada ao envelhecimento, devido ao acúmulo de proteína tau do cérebro e dos beta-amilóide que vão desestruturando o funcionamento cerebral e promovendo uma queda e perda progressiva da memória, em função  da morte neuronal.

Infelizmente a ciência ainda não conseguiu dominar tais doenças, apenas abrandar e transformá-las em crônicas.

Este reino natural expõe nossa humanidade e muitas vezes balança fortemente o barco da vida.

E o reino espiritual? você tem uma definição de propriedade e sucesso para sua existência? Getsemâni? O quê?  Prensa de azeite?

É... uma escolha pode te definir.

Fé? Sem fé sua vida não tem autenticidade e essa verdade é inegável, quer concorde ou não.

Me fale, qual é a largura, profundidade, na qual a sua mente foi ampliada pelas oportunidades, dons, e  talentos que você recebeu?

Lance-se na direção de suas potencialidades e de suas perspectivas, superando-as e avançando em níveis diferentes, tomando posição e colocando-se em um patamar elevado, lugares que somente cabras monteses conseguem galgar.

Este é o lugar para aqueles que não retrocederam e não se recusaram a cumprir o seu propósito de vida, aqueles que consertaram o compasso de seus pés tortos, aleijados, os prováveis “Mefibosetes”, que corajosamente se assentaram à mesa do Rei.

Conheço alguns “Mefibosetes”, estes ultrapassaram seus limites e sabe qual é o segredo?

São ancorados pelo sobrenatural de Deus... uma raça sobrenatural.

Adeus Lo Debar... (terra seca e sem vida, terra do esquecimento, da tristeza e dor). Lo Debar... silêncio, miséria e sofrimento. Lo Debar, adeus! Adeus, Lo Debar!

Alguns vivem em cavernas? É mesmo!? aquelas grandes cavidades rochosas no interior da terra?

Bem, caverna é sempre um lugar surpreendente, lugar de esconderijo, refúgio e novas descobertas.
Mas o que muda mesmo a nossa vida de caverna,  é uma postura de fé e poder de Deus, quando você adentra a zona de glória.

Conhece o homem segundo o coração de Deus?  Caverna de Adulão?

Aquele que esteve no Vale de Eláh (vale das pistacheiras – pistachia palaetina), onde matou o gigante Golias...

Davi!

Agora, Davi está na caverna de Adulão, nada de vitória sobre Golias, nada de sorvete de pistache, aquele verdinho, cheio de betacaroteno e vitamina E, já experimentou? Recomendo.

Davi está na companhia de endividados e amargurados de coração. Que tropa, hem?

Quanta mudança!  Moabe... Bosque de Herete (lugar de renúncia), você já renunciou algumas coisas? 
Queila... deserto de Zife... deserto de Maon...
Você também está no deserto? Lugar árido, hostil e inóspito.

A boa notícia é que no deserto você poderá encontrar o seu oásis.

Quem sabe hoje mesmo, você não encontra a sua Pedra de Escape (onde Saul desistiu de perseguir Davi).

Vá para lugares seguros... En-Gedi?  lá tem vinhas, acácias, aves, animais, palmeiras e fontes de água, ou quem sabe você resolve subir a montanha.

E que tal o Monte Carmelo? (onde Elias desafiou os profetas de Baal e abriu as comportas dos céus para que chovesse).

Monte Carmelo... você poderá encontrar uma esposa, sabia? Uma Abigail, viu? É possível...

Certamente nossas vidas passam por mudanças constantes, novas posições, vitórias e fracassos, tentativas de acertos e erros.

Algo arde dentro de você?

Getsemâni... (jardim das oliveiras... prensa de azeite).

É na pressão da prensa, que a azeitona, o fruto da oliveira, remove o seu amargor característico, e transforma-se no brilhante, maleável  e denso azeite.

O duríssimo milho, sob o fogo da pressão, transmuta-se na maciez e brancura da pipoca.

E nós humanos?

Depois da vida de caverna, desertos, pressão, prensa e provas de fogo, o nosso coração se derrete...  ou endurece.

Você decide... estamos ainda, no reino da Graça.

É comprovado pela neurociência que pessoas que cultivam uma raiva intensa e episódios frequentes de ira, possuem um risco elevado de sofrer infarto, e isso é triplicado duas horas após a crise irada, que provoca enrijecimento dos vasos sanguíneos e sobrecarga no sistema cardiovascular, como aumento no ritmo cardíaco e elevação da pressão arterial.

Fica o alerta: Todo cuidado é pouco com “corações zangados e duros”.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

AJUSTANDO AS “VELAS” DE NOSSAS ATITUDES: REPOSICIONE-SE..

                                      

“Somos responsáveis pelo nosso bem estar, portanto ajuste as “velas” de sua vida e sinalize sempre que precisar, através de uma atitude”.
                                                                                                                                      Deijone do Vale

Vivemos em um mundo permeado por uma verdadeira obsessão em relação à  auto afirmação e auto suficiência, e isso é o retrato do orgulho, da arrogância e de um falsa onipotência.

A responsabilidade pelo nosso bem estar começa pela perspectiva da visão, posição e sobretudo pelas atitudes transformadas em ações, e estas em estilo de vida.

Mas o que é mesmo uma atitude?
Atitude nos fala de ação, movimento, forma de se apresentar, atitude é escolha, e escolhas são chaves vitais da condição humana.

Atitude, mais que uma postura, é um jeito de se mostrar, frente a uma determinada situação.

Uma escolha pode nos destruir e destruir outros à nossa volta.

Sim, escolhas podem transformar-nos, mudar circunstâncias em nova realidade, escolhas podem ampliar profundamente ângulos em suas dimensões ou detonar lealdades e fidelidade.

Escolhas nunca são neutras, podem transformar-se em cânticos de júbilo ou numa marcha fúnebre.

Certamente, se você não foge às regras, já vivenciou alguma tempestade em sua existência, ou não?  O quê?  Um tsunami? Hummm!!! Então esteve no olho do furacão? 
Interessantíssimo!

Por mais paradoxal que soe, eventos catastróficos são desafiadores, motivadores e  poderão ser a sua inspiração para uma mudança radical, e uma vida espetacular, sem limites para o crescimento e amadurecimento.

Numa atitude reflexiva é possível adentrarmos os caminhos do SER, tudo vai depender do olhar e da perspectiva, para mapear os aspectos ou áreas de nossas vidas  que necessitam de ajustes.
Qual é o seu desafio de ajuste hoje?

Precisando de um abraço?  Peça...  necessitando de ouvir um cordial “bom dia!”, numa chuvosa e nublada manhã de domingo?  você desejou um “bom dia” interiormente? Muito bem!

Se tudo depende do tal olhar e da tal atitude, o que dizer do que vivenciamos constantemente pelo impasse: ...  “faça assim”... “não faça assim”...

Cada olhar quantifica uma medida disso ou daquilo, então o que fazer?

Mente e corpo, um binômio indivisível, ambos necessitam de exercícios, então, afie seus músculos e neurônios, fazendo coisas que rompem a rotina e estimulam a funcionalidade dos mesmos.

Que tal andar feito caranguejo de trás para frente e para os lados, estranho? Pois é isso mesmo, o seu cérebro e corpo agradecem a estimulação, tão inusitada.

Faça diferente, crie, inove, invente, cumprimente, renove-se, ouse, descubra a sua cor interior e brilhe.
Fale, expresse, compartilhe suas ideias, muitos sintomas de doenças encontram-se no lugar das palavras não manifestadas.

Palavras que não foram faladas, palavras silenciadas, entaladas, atravessadas, adormecidas e até mortas...
Será que a sua verdade se esconde no silêncio de uma dor, de um sofrimento e se mostra no adoecer?

Acorde e veja através da vidraça os primeiros raios de sol, brincando em sua janela, ou ouça os pingos de chuva batendo cadenciadamente no telhado e fazendo aquele barulhinho tão sonífero, justamente no horário em que você deve se levantar, pois o trabalho te chama.

É maravilhoso ir para o trabalho e quem sabe este é o seu melhor tempo de produtividade.

Esta vivenciando uma crise?  Ótima oportunidade para se tornar um vencedor, ajuste bem suas “velas”, a viagem já começou...

Imprevistos e acontecimentos inesperados fazem parte do mundo, e nos atingem mentalmente, psicologicamente, emocionalmente, fisicamente e espiritualmente, tudo isso é a expressão da natureza da vida, uma espécie de bumerangue humano: você joga e  retorna, agora essa volta depende da ida...

Auto suficiência + Humanidade é igual a Vulnerabilidade.
Humanidade + Relacionamento com Deus é igual à Vida de Propósito.

Qual é o lugar de Deus em seu viver e como vai a sua fé?

Esta resposta é a chave especial para o seu posicionamento ou reposicionamento diante de qualquer circunstância pela qual você esta passando ou ansiando.

Nem sempre é o psicológico o vilão e causa de tantos desacertos, na verdade ele é consequência de atitudes com desejos e escolhas infelizes.

Conhece a história do filho pródigo que comeu comida de porcos? ESCOLHA!

O que você tem comido? Isso certamente produzirá consequências desastrosas ou assertivas.

Voltemos a sua fome. Você tem fome de Deus ou das iguarias do mundo?

Pense e reflita pausadamente sobre isso.

O filho pródigo não poderia apagar o seu passado de farras e diversões fúteis, onde desperdiçou toda sua herança e no final só sobrou comida de porcos... Argh!

Ele teve uma atitude sábia, decidiu se reposicionar, tratou de ajustar suas “velas” e decididamente retornou à casa do Pai, voltando-se para o lugar certo, e você?

Pare de negligenciar e trate de se posicionar, renovando imediatamente sua mente e mudando de atitude.

Os ventos do SENHOR, sempre sopraram a seu favor, mas não faça como o avestruz, que esconde a cabeça no buraco para não ver a vida passar.

Ouça... está ouvindo? É o sussurro do vento, talvez uma pequena lufada, mas aproveite-a.

Ajeite as “velas” de sua nau (vida) e deixe o leme nas mãos poderosas de Cristo, o meu primeiro amor. O seu também?

Você já se perdeu em suas perspectivas e ou expectativas?

Se você não é um perdedor desistente, a sua condição é apenas: Temporária!  
Milagres existem,  você mesmo e eu somos  milagres.

Exercite sua fé e reposicione-se.

O jovem que comia comida de porcos fez o quê? Reposicionou e pensou: ...“na casa de meu Pai não é assim”... ele, simplesmente entendeu a posição que possuía anteriormente: Filho e herdeiro.

E você? Ouse conceber o seu propósito de vida, resgate o motivo pelo qual veio a existir.
Alinhamento, é isso mesmo, retome os  trilhos de sua existência e descubra, baseado em seu espetacular senso de percepção, o propósito pelo qual veio ao planeta azul.

Não permaneça procrastinando: Chega de...  “era uma vez”... “e assim viveu infeliz para sempre”...
Quais são os seus sonhos ou já parou de sonhá-los?

Quantos sonhos já foram realizados?

Já vivenciou muitos desapontamentos, decepções e situações aparentemente impossíveis ou improváveis?
Sequidão, esterilidade e passividade? Trevas, ressentimento e amargor?

Você necessita de uma mudança de consciência, porque dificilmente alcançará algo para o qual não se está preparado ou não tem abertura.

Ouça as batidas: Tum... Tum... Tum... é o seu coração, prepare o terreno, escolha as melhores sementes daquilo que deseja colher e mãos à obra.
É tempo de plantio, qual é o maior anseio de seu coração? Qual é a intervenção necessária? Você tem um propósito definido?

Qual é o seu lugar de descanso? 

Você tem uma identidade clara e segura?
Você bem que poderia me responder em hebraico: “b’tzelem Elohim” (formado à imagem do Deus Todo-Poderoso).

É assim que somos, Imago Dei, feitos e estabelecidos a imagem de Deus. 

Vivemos em um mundo caído que nos surpreende e nos assombra cada vez mais.

Emoções estilhaçadas, doenças físicas e ainda incuráveis, inquietações, transtornos comportamentais e mentais, e nós profissionais da área da saúde, muitas vezes nem sabemos o que fazer e ainda temos dificuldades em adentrar a dimensão espiritual e falar do amor de Deus para o paciente à nossa frente, tão perdido...

Quando foi que você precisou de um amor perfeito? Um cuidado especial? Compaixão divina? Um toque transformador? Esperança, através de palavras de sabedoria? Um sorriso, um afago, um bom dia verdadeiro? Sabe onde encontrar?

No corpo de Cristo: a Igreja, ela é o corpo de Cristo, este corpo que se revela ao outro, o doce amor de Deus.

Reposicione-se diante da dimensão espiritual e assim será revigorado em sua jornada existencial.
Qual é o prumo e qual é o rumo em que a sua vida tem seguido?

Acabe com a síndrome da passividade, ajuste-se, restaure, alinhe, planeje e construa.

Viva  próximo de pessoas inspiradoras e veja como você poderá aprender com elas, cerque-se delas e verá a diferença em sua existência.
Somos mesmos influenciáveis, por isso é muito bom andar com corças e águias.

Todos temos situações a serem superadas, circunstâncias que necessitamos transcender,  e pessoas com as quais poderemos contribuir de forma efetiva, mudando e contrariando prognósticos desfavoráveis, afinal somos corpo de Cristo, por isso tenha cuidado com as raposinhas.

Não permita que as raposinhas estraguem seu vinhedo.

Raposinhas da mediocridade, da insegurança, do negativismo, raposinhas da arrogância, das comparações destrutivas, das escolhas erradas, raposinhas da iniquidade, da injustiça e da desunião, raposinhas do egoísmo, da corrupção, da indiferença, raposinhas da violência, da lamúria e da murmuração, raposinhas da mornidão, do comodismo, da intolerância, raposinhas da maledicência, da ganância, da vaidade, raposinhas das tentações, da autopreservação e da ingratidão.

Lembre-se, a sua tarefa existencial é fundamentada em um propósito e sua atitude é permitir que o VERBO, se  faça, em sua vida e na vida de outros.

Bom plantio e fartas colheitas.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SERIAL KILLER: O Lado Obscuro de Uma Mente...




“O psicopata é como o gato, que não pensa  no que o rato sente.
                           Ele só pensa em comida.
                           A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe 
                           quem  é o gato” 
                                                                                     Robert Hare (Psicólogo canadense).



A mente humana é um complexo incomensurável, fascinante em sua dinâmica, e o nosso status mental sofre variações ao longo do ciclo vital, sugerindo em alguns casos, uma fisiopatologia do neurodesenvolvimento, devido problemas ocorridos entre conexões nas regiões cerebrais e estas podem não manter o “indicador de qualidade”.

Provavelmente ninguém nasce psicopata, e o máximo que poderemos dizer é que nasce com tendências para a psicopatia, esta medida de furacão, tão variável como peso e altura.

Somos portadores de dois instintos básicos: Eros e Tanatos.

Eros ou instinto de vida, nos reporta a tudo que for criativo e que nos impulsiona no sentido da saúde e da preservação da espécie.

Já o instinto de morte ou Tanatos, nos remete à finitude e extermínio, como evidenciamos nos padrões de ira, essa força destrutiva e primitiva que vive dentro de nós e necessita de domínio próprio, caso contrário, esta “raiva invasora” poderá tornar-se um vício, inundando o cérebro de adrenalina até ao ponto da fúria descontrolada, uma espécie de estado alterado do nível de consciência.

Então... pessoas furiosas tornam-se extremamente perigosas, devido ao conflito constante entre o instinto de vida e o instinto de morte, sendo a mente o campo de batalha travada pelo domínio do ego (Eu), as forças do id (impulsos) e a censura do superego (consciência moral).

A vida psicológica do homem é alicerçada nas bases que vão desde a influência das experiências infantis, dissociações, associações e a maneira específica de relacionar-se consigo mesmo e com o mundo, sendo a natureza humana afetada por um conjunto biopsicossocial, onde a bagagem biológica se desenvolve e manifesta a sua individualidade através de suas características de personalidade (caráter e temperamento).

Nessas condições, o indivíduo torna-se adaptado, ajustado? Adoecido? Patológico? Compulsivo? Obsessivo? Neurótico? Psicótico? Fóbico? Anti-social? Sádico? Masoquista? Sadomasoquista? Destrutivo? Conformado? Passivo? Agressivo?...

É inegável que as relações primitivas de uma criança com adultos significativos ou figuras de autoridade são de suma importância na gênese das patologias ou saúde psicológica.

A linha que separa o normal do patológico é tênue, sendo os transtornos psíquicos uma consequência das alterações na intensidade dos processos e fenômenos neurais de excitação e de inibição cortical.

Se pensarmos em termos de neurose veríamos uma alteração de caráter pessoal como a resultante de um distúrbio do desenvolvimento, tendo como causa, relações interpessoais desfavoráveis, uma resposta da personalidade humana em termos de estrutura às condições ambientais, dando respostas neuróticas e falindo no intercâmbio pessoal.

O sentimento de raiva pode ser físico e ou psicológico, real ou imaginário e qualquer que venha a ser a sua origem, é notório o impulso destrutivo, conferindo uma vulnerabilidade emocional extrema, dotada de certa especificidade e que age como fator desencadeante, proporcional ou não à intensidade do trauma.

O ego dos neuróticos paga o preço da ansiedade, mas não desagrega como na psicose, onde se deforma os elementos concretos, e nem altera a realidade, ou seja, não vê um avião como um pássaro.

O neurótico reconhece sua condição de doente, no entanto consegue manter contato com o seu grupo social e manter um ajustamento diante da vida, diferente do psicótico com pensamentos absurdos, ilógicos, permeados de delírios e alucinações os quais fazem parte da fenomenologia psicótica.

A constelação emocional aponta os pontos vulneráveis, por exemplo, a hostilidade, esta poderá ser uma resultante de frustrações reprimidas, e que definirão o caráter neurótico ou psicótico do indivíduo.

Logicamente a psicose comporta maior gravidade, sendo o prejuízo maior o comprometimento da realidade, através da desintegração da personalidade.

Deve haver um lucro do paciente com seus sintomas, mas quais lucros?

Estas são motivações inconscientes, sendo uma tarefa árdua chegarmos ao conhecimento de verificar até que ponto a sintomatologia das disfunções servem como suporte psicológico para o indivíduo.

A personalidade dos indivíduos que desenvolvem compulsões, obsessões, transtornos de comportamento, fobias, taras, agressividade acentuada e enveredam pela marginalidade, cometendo assassinatos, roubos e outras violências contra o mundo externo, representa uma expressão fotográfica de uma sensação de ameaça ou desconforto interior.

Hereditariedade? Influências neurobioquímicas do cérebro? Fatores ambientais? Experiências traumáticas? 

Tudo fica muito complexo e intrigante quando observamos os sintomas das psiconeuroses, onde predominam as personalidades duplas ou múltiplas, com verdadeiras dissociações mentais que promovem uma farra disfuncional, prejudicando acentuadamente a síntese mental, numa alternância de personalidades diferentes, como  se fosse um caleidoscópio sintomático.

Quais seriam os acontecimentos capazes de determinar tal feitio pessoal?

Os psicopatas, por exemplo, são tipos que variam ao extremo, uma vez que a personalidade humana comporta infinitos matizes que vão da extrema explosividade, irritabilidade e instabilidade emocional, até uma personalidade amoral, sexual, mitômana, obsessiva e paranóide, as variações em termos de reações individuais dependem da organização psicológica do indivíduo.

E os indivíduos que matam em série? Serial Killer? Mata por quê? Por quê matam?

Motivos? Estes são motivos eminentemente psicológicos, que vão desde sexo, poder e dominação, vivenciando uma intensa gratificação pelo ato em si.

Caçam suas vítimas de forma aleatória ou planejada e sua mente criminosa cogita antes da ação, sendo provável o consumo de bebidas alcoólicas antes de agir.

Se analisarmos a vida dos serial killers poderemos constatar problemas e transtornos de comportamento na infância, e abusos sexuais são comuns, negligência em suas necessidades básicas (alimentação, proteção, afeto), e assim crescem sozinhos com uma conduta interpessoal pobre e muita raiva a qual é dirigida aos animais ou a atos incendiários (piromania).

Apresentam fantasias de caráter violento o que caracteriza a morbidez de seus atos contra a humanidade, que percebe com desconfiança e antipatia, devido terem sido abusados ou castigados com punições extremas de humilhações e violência. 

O córtex límbico, o hipotálamo ou lobo frontal se sofrerem traumas, seja através de acidentes ou golpes físicos, podem desencadear comportamentos violentos com uma intensidade de agressividade incontrolável, sendo estreita a relação entre ferimentos e comportamento agressivo ou assassino.

Teremos assim um indivíduo com baixa capacidade de controle de seus impulsos e com atitudes francamente sádicas e disfuncionais, desenvolve um transtorno de personalidade dissocial com franco desvio dos padrões normais, e com um limiar de tolerância às frustrações extremamente baixo, não suportando nenhum tipo de restrição aos seus  impulsos.

O serial killer é um tipo grave de transtorno de personalidade, onde é possível evidenciar o fracasso em adaptar-se às normas sociais.

São frios, calculistas e encapsulados em suas demonstrações de afeto, são superficiais e anestesiados emocionalmente, embora possam possuir máscaras de sedução e um certo encanto pessoal, que aos poucos dará espaço para a intolerância à menor frustração e uma irritabilidade incontida.

São mentirosos (mitômanos), e podem passar despercebidos em uma multidão, mas sempre nos surpreenderão com seus atos e comportamento.

A vida e o ambiente no qual o serial killer foi criado, tem como ponto comum o grupo familiar disfuncional, marcado por conflitos constantes.

É difícil identificarmos à primeira vista um serial killer, pois este poderá esconder-se sob uma capa de dissimulação e manipulação, sendo improvável acreditarmos que aquela pessoa é capaz de cometer tantas atrocidades.

No fundo quase todos os serial killers são grandes narcisistas, são excessivamente egocêntricos, manipuladores hábeis, vaidosos e individualistas, de uma orgulho e rebeldia irritantes.

O psicopata não é um doente mental, e nem todo psicopata se torna um serial killer, mas todo serial killer é seguramente um psicopata.

Interessante pontuarmos, que serial killers podem ter trabalhos fixos, serem assíduos e pontuais, e ocultarem muito bem sua dupla personalidade de forma a mascarar suas tendências calculistas e dissimuladas, um verdadeiro camaleão social.

Alguns abrigam uma fúria indomável com sentimentos vingativos e rancorosos, caminhando na contramão da vida, geralmente imediatistas e insensíveis, mesmo quando objeto de julgamentos judiciais, assistem passivamente, com uma indiferença assombrosa, no entanto são absurdamente exibicionistas e podem teatralizar um falso arrependimento.

Sabem o que é certo e o que é errado, no entanto não conseguem evitar o errado e assim exibem atitudes que chocam pelo absurdo e pela crueldade.

Invejosos e possessivos,  buscam preencher o vazio existencial com adrenalina e assim atacam devido a extrema irritação e angústia incontida.

Desenvolvem prazer em vivenciar sensações de perigo e gostam de sentir poderosos e onipotentes. Reincidem frequentemente, necessitando de vigilância contínua.

A maneira de um serial killer escolher suas vítimas e matá-las, nos traz uma ideia na compreensão do porque matam, geralmente em uma localidade geográfica específica e suas vítimas  são portadoras de um valor simbólico ou mesmo desprovidas de valor (moradores de rua, homossexuais, vagabundos, prostitutas, crianças, mulheres), a vítima tem hipoteticamente uma posição de inferioridade ou impotência diante do serial killer.

Dominação e controle são motivos psicológicos para o assassinato em série, num impulso homicida, quem sabe vasculhando áreas geográficas, ruas, avenidas, becos e locais onde possa caçar suas vítimas aleatoriamente ou com algum significado para o serial killer.

Como o serial killer vivencia suas emoções?

Falta de internalização do superego? Falta de empatia? Ódio e raiva? Depressivo com tendência suicida? Cruel e desumano? Desconfiado e arredio? Hostil e vingativo? Solitário e isolado? Exibicionista e egoísta?

Tudo é muito paradoxal na vida de um serial killer que vive como um indivíduo normal e é um assassino em série, esta dissociação é um fator patognomonico da psicopatia.

Podem ter um modus operandi no modo de matar: estrangular, asfixiar, esfaquear, matar com armas de fogo, afogar entre outros e é possível seus crimes terem uma assinatura, uma marca ou um comportamento ritualístico que tenha significado para o assassino e faz parte de suas fantasias.

É pertinente realizar uma diferenciação entre psicopatia e psicose.

A psicose refere-se a perda do contato vital com a realidade, comporta prognóstico grave, acompanhados de delírios e alucinações.

A psicopatia distingue-se da psicose por não apresentar alterações propriamente qualitativas dos processos intelectuais, volitivos e afetivos, o que nos impressiona e chama a atenção é a desarmonia da personalidade e se traçarmos o perfil psicológico do psicopata, possivelmente teremos uma figura irregular onde predomina alguns componentes, em desfavor de outros, por exemplo, uma exposição acentuada de exibicionismo, orgulho, desconfiança que nas devidas proporções existem em todos nós.

Na psicopatia estes desequilíbrios beiram os extremos, seja no exagero ou na inexistência desses elementos psicológicos que compõem a individuação.

Encontraremos personalidades psicóticas e ou psicopáticas com disfunções dos freios emocionais e psicológicos que vão da euforia à explosividade, com traços amorais, disputadoras, anestésicas, instáveis, mitômanas, sexuais, obsessivas, paranóides, irritáveis, uma verdadeira seriação de aspectos psicológicos fronteiriços e que reagem de conformidade com a sua organização psicológica individual.

Apresentam nuances de toda ordem, mas a característica básica da psicopatia é o feitio anti-social, aliada a uma perversão mórbida dos sentimentos humanos, dos afetos, dos hábitos, das disposições morais e dos impulsos sem alterações significativas das faculdades do conhecimento, do raciocínio ou da inteligência.

O que vemos é um defeito na esfera emocional e afetiva, no julgamento moral e ético, e uma falha grosseira na capacidade afetiva e um limiar extremamente baixo para as frustrações, aliadas a uma maldade franca  ou dissimulada com orientação para um feitio amoral e orientada para hábitos alcoólicos.

A grande maioria dos psicopatas, são predominantemente agressivos, digo predominantemente pois em termos de psicologia humana, os tipos puros basicamente não existe  e se existirem são raridade.

Os psicopatas alimentam rancores profundos, fantasias malévolas de morte e destruição, são incapazes de lidar com a hostilidade interna, isto de certa forma explicaria o eterno descontentamento e a constante irritabilidade, exibindo desrespeito pelos sentimentos alheios, sendo a mentira o recurso comum a todos os psicopatas.

O aspecto mais sombrio da criminalidade psicopática é a sua incorrigibilidade, sempre reicidente, sua carreira é ascendente e suas reações a imposição de autoridade ou prisão aciona crises de agitação colérica de auto-agressividade e auto-extermínio, acentuando a revolta contra o mundo e o grupo social que os pune.

Mesmo conhecendo as regras de moralidade e convívio social, do ponto de vista racional, os psicopatas não conseguem vivenciá-las emocionalmente, pois faltam-lhe consciência do próprio defeito, e esta é uma das razões da falência na psicoterapia.

A maioria dos serial killers, senão todos, são psicopatas, vejam bem,  quando vivenciamos uma situação de tensão, geralmente temos tremores, sudorese e aceleração do ritmo cardíaco, mas psicopatas não exibem estes sintomas, mentem olhando nos olhos,  não conseguem demonstrar gratidão falta-lhes a capacidade de empatia.

O filtro emocional de um serial killer é precário, intelectualmente, racionalmente, ele  pode até saber que determinada conduta é condenável e passível de punição, mas no seu íntimo, no seu mundo interno, ele não percebe o erro de se  burlar ou quebrar aquela regra em questão, por exemplo, matar alguém na rua à vista dos olhos do mundo, e daí?

No Brasil os psicopatas comumente são considerados semi-imputáveis do ponto de vista jurídico, por entenderem que psicopatas podem ter consciência do caráter ilícito de seus crimes, mas não conseguem evitar a conduta que os leva a praticar o crime, e assim quando condenados, vão para a prisão com a pena diminuída.

Ele não se importa, faz o que deseja, é aquela história do psicólogo canadense, Robert Hare, criador de uma escala para medir os graus de psicopatia, ele afirma que “...gatos e ratos nunca entendem um ao outro. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sabe sempre quem é o gato”... o pesquisador vai além, ao afirmar que as emoções  estão para o psicopata assim como o vermelho está para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las, ele não leva em conta a dor da vítima, mas o prazer que sentiu com o crime, ele não experimenta emoções morais.

É emergente a necessidade de novas revisões no sistema judiciário penal e criminal, enfim, uma nova análise para implantação de manicômios judiciários de segurança máxima, equipes multidisciplinares altamente capacitadas, e mudanças através de novas leis, com novas políticas de saúde e segurança pública.


Deijone do Vale
Neuropsicóloga