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segunda-feira, 1 de junho de 2015

EPILEPSIA: O Grito do Pavão


“O rosto  descomposto, ele revirava os olhos, 
 nos quais apareciam uma rede de veias sangrentas,
 e a espuma em sua barba cerrada causava repugnância”...
 (A Fúria de Hércules – Vs. 790 – 830)

Na antiguidade clássica, a epilepsia já era conhecida, e Hipócrates, o pai da medicina, afirmava que sua causa estava no cérebro, desmistificando em seu livro: “Doença Sagrada”, a ideia de uma doença relacionada aos deuses e espíritos malignos.

Hércules, o semideus da mitologia grega, filho de Zeus e da mortal Alcmena, portava o morbus hérculeus (mal hercúleo), referência à epilepsia na tragédia grega.

Passaram-se os séculos, mas as desinformações e preconceitos permanecem.

Pensar em epileptologia nos remete a uma doença crônica, manifestada por descargas elétricas de uma ou mais áreas do nosso cérebro, e que tem um efeito tão intenso em um punhado de neurônios, e nos quais os sintomas obedecem a uma variedade de fatores etiológicos, no entanto, a epilepsia essencial ou idiopática não teria necessariamente um mecanismo patogênico definido.


Sabemos que nem toda crise é convulsiva, assim como nem toda convulsão é epiléptica, daí a importância na distinção destes eventos epileptiformes.

Neurocientistas observaram através das estruturas e funções cerebrais, diferenciações das epilepsias, e lesões no lobo frontal é o tipo mais comum de epilepsia em humanos.

A epilepsia é considerada um transtorno neurológico sério, muito embora seja  tratável esses insultos agudos que acometem o SNC (Sistema Nervoso Central), e que de certa forma, estigmatiza seus portadores, seja pela falta de informações, por ideias preconcebidas ou mesmo pelo feitio assustador das crises convulsivas.

As manifestações neurológicas são evidentes, basta olhar tais convulsões, mas é possível também, evidenciarmos os  sintomas psíquicos, através do próprio ataque epiléptico, que pode ser comparado a uma psicose de curta duração.

As regiões corticais são afetadas em graus variáveis, sendo os danos cerebrais similares ao da hipóxia grave e da isquemia.

Embora a epilepsia ainda não tenha cura, podemos falar em controle das crises, com drogas anti-epilépticas ou anti-convulsivantes, numa combinação monitorada entre eficácia e tolerabilidade, potência da terapia medicamentosa e efeitos colaterais, buscando sempre equacionar tais fatores com suporte psicólógico.

O anteceder da crise convulsiva é precedida pela emissão de um grito rouco, comparado ao grito do pavão, um som penetrante e desagradável, no entanto, se a glote está contraída, devido á saída brusca do ar, este som alarmante poderá não ocorrer.

A pele empalidece, a queda sobrevém de forma tempestiva, congestionando a face, iniciando-se assim, a fase tônica do ataque epiléptico, seguida da fase hipertônica, quando a musculatura se distende: braços esticados, pernas estendidas, o tronco opistótono (dobrado para trás), dedos flexionados sobre a mão, com o polegar em posição de adução e flexão extrema, encoberto pelos demais dedos.

A língua se projeta para fora da cavidade bucal ou mesmo enrolando-se, e a cabeça em movimentos rítmicos, para trás e para cima, sendo provável nesta fase tônica, a emissão involuntária de urina, fezes e líquido seminal, o que caracteriza sintomas autonômicos, assim também como aumento da salivação, sudorese, vômitos, entre outros, e que fazem parte do quadro clínico.

Após aproximadamente uns trinta segundos, instala-se a fase clônica de movimentos convulsivos, e que se intensificam deformando a fisionomia, em uma espécie de esgar, devido ao processo de agitação em clonismo dos músculos faciais.

Na fase tônica, o pulso que era pequeno, agora torna-se cheio, com uma respiração estertorosa,  um suor viscoso cobrindo a pele e  tornando-a pegajosa.

A fase  clônica  tem uma duração média de meio a um minuto, seguida de torpor, que poderá ser convertido em sono profundo, onde se ouve roncos e sibilos frequentes, quando é possível  observar a palidez da pele, e isto poderá durar de minutos a horas.


Quando ocorre o despertar, este se apresenta confuso, com amnésia lacunar, obnubilação mental, tonteiras e ou cefaléia.

Quanto às características psíquicas, é possível verificar lentificação do pensamento e repetição de ideias, entorpecimento e comportamento automatizado, com desorientação tempo/espaço, uma espécie de alheamento à realidade.

Outra característica psíquica que antecede ao ataque convulsivo, é a aura, e que tem feitio sensorial, sensitivo e motor, manifestados por espasmos, tremores, carreira brusca, visão das coisas na cor vermelha, imagens duplicadas (diplopia), sensações de dor, calor, frio, sons, alucinações visuais, gustativas, olfativas, táteis e cinestésicas.

A aura é sempre a mesma para a pessoa e tem caráter premonitório da crise epiléptica, antecedendo a tempestade que se aproxima, ou seja, o ataque convulsivo.

A medicina legal nos assinala casos de impulsos epilépticos imprevistos, sem motivos e violentos, e que não são registrados como lembrança ou memória pelo individuo.

A psiquiatria forense reconhece que durante as crises e pós- crise, é possível  verificar a ocorrência ou a produção de delitos, seja por acidentes de trânsito, através das crises de ausência (petit mal) ou convulsivas, como no caso do furor epiléptico, onde se registra  uma série de movimentos motores repetitivos e de extrema violência.

A questão é delicada e complexa, e não poderemos deixar de reconhecer que as alterações elétricas neurais, também processam mudanças comportamentais e na personalidade, seja por automatismo pós-ictais, seja por danos cerebrais, devido a crises frequentes.

Na verdade os transtornos epileptiformes da personalidade, são produzidos de forma secundária às alterações funcionais do SNC (Sistema Nervoso Central), do que exclusivamente emocionais.


Não podemos negar que a epilepsia é um distúrbio cerebral que condiciona consequências cognitivas, psicológicas, emocionais e neurobiológicas para o seu portador, logicamente levando-se em conta a frequência das crises, sua duração e a região cerebral acometida.

É provável uma predisposição das pessoas portadoras de epilepsia, para estados depressivos, e isto é compreensível devido à carga emocional acentuada,  associada às dificuldades impostas pela doença, disfunções da neuroquímica cerebral, aliadas ao estigma social e dificuldades psicológicas do indivíduo.

Esta somatória de condições  desfavoráveis, torna-se um terreno fértil para a prevalência de transtornos depressivos, e que são significativos na epilepsia, sendo a sua ocorrência maior do que na população geral.

É imprescindível a necessidade, e importância do tratamento para a depressão em portadores de epilepsia, uma comorbidade que é comumente subdiagnosticada e pouco tratada.

Não devemos menosprezar a questão do suporte psicológico para o enfrentamento dos medos e dúvidas do paciente epiléptico, níveis de ansiedade, isolamento social e afetivo, que permeia a vida diária de seus portadores.

O limiar entre o normal e o patológico, nem sempre está evidente no que se refere ao comportamento e personalidade, e assim nossos diagnósticos são basicamente sindrômicos, e que de certa forma define nossas condutas e o prognóstico.

Sintomas comportamentais, cognição, doenças neurológicas, cursam com sintomas variados, e que se localizam em um substrato anatômico e fisiológico, e que por sua vez não exclui o psicológico e emocional, lembrando  que é possível a ocorrência também de distúrbios psiquiátricos, e caso existam, estes dependem de uma vulnerabilidade individual para sua manifestação.

O efeito da doença neurológica, como é o caso da epilepsia sobre as estruturas do córtex cerebral, fornece um substrato para a compreensão de como dados internos afetivos/emocionais, e dados sensoriais/neurológicos, ativam os diversos sistemas de estruturas subcorticais e límbicas.

Existe um fenômeno, que eu não poderia deixar de mencionar, que é muito comum e prevalente em portadores de epilepsia, é a sensação Déjà vu (termo que significa: já visto, em francês).

Déjà  vu, são impressões, sensações e reações psicológicas estranhas de vivências, de lugares, pessoas e situações, que são processadas de forma  independente,  sem uma memória de arquivo real para acioná-las.

A condição de Déjà vu, é explicada, quando partes eletricamente estimuladas  do lobo temporal, aciona aquela sensação de familiaridade, com tudo que o indivíduo encontra pela frente, ou mesmo  de forma seletiva, principalmente os portadores de epilepsia, que buscam através da mente, em seus arquivos de memórias neuronais, aquilo que acreditam já terem visto ou vivenciado anteriormente, no entanto, não há registro no arquivo de memórias no lobo temporal, este espetacular guardião de nossas memórias mais primitivas.

Vamos parando por aqui, por enquanto, mas sem esquecer que nada substitui o raciocínio clínico, e como observou tão bem, o grande físico francês, Henri Poincaré: “É pela lógica que nós provamos; mas é pela intuição que descobrimos”.
 
Déjà vu!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 1 de maio de 2015

ANJOS: Uma verdade eterna...




Fé é o abandono do esforço humano,
Fé é a antítese de suas forças,
Fé é o genuíno dom dado a nós por um Deus de graça incomensurável.

Deijone do Vale


Humanos! Humanos! Humanos! 

Humanidade... Humanidade... Humanidade... Somos a primazia da criação de Deus.

Ostentamos uma possível tendência para arquivarmos a morte e quem sabe, eliminá-la de nossos pensamentos, e conscientemente ou inconscientemente, até nos convencemos da nossa imortalidade aqui nessa vida terrena.

Seria pensável dizer, que você poderá morrer ainda hoje?

Como as pessoas se lembrarão de você?

Em uma única palavra, me forneça uma perspectiva de sua vida?

É mesmo? Necessita ser escavado?

Isso nos remete ao profundo, ao espiritual, quando deixamos a superfície e mergulhamos no novo, e certamente ao sermos escavados, seremos também triturados e peneirados.

Quem não entende um olhar, muito menos entenderá um discurso ou uma longa explicação, mas à medida que nossos cérebros amadurecem, aprendemos a analisar, avaliar e sintetizar mais rapidamente, e ler nas entrelinhas.

Assim é também com o nosso espírito, este deve ser exercitado, e é um processo, a aquisição da maturidade espiritual, através da disciplina, revelação e quebrantamento.

Disciplina, esta nos fala de nosso corpo e de um espelho, onde poderemos nos ver e perceber os nossos pontos vulneráveis, a nossa insuficiência, o nosso Tendão de Aquiles.

Revelação, que nos amplia em discernimento, numa visão clara, em olhos abertos, aponta para a nossa fé, crescimento e conhecimento espiritual.

Quebrantamento, quando somos subjugados através das experiências pessoais, que literalmente quebram as nossas forças, em nossos pontos de fortaleza, competência e dons, deslocando a nossa coxa, deixando-nos mancos, e com uma marca de rendição.

O quê? Está debaixo de uma tempestade de dúvidas e incertezas? Ah! sim, vivendo “sofrimentos leves e momentâneos”, que vem enfrentando ultimamente?

Sente-se só, sem a presença de Deus? Está em guerra?

Há uma guerra em andamento no universo entre as forças do mal e as hostes celestiais, e o alvo somos nós: eu, você e toda a humanidade.

A guerra ao nosso redor pode ser invisível, mas é real, implacável, poderosa, maligna e não estamos ainda, imunes a ela.

A boa notícia é que: “Está consumado!”

Quem são as três prioridades de sua existência?

Em qual trecho de sua vida a lição aprendida foi a mais amarga?

É preciso às vezes mudar de vida. Como fazê-lo? Mudando o foco de nossa atenção.

Amor... palavra mais surrada, no entanto, a mais espetacular experiência da vida.

Como vai a sua fé em Deus, diante de situações sombrias?

Qual a tentação mais presente em sua história?

Entre os livros bíblicos de Gênesis ao Apocalipse, os anjos são sempre mencionados, esta ordem celestial da criação, filhos de Deus e não de outros anjos, criados em santidade, antes da fundação do mundo físico.

Anjos são mensageiros de Deus, com missões especiais, não se casam e nem são dados em casamento, batalham na guerra espiritual em favor dos santos, combatendo os anjos do mal, principados e potestades, obedecendo unicamente a Deus.

Anjos são seres imortais, possuem força e vigor, inteligência e sabedoria, foram criados para adoração, honra e glória.

Não oramos e nem adoramos anjos, estes não podem nos conceder perdão, são seres espirituais enviados a servirem aqueles que hão de herdar a salvação.

E por falar em oração... tem orado? 

Oração é uma atividade universal, uma busca do espírito humano pelo divino, ou para você, apenas um ritual religioso?

Oração, um exercício de fé, uma apropriação da graça de Deus, elemento vital para uma experiência transformadora, mudando a nossa alma (mente, vontade e emoções), fazendo-nos participantes da natureza divina.

Oração nos conecta com o espiritual e o eterno, e se tem uma coisa que nos faz primorosos em oração, essa coisa se chama: Desespero.

Se você tem fome e sede de Deus, inevitavelmente irá orar, pois no reino espiritual a oração é uma metralhadora: Preparar... Avançar... Fogo: Oração!

Santo, Santo, Santo... é o que os anjos cantam.

Os seres angelicais, Serafins e Querubins, fazem parte do propósito eterno de Deus.

Os Serafins são seres ardentes, sempre adorando a Deus, relacionados à visão do profeta Isaías e o seu chamamento, como servo, escolhido de Deus. 

Um dos Serafins, voou, trazendo nas mãos uma brasa viva, com a qual tocou os lábios de Isaías, o profeta, que se sentia um homem de lábios impuros, habitando no meio de um povo de impuros lábios. 

Serafins que tinham cada qual seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava e que falou com o profeta: “a tua iniquidade foi tirada...”

Os Serafins clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos, toda a terra está cheia da sua glória.

Arcanjos... o prefixo “arc” significa principal ou maior em importância, são considerados protetores e estão acima dos anjos na hierarquia celestial.

E os querubins? 

São seres celestiais que defendem a santidade de Deus, relacionados à visão do profeta Ezequiel na terra dos caldeus, na localidade de Tel-Abibe (Monte de espigas verdes), lugar junto ao rio Quebar, (em hebraico: Maior; Grande canal), onde o natural e o sobrenatural se encontraram, local em que Ezequiel e outros judeus foram exilados.

Nesta visão do profeta Ezequiel, os Querubins tinham quatro asas e debaixo destas, mãos de homem; e quatro rostos: (a forma de seus rostos eram semelhante ao homem; à direita tinham rosto de leão; à esquerda, rosto de boi e também rosto de águia), sendo o aspecto destes Querubins como carvão em brasa e deles saíam relâmpagos.

Ezequiel, atônito e amargurado na excitação do espírito, pode ver os querubins, em seu resplendor, brilho e fogo, e ainda ouvir o tatalar de suas asas, como um rugido de muitas águas.

Querubins, também foram colocados ao oriente do Jardim do Éden (Jardim de delícias), como sentinelas, guardando com sua espada reluzente, o caminho da árvore da vida.

Sim, após a queda do homem, Deus o expulsou desse jardim de delícias, a fim de lavrar a terra, obter dela o sustento, através do trabalho, todos os dias em que nela viver.

Anjos... anjos eleitos... anjos do SENHOR... anjos de Deus... anjos derramando taças nos rios, nas fontes de água... anjos com selo do Deus vivo... anjos com incenso (orações dos santos)... 

Anjos... anjos que tocam trombetas e que anunciam flagelos: úlceras perniciosas, morte, sangue, fogo, trevas, espíritos malignos, trovão, saraiva (chuva com pedras de gelo ou granizo), relâmpagos e terremotos... 

Anjos... anjos caídos... Lúcifer (portador de luz), um belo anjo de Deus que caiu de sua posição de santidade e perfeição, devido à desobediência a Deus...

Anjos... anjos que anunciaram boas novas: nascimento e ressurreição de Cristo, promessas e milagres.

Anjos da guarda... um guardião espiritual pessoal?

Deus envia seus anjos para nos dar ousadia e confiança, cuidar de nós, encorajar, realizar milagres, nos sustentar e acampar ao nosso redor para que não tropecemos em pedra alguma.

Estes anjos enviados por Deus, exercem vigilância contínua, para que mal algum nos alcance.

Você já recebeu algum visitante angelical?

Deus te pediu o impossível?

Cientistas pesquisaram sobre a fé e alguns acreditam que esta parece estar programada em nossos cérebros e tem benefícios também para nossa saúde física e mental.

Neurocientistas afirmaram que somos predispostos biologicamente a termos crenças, inclusive religiosas, e que a espiritualidade é uma dimensão, com papel fundamental para a manutenção da nossa saúde e qualidade de vida.

Fé e saúde, isto te surpreende?

A fé nos coloca em posição de autocontrole, disciplina e foco, tornando-nos mais estáveis e equilibrados.

Cultive sua fé, ela fala de sua identidade em Cristo, pensamentos coerentes, consequentemente, emoções alinhadas, e isto é possível, conhecendo-se a Deus.

Mas cadê os anjos Ceifeiros? Estes virão no final dos tempos, separando justos e ímpios, separando o joio do trigo. 

Anjos ceifeiros, poderosos sobre o fogo, e que lança sua foice afiada e vindima os cachos da vinha terra.

Fico por aqui, orando por você, e que a glória do Senhor Jesus, seja com todos.

Ao Alfa e Ômega, o único Deus, o Todo-Poderoso, a ele a glória, majestade, império, soberania e domínio, pelos séculos dos séculos.

Barach... (Adorarei/Bendirei/Me prostrarei ao SENHOR).

Barach!


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 21 de abril de 2015

Qualidade de Vida no Trabalho




Servidores do Câmpus Aparecida de Goiânia receberam medição de glicemia e participaram de palestra sobre Qualidade de Vida no Trabalho, nesta sexta-feira, dia 10. As atividades foram oferecidas por uma equipe de profissionais da Geap Autogestão em Saúde, a convite da Coordenação de Recursos Humanos e Assistência Social do IFG Aparecida de Goiânia.

A medição de pressão foi feita pela enfermeira Mayara Mendes e a palestra proferida pela neuropsicóloga Deijone do Vale, acompanhadas do assistente técnico Thiago Rodrigues Araújo.

Maiores informações: Website

Deijone do Vale
Neuropsicóloga


Escola da AGU em Goiás promove um dia só para mulheres



No dia 18 de março, as mulheres da Advocacia-Geral da União em Goiás, membros das carreiras jurídicas e administrativas, estagiárias e funcionárias terceirizadas foram surpreendidas com um dia completo de programação para homenageá-las.

O evento, intitulado "Um dia só para mulheres..." promoveu café da manhã, assessoria em beleza e maquiagem, apresentação de produtos de mulheres empreendedoras, massagem, aula de pilates, e ainda, a palestra "As Dimensões do amor feminino: sexualidade e afetividade" com a Neuropsicóloga Dra. Deijone do Vale.

A programação ocorreu durante todo o dia. Ao chegar no evento, as participantes foram recebidas pela equipe da EAGU/GO e ganharam brindes. As alunas da aula de pilates também receberam uma toalhinha confeccionada pela servidora Gilzeli Sampaio Vasconcelos.

A servidora Gisele Crisostomo Paiva da Silva realizou uma oração logo no início da manhã com todas as convidadas presentes.
Para a equipe da Escola da AGU em Goiás, o evento superou as expectativas. As colegas de trabalho retornaram com feedbacks positivos e todas as vagas foram preenchidas. 

Eventos como este são realizados pela Escola da AGU em Goiás e têm por objetivo a integração das equipes de trabalho das unidades da Advocacia-Geral da União, quais sejam, Consultoria-Jurídica da União, Procuradoria da União, Procuradoria Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional. Têm ainda por objetivo levar informações de forma descontraída e demonstrar o valor do servidor enquanto pessoa para a Instituição.

Maiores informações: website AGU.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

segunda-feira, 6 de abril de 2015

ANATOMIA DE UMA DOR: Dor de Amor...



 Minha vida não foi um romance...

                                          Nunca tive até hoje um segredo
                                          Se me amar, não digas, que morro
                                          De surpresa... de encanto...  de medo...

                                          Minha vida não foi um romance...

                                          Minha vida passou por passar
                                          Se não amas, não finjas, que vivo
                                          Esperando um amor para amar

                                          Minha vida não foi um romance...

                                          Pobre vida... passou sem enredo...
                                          Glória a ti que me enches de vida
                                          De surpresa, de encanto, de medo!

                                          Minha vida não foi um romance...

                                          Ai de mim... Já se ia acabar!
                                          Pobre vida que toda depende
                                          De um sorriso... de um gesto... um olhar.

                                               Mário Quintana




Basicamente imunidade à dor, ao medo e ao amor, não existe, todos estamos sujeitos a desabar diante de níveis destrutivos de alta ansiedade, que mina a energia vital de forma disfuncional, promovendo desconforto, sofrimento e adoecimento.

Você teme ser rotulado de frágil ao dizer que sente medo diante de algumas circunstâncias?

Tem medo de ser criticado em sua competência pessoal?

Sente-se acusado ou culpado de alguma forma?

Como tem reagido frente a estas questões? Fugindo? Calando-se? Isolando-se? Ruminando a sua insatisfação e se escondendo?

Se analisarmos o desgaste fisiológico da atitude medrosa, veríamos uma orquestra química em andamento, todo um sistema em estado de alerta, disparando os temíveis corticóides, as respostas imunológicas caóticas, uma corrente sanguínea agitada numa glicação vertiginosa, aceleração dos batimentos cardíacos e picos hipertensivos devido ao desequilíbrio psicológico e emocional.

Se você encontrar alguém de súbito, este certamente irá reparar na sua respiração de búfalo, e poderá se assustar com a sua transpiração excessiva, parece que está fugindo de um dilúvio.

Basta darmos uma olhadela de esguelha para os músculos do pescoço, com aqueles nós enrijecidos, prontos para nocautear algum inimigo oculto.

Nosso funcionamento humano vai do fisiológico para o emocional, do mental para o comportamental, numa ciranda viva e saltitante de sentimentos, afetos, que se reposicionam em ações, pensamentos, e novamente sintomas físicos, numa interpretação clara do dito popular: “Você dá o que você percebe”.

A distorção da percepção  termina por levar nossos sentidos a bloqueios, devido a uma possível falência ou exaustão do organismo como um todo.

O que é visível em seu corpo em momentos de tensão?

Você tem consciência das situações que desestabiliza sua resistência e reatividade?

Que tipo de emoção experimenta quando se sente pressionado interna ou externamente?

Você fica flertando com emoções negativas?

O medo, por exemplo, é um cativeiro que nos paralisa e torna a vida uma batalha emotiva desgastante.

Já parou para pensar na fonte de seu medo?

O que tem assombrado sua alma nesses dias?

Você está fugindo de quê ou de quem?

Seu maior medo é... seu maior trunfo é...

Mas seja qual for à magnitude de seu medo, este deve ser confrontado, entendido e esclarecido.

De onde vem o medo?

E esses sentimentos sutis de insatisfação, ansiedade e dúvida?

E as lágrimas, estas significam...

Mas qual é mesmo a sua motivação?

Mudança de sentido, mudança de norte... mudanças...

Ai! que dor de amor! Ficamos insanos, achamos até que vamos morrer nessa espera inconfortável.

Não dormimos, reviramos na cama em todos os ângulos possíveis e imagináveis, sem encontrar a posição correta... insônia...  até a motivação para sorrir se esvazia.

Aqueles que amam se revelam, não tem jeito, é uma reincidência, uma atrás da outra, ficamos frágeis, maquiamos nossa vontade para esconder o nosso pesar.

E você, o que faria por amor?

Lembrando   o   mito sobre o amor, Cupido, filho da deusa romana Vênus, um pequeno gorducho com asas, segurando um arco e flecha, tornou-se símbolo do amor, e segundo a lenda o fofo anjinho pode fazer alguém se apaixonar, simplesmente ao atirar uma seta dourada em seu coração, ou será no cérebro, o órgão da atividade mental?

Fico rindo sozinha, enquanto escrevo, e me lembrando de que o riso, é um excelente ponto de equilíbrio, funciona até como mecanismo de defesa, um apoio inestimável para nossos apuros.

Quem ama em algum momento vai  transcender, extravasar ou implodir.

São promessas e mais promessas: “Não quero mais”; “não quero ver”; “não quero olhar”, típico da fábula de La Fontaine: A raposa e as uvas... hummm!  As uvas estão verdes?

Ah!  nos enganamos: é só ver a sombra da criatura, já nos derretemos, tipo avalanche de  geleira, é um estrondo! 

O que você não fez por amor?

Enxergamos o outro sob a perspectiva de uma lente de aumento, ficamos instáveis e sensíveis, vemos os mínimos gestos, o jeito de andar, de se posicionar, de olhar, os movimentos faciais, as mãos... que  coisa mais estranha,  o amor!

O nosso corpo age impulsivamente, desrespeitando distâncias tempo/espaço e tornamo-nos ousados em busca da pele do outro, estilhaçando fronteiras e limites.

Sofremos por agir e sofremos por não agir, ficamos inquietos, e como diria Freud, o pai da Psicanálise: “Nunca estamos tão mal protegidos do sofrimento como quando amamos”.

E quando não conseguimos legitimar nossa percepção em relação ao outro, ficamos perplexos e desnorteados, diante de nossa experiência subjetiva, sem reciprocidade, que nos sinalizaria a correspondência desse afeto.

Ficamos avulsos, a sensação é dolorosa, uma entidade sensorial que envolve aspectos psicológicos, físicos, ambientais e até cognitivos.

O medo aciona nosso hipotálamo para produzir mais adrenalina, mais acetilcolina, alterando nosso organismo, nosso metabolismo, promovendo uma desmedida inquietação, insatisfação e angústia pela ausência ou impossibilidade de se ter a companhia do outro.

É uma realidade passional desintegrada, uma incompletude, parecem feridas em processo de cicatrização.

Como apagar o afeto pelo outro, esse “eu” que deseja o “tu”?
Novamente Freud sinaliza: “Se eu pudesse te dizer, aquilo que nunca te direi, tu poderias entender aquilo que nem eu sei”.

Esse é o lado cruel e arriscado do envolvimento amoroso.

A impossibilidade da afetividade é como uma sentença de morte, o outro sabe que morreu dentro do outro, e assim tem também que matar o outro que ficou dentro de si.

A dor é o preço!


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 17 de março de 2015

PONTOS DE MUTAÇÃO: Confrontos e Limites...



            Duas coisas nos assustam: nossa condição finita e a nossa liberdade infinita.
                                                                                                               (Kierkegaard)


Quantas e quantas vezes adiamos, procrastinamos, relutamos e até evitamos deliberadamente o confronto.

E você já deixou de resolver problemas, situações e conversas necessárias por não se dispor ao confronto direto?

É difícil ter aquela conversa cara a cara?

Vem comigo, vamos juntos dar uma espiada na extensão de nossos limites, ou na estreiteza de nossa visão...

Você se recorda da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática?

Aquela que deixa passar os nutrientes do meio externo para o interior da célula e vice-versa? Temos ou não permeabilidade seletiva em nossas mentes?

Algumas vezes é necessário amadurecer através do confronto e instaurar o diálogo, não é verdade?

A nossa racionalidade e ou emotividade, são incessantemente esculpida pelas diversas vezes que negamos ou nos aproximamos para ajustar diferenças, esclarecer situações ou ampliar impressões, e assim demarcamos ou traçamos fronteiras tipo “muralhas da China”.

O pensamento baseado na racionalidade é linear, analítico e centrado, já a nossa intuição, esta encontra-se fundamentada na realidade decorrente da experiência direta de um estado de consciência ampliado.

A nossa natureza interna é livre, mas nos enclausuramos, não nos permitimos experimentar genuinamente nossos desejos, sonhos e projetos de vida, que envolvem outras pessoas.

Experimentamos ansiedades e dúvidas ao olharmos à nossa volta, o mundo externo.

Somos prisioneiros e passamos a girar em círculos e isso se torna um padrão e estilo de ser, e à medida que estes padrões de repressão vão se tornando fixos, fragilizam nossas oportunidades de expressões próprias, e ficamos alienígenas.

Como retomar a liberdade e enxergar com clareza nossa verdadeira natureza interna?

Quebrando e rompendo padrões de fuga, assumindo uma forma mais direta e honesta, pois nossas  esquivas  impedem aproximações e o confronto.

Entre no problema, lá está a solução, assim a inquietude e o desejo de fugir diminuem.

Olhando com clareza nossas forças e fraquezas, teremos abertura para mudanças e crescimento. Desafiador, não?

Algumas vezes somos resistentes às mudanças e pontos de mutação, mas quando abrimos mão de medos, opiniões e emoções fixas, ganhamos controle sobre nossas vidas.

Diminuindo as tensões internas com sentimentos positivos e não se apoiando em percepções e julgamentos superficiais, que bloqueiam o fluxo das nossas ações, atitudes e relações com outros.

A superficialidade nos tira a visão e aprisiona nossa percepção.

Vivemos uma vida superficial quando não nos abrimos ao diálogo.

Quando abrimos canais de comunicação, ressignificamos a nossa capacidade de relacionar, compreender e ser compreendido, ampliando nossa compreensão sobre a natureza humana.

Pensamentos egocêntricos e centrados unicamente no “eu” é como uma criança que afirma que a lua segue as pessoas e quando lhe perguntamos como será então duas pessoas caminhando em direções opostas, esta não sabe responder, no entanto não se abdica de continuar afirmando que a lua segue as pessoas.

Assim também comportamos, esquecendo-nos da dialética que preside a construção do “eu”, não nos abrimos à reciprocidade, dificultando ou impedindo a coordenação da individualidade com o universal.

Nosso cérebro é um sistema aberto de enorme plasticidade e que são moldados ao longo da nossa história de vida, através do desenvolvimento individual em interação com o meio ambiente.

Isso evidencia a forte ligação de nosso substrato biológico com o funcionamento dos processos psicológicos humanos e a própria inserção em um contexto específico.

Quantas vezes não conseguimos verbalizar, porque não queremos confrontar, mas a linguagem humana é  a  base do intercâmbio social e afetivo, simplificando e generalizando nossas impressões e intenções.

Somos “visceralmente” seres dialéticos, nos mostramos desde o ato motor ao ato mental, onde afetividade e razão se encontram, via  de regra, sob a forma de confronto.

Vale dizer que algo motiva as nossas escolhas e geralmente a afetividade é a vilã e a razão sua serva.

Bem, daí adentraremos  a seara da moral e as questões de interesses, e como diria numa solução Kantiana: “o respeito pela lei moral é um sentimento produzido por um princípio intelectual, e este sentimento é o único que conhecemos perfeitamente a priori, e do qual podemos perceber a necessidade”, e trocando por miúdos, o interesse esvazia o valor do ato moral.

Voltamos então, ao dualismo: razão e afetividade.

O que nos contêm? Será a razão? Ao nos lembrar na hora, de controlarmos desejos?

Pergunto: a razão nasce da emoção e vive de sua morte?

A emoção reduz a eficácia do funcionamento cognitivo?

Novamente o confronto, mas este não significa hostilidade, mas uma validação entre pessoas em termos de mudanças e pontos de mutação.

Impor limites, olhar o outro com amplitude, implica uma demarcação daquilo que lhe pertence e define sua identidade para o relacionamento.

A clareza em delimitar suas fronteiras é algo saudável, um fator de proteção,   mas não devemos nos afastar fisicamente ou emocionalmente por conta de nossas incertezas e medos.

Quando realmente olhamos nos olhos, a intenção é aprofundar a intimidade ou o relacionamento.

O confronto nos leva a uma aproximação e assim é possível estabelecer ou fortalecer vínculos entre as partes.

Uma boa confrontação exige respeito, delicadeza, e sobretudo, uma postura despojada de defesas do ego. Então?

Seja gracioso,  a verdade é sempre uma excelente aliada e o selo da sinceridade proporciona uma incomum oportunidade de amadurecimento.

O seu tom de voz dará o compasso na confrontação, caso tenha consciência clara de que o outro, não é um desafiador, carregando nos ombros uma mochila de informações emocionais, prontas a entrar em ação (ou ebulição?).

Nós humanos, regulamos nosso comportamento através de intenções complexas de nossa consciência, esse componente de alto status na hierarquia das funções psicológicas, ou seja, a própria essência da psiquê humana com suas subjetividades e sempre polissêmica.

Enfim, a solução de tudo isso é vivermos sob a graça de Deus, livre de mérito, com acesso totalmente aberto a essa graça imerecida.

É esse confronto do reino de Deus, graça, simplesmente graça,  gratuidade e favor, não há nenhum condicionamento, é graça pura.

Quando ouvimos: “o reino de Deus está próximo”, acredito que não fala de um tempo cronos futuro, mas de que este reino está aqui e agora ao alcance da sua e da minha mão, este reino que se consumará na eternidade.

Que venha o teu reino, SENHOR, e que o vento de Deus sopre sobre nós.
AMÉM!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

VOCÊ É OU NÃO UM TRITICÓLICO ? (Consumidor Compulsivo do Trigo) – Gordura Visceral: Perigo à Vista...



Jesus!  O verdadeiro Pão da Vida
                        Deijone do Vale


Como você define obesidade?

Olhando desesperadamente para as dobras de sua pele?

Isto depende da relação individual de gordura e músculos, pois você pode ser gordo ou magro com o mesmo peso.

Geralmente para mensurar o sobrepeso ou a obesidade, usa-se o IMC (Índice de Massa Corpórea ou Corporal), onde se divide o peso corporal (em Kg), pelo quadrado da altura (em metros), caso você pese 63,5 (Kg) e meça 1,68 (m): IMC: 22,5, ou seja, normal, já um IMC acima de 30 poderá ser rotulado como obeso e se este índice vai de 40 ou mais, a definição clínica é de obesidade mórbida, mas não podemos esquecer que a quantidade de gordura corporal modifica com a idade.

Na atualidade a obesidade é um tormento para milhões de pessoas ao redor do mundo, e o acúmulo de gordura abdominal tem roubado a vida de muita gente.

A ciência ainda não conseguiu fazer a saúde ser contagiosa, no entanto mudanças de hábitos no estilo de vida, pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida.

É verdade, somos humanos e teimosos, mas  qualidade de vida é um espelho que reflete hábitos adequados ou não ao longo da vida, e é bom lembrar que prevenção não tem idade.

A maioria dos  indivíduos, só começam a se preocupar com a saúde a partir do momento da evidência de sintomas desagradáveis.

O ideal é a prevenção, uma grande aliada para manter saudável, enquanto se envelhece.

Controlar o peso corporal, o nível de glicemia, a pressão arterial e o colesterol, são coadjuvantes que reduzem a probabilidade do aparecimento de doenças.

Se você se parece comigo e com uma parcela significativa da população, deve gostar do cheiro do pão fresco e quentinho, com uma camada generosa de manteiga ou geléia escorrendo pelas beiradas.

É irresistível para você? ... Tenho más notícias... mas, antes vamos dar uma espiada na história do trigo e sua trajetória, que se confunde com a própria história da humanidade, e que tem um papel de relevância na economia mundial.

O trigo começou a ser cultivado no Oriente Médio, especificamente na Mesopotâmia, numa região conhecida por Crescente Fértil, uma área que vai do Egito ao Iraque.

O seu cultivo espalhou-se pelo mundo através dos europeus, chegando às Américas, e ao Brasil  por volta de 1531.

Dizem os historiadores que a “invenção” do pão foi dos egípcios, mais ou menos no ano 4000 a.C. e seu status, vai muito além de alimento, é basicamente um símbolo religioso, representando o Corpo de Cristo na Eucaristia da Igreja Católica Apostólica Romana, na Santa Ceia Cristã e na Páscoa Judaica (pão ázimo sem fermento).

Temos notícias de que a Associação de Celíacos (doença celíaca) italianos, batalharam para que as hóstias fossem feitas de arroz, mas não obtiveram permissão, apenas redução para um teor baixíssimo de glúten, já os judeus ao consumir o matzá (pão ázimo), no festival judaico Pessach, permite a sua substituição por fécula de batata, pois a lei judaica sustenta que a saúde de ninguém deverá ser colocada em risco para cumprir um mandamento.

E o pão nosso de cada dia? Será que o trigo produzido atualmente é o mesmo de séculos atrás?

Certamente a resposta é negativa.

Segundo o médico norte americano, cardiologista e pesquisador, William Davis, em seu livro, Barriga de Trigo, afirma o quanto esse trigo modificado geneticamente tem ocasionado prejuízos à saúde de quem o consome.

O glúten é o “Fantasma da Ópera” que vem assombrando, estimulando nosso apetite e expondo nosso admirável cérebro, às exorfinas (receptores  opióides), que nos viciam em consumir os produtos do trigo e de seus derivados.

Acredito que mudanças genéticas dos grãos de trigo, possam realmente provocar distúrbios em nossa saúde, agravar outros e diminuir a qualidade de vida.

O que tenho visto e percebido ao longo dos anos, sobre obesidade e comilança, me reforça a crença, contida no consumo de carboidratos dos grãos de trigo, que estimulam a produção e armazenamento de gordura visceral, que atua como um depósito de triglicerídeos, um caminho que certamente conduzirá ao diabetes.

Faça você uma experiência de deixar de comer trigo e seus derivados por um mês, e depois tire suas próprias conclusões.

As deliciosas rosquinhas, tortas, bolos, bolachas, pavês, croissants, deflagram grandes picos glicêmicos na corrente sanguínea (glicação), e leva ao acúmulo de gordura visceral, olhe para a barriga de um bebedor de cerveja.

Os efeitos do trigo quando chegam ao cérebro na forma de peptídeos opioides, nos faz desejar comermos mais e mais.

Quanto mais você come, mais quer comer.

Conhece o famoso Foie Gras? (patê de fígado de ganso, uma iguaria da gastronomia francesa), o fígado dos gansos  que  foram alimentados com carboidratos dos grãos de trigo, crescem até 12 vezes o seu tamanho, podendo chegar a 2 kilogramas, eu diria uma verdadeira hepatomegalia (fígado inchado).
Literalmente "pagando o pato" com uma "esteatose" forçada.


Quando você retira o trigo de sua alimentação, seu peso diminui rapidinho e aquele pneuzinho horripilante em torno do abdômen, simplesmente, some.

Existem pessoas que tem uma resposta imunológica disfuncional para o glúten do trigo, e quando esta resposta é ativada pelo consumo, ela ataca e agride os órgãos, geralmente acionados pela predisposição genética e pela exposição ao glúten do trigo, e aí é uma Via Cruzes de doenças desencadeadas, principalmente as autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, asma, doença celíaca, doença de Crohn e até doenças neurológicas com perda do equilíbrio, da coordenação motora (Ataxia cerebelar), neuropatia periférica (perda do controle muscular das pernas), entre outras.

A comunidade científica decidiu: “Trigo é um alimento saudável” e pronto, acabou!  só que o trigo de hoje não é mais o mesmo, e assim instala-se um círculo vicioso: É! Não é! É! Não é! É! Não é...

As pessoas que conheço e são triticólicos (consumidores compulsivos por trigo e seus derivados), são obesos, barrigudos com uma cintura de gordura visceral, capaz de fazer inveja a um campeão de Sumô.

Não é fácil abrir mão de um pão francês, pão preto, italiano, integral, multi-grãos, waffles, crepes, cereais matinais, macarrão e zilhões de outras delícias trigais, não é? mas, faça sua própria experiência, e quem sabe a sua neuropatia periférica melhora.

Comer é muito prazeroso, mas temos outras opções gostosas, vai depender de sua criatividade, disciplina, vontade de manter ou restaurar sua saúde. O que você prefere? Dizem que alguns peixes morrem pela boca.

Se você retirar o trigo e tiver alívio de seus sintomas, por exemplo, aquele gosto amargo na boca, provocado pelo refluxo gastroesofágico, quando o ácido do estômago volta para o esôfago, ou uma melhora na absorção do cálcio em seus ossos e não uma terrível osteoporose ou a temível aterosclerose, ativada pelo poder extraordinário do trigo daquela pizza que eleva a sua taxa de glicose no sangue, fazendo com que você envelheça mais rapidamente.

Você sabia que nem sempre a idade biológica anda de mãozinhas dadas com a idade cronológica?

O glúten corrói a saúde de seus ossos, atuando como um feroz inimigo, acionando o sistema de liberação de interleucinas e citosinas que vão atuar na desmielinização de seus ossos, causando a osteopenia (desmielinização leve) ou a desmielinização grave (osteoporose).

Pense bem, você quer perder o controle sobre o seu equilíbrio e coordenação motora, através de um ataque direto às suas células nervosas?

As espetaculares células de Purkinje, só que elas não se regeneram, e uma vez destruídas, bye...bye.. e a comunidade científica continua afirmando: “ o trigo faz bem para a saúde”.  Adianta retrucar que o trigo de hoje não é mais o de antes?

É você que deverá descobrir, viu?

A doença celíaca é de difícil diagnóstico e comumente a sua descoberta é quase ao acaso, quando se realiza endoscopia por suspeita de úlcera duodenal ou refluxo gastroesofágico, ou mesmo nas investigações para as deficiências de cálcio, ácido fólico, vitamina B12 e quadro de anemia, sendo estas alterações comuns na doença celíaca.

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten (uma proteína encontrada no trigo, cevada, centeio e derivados) e que provoca má absorção dos nutrientes dos alimentos, dos sais minerais, água e vitaminas pelo organismo.

A doença celíaca provoca sintomas como diarréia, distensão abdominal, irritabilidade, falta de apetite, prisão de ventre, sintomas neurológicas, desconforto abdominal, dores musculares, fadiga crônica, dispepsia, dermatites, alterações hepáticas, e sendo uma doença autoimune, dispara reações imunológicas no intestino delgado, causando um processo inflamatório crônico.

E sabe qual é o tratamento?

Fechar a boca para o trigo, parar imediatamente de comer trigo e alimentos que contenham glúten, manter uma dieta restritiva definitiva e que exige disciplina férrea, pois uma grande maioria dos alimentos industrializados contém glúten.

É lógico que as pessoas que desenvolvem a doença celíaca tem predisposição genética através do gene HLA DQ2 ou HLA DQ8, e estresse emocional é um fator de risco para desencadear os sintomas, então a estratégia é manter a dieta isenta de glúten e provavelmente as lesões no intestino delgado iram se curar e haverá redução de anticorpos.

Outras doenças dermatológicas como a doença de Duhring – Brocq, a dermatite hipertiforme, uma patologia cutânea crônica benigna que apresenta sintomas de queimadura e coceira intensa, úlceras na genitália e boca, com sintomas psicóticos em função do envolvimento neurológico, causando artrite e fadiga crônica, erupções, caimbras intestinais, diarréia, desnutrição, lesões avermelhadas nos joelhos, cotovelos, nuca, costas, nádegas, couro cabeludo, borda dos cabelos, é uma verdadeira variante da doença celíaca, devido a intolerância radical ao glúten segundo os pesquisadores.

A psoríase (artrite psoríatica), vitiligo  e outras doenças pápulo-descamativas, são doenças dermatológicas que prejudicam seus portadores, do ponto de vista emocional, social, o que não deveria acontecer se houvesse mudança na dieta e disposição para experimentar novas possibilidades alimentares.

Quem faz jejum sabe muito bem que a água é a principal opção, mas se você não for viciado em glúten (trigo), o seu jejum será mais fácil, você não ficará com aquele mau humor terrível ao ponto de apresentar uma fúria indomável.

Cadê o remédio viciante: Glúten!

Depois do jejum você pode comer uma macarronada? NÃO!

Coma abobrinha fatiada, refogada com queijo em fatias grossas, tomates secos, azeite extra-virgem e manjericão fresco.

Vai aí uma salada de maçã verde com casca, cortada em cubos, cenoura ralada crua, gotas de limão siciliano, azeite de oliva e um punhado de nozes. Gostou?

Talvez você goste de pepinos gelados, (corte e deixe no gelo até o momento de servir, para ficar crocante) cortados em tacos, cubos de melão doce, salsão fatiado, folhinhas de hortelã fresca, iogurte integral e azeite.

Sugiro um peito de frango grelhado com molho de laranja e maracujá, ou um peixe grelhado com molho de gengibre, engrossado com caldo de mandioca cozida e alho poró no azeite.

Não sou agricultora e nem nutricionista, mas como psicóloga,  o que tenho visto e experimentado, me faz crer, que muitas doenças, poderiam ser evitadas ou ter seus sintomas reduzidos, se houvesse disponibilidade para uma mudança radical na alimentação.

Não sei se são os transgênicos, as hibridizações, as manipulações do código genético dos grãos de trigo, é que tem contribuído para tantos agravos na saúde, mas é algo que não podemos ignorar.

E o que dizer dos agrotóxicos? dos conservantes?  estabilizantes? espessantes? acidulantes?  corantes?  emulsificantes?  flavorizantes?

O que sei é que estou experimentando viver sem glúten e vou muito bem, obrigada!

Somos o que comemos, sempre!



Deijone do Vale
Neuropsicóloga