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sexta-feira, 22 de março de 2013

BULLYING  –  Essa “brincadeira” é séria!
 
 
“Não nascemos vítimas, mas nos tornamos”
Simone de Beavoir
 
 




Você sobreviveu a um bullying? Traumatizado?
 
Sentiu medo? Indefeso?
 
É difícil pedir ajuda? Insegurança?

 
Ficou em silêncio? Vingar?
 
Deixar a escola? Vergonha?
 
Vontade de morrer? Deprimido?
 
É possível que todos estes questionamentos tenham um “sim” como resposta.
 
O termo Bullying vem do inglês (bully – valentão) e tem sido utilizado para descrever a prática de ações ou atos, caracterizados por um comportamento violento, recorrente e intimidador.
 
O propósito intencional de provocar dor em todas as suas dimensões, seja dor física, psicológica e ou moral é o que norteia o agressor no fenômeno bullying.
 
Este comportamento do agressor é repetitivo, altamente negativo, promovendo uma relação desigual, onde um detém o poder, e o outro é massacrado através da intimidação, do medo, da ridicularização, da ofensa, da difamação e de ataques à integridade física da vítima.
 
Abusos psicológicos do bullying são manifestados através de insultos, verbalizações contra a honra, contra a auto-imagem, rebaixando e ridicularizando aspectos físicos, estéticos, sócio-econômico, familiares, religiosos, de orientação sexual ou qualquer outra característica que alimente o menosprezo do agressor ou grupos de agressores.
 
Agressores assim, podem também ter sofrido o mesmo tipo de abuso e reproduzem estes comportamentos agressivos, destrutivos e auto-destrutivos, numa tentativa frustrada de vingança e reparação.
 
A vítima de bullying poderá desenvolver comportamento de extrema ansiedade e atitudes de auto-extermínio como o suicídio, devido a intensa carga emocional, desproporcional à sua capacidade psíquica.
 
Sinais de alerta devem ser observados como dificuldades psicológicas, marcas físicas de agressão, isolamento, desatenção ou apatia, pessimismo, inquietação, nervosismo, tristeza, queda do rendimento escolar, e sintomas psicossomáticos, como dores de cabeça, diarréias, inapetência, dores no estomago, insônia ou hipersônia entre outros.
 
Bullying acontece em qualquer ambiente ou circustância onde exista interação humana, principalmente em relações diárias e constantes como nas escolas, nas empresas e na vizinhança (comunidades).
 
Essa condição de bullying, onde persiste o ataque, devasta a auto-estima, a confiança nas relações e vínculos humanos, desestruturando a vida psíquica da vítima e tornando-a refém de um contexto específico.
 
A construção da personalidade (temperamento e caráter), especificamente o caráter, com os valores morais, códigos de conduta e de bons costumes de uma geração inteira, poderá se comprometer, se não houver vozes que se levantem para construir medidas educativas eficazes, que visem a dignidade da pessoa humana. É uma questão de saúde pública dos valores éticos, e isto é uma emergência social.
 
Você que foi ou é vitimizado, precisa abrir a sua boca e pedir socorro, não pode se ocultar no silêncio, este sofrimento imposto tem que parar.
 
Para tanto, é necessário o apoio de toda uma comunidade, para o enfrentamento, a denúncia, o esclarecimento, a busca pela proteção para as vítimas, que também necessitam modificar o seu padrão comportamental, através de apoio especializado, seja ele psicológico, médico ou jurídico.
 
É emergente um basta a esse conjunto de violências esculpidas, seja física ou psicológica e para que isto aconteça é necessário coragem para denunciar, pois um estresse crônico devido ao bullying compromete o sistema neuropsicológico de qualquer um a ele submetido.
 
É provável o desencadeamento de ansiedade social, por conta do bullying, desde sudorese, até distúrbios graves de ansiedade como o transtorno do pânico.
 
A psicoterapia de suporte é fundamental, tanto para a vítima, como para o agressor e deve ser implementada, no sentido de assegurar apoio para o tratamento das disfunções e promover o treinamento de atitudes assertivas e saudáveis.
 
Somos todos responsáveis por essa busca e disseminação do respeito às individualidades, diferenças e singularidades de cada um.
 
Somos elos de uma mesma corrente, somos singulares em nossa humanidade, e onde um elo se rompe, ali provavelmente existe dor e sofrimento e você poderá contribuir, educando, aconselhando, informando, acolhendo, prevenindo, identificando, se envolvendo, se comprometendo em realizar a sua parte.
 
Não podemos dizer, isto não é comigo, pois o respeito, a solidariedade e a moral, estes devem ser cultivados como pérolas dentro de nós.
 
Cada cidadão do mundo deve dar a sua contribuição, auxiliando na transformação dos agressores e de suas vítimas.
 
Você também é responsável!
 
 
 
Deijone do Vale
 

Neuropsicóloga
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

SUICÍDIO – Uma Vida Interrompida



“Com a ajuda do espinho em meu pé, pulo mais alto do que qualquer um com pés sadios”
Kierkegaard




Você algum dia se perguntou porque as pessoas se matam?
Provavelmente já ouviu histórias trágicas, tristes, comoventes e chocantes.

Tudo isto nos reporta ao sentido da vida e como já disseram outros antes de mim, é preciso realizar  as grandes tarefas existenciais: viver no tempo, viver neste mundo, viver e conviver com outros... e com o radicalmente Outro: DEUS.

É bom quando vivemos em comunhão, é muito bom uma convivência amorosa e como sinalizou tão bem, Martin Buber, este grande pensador de nossa época, basta recordarmos a dimensão hermenêutica da sua obra sobre a Bíblia (traduziu a Bíblia para o alemão), sobre o Judaísmo, o que reforça o conceito de “relação”, o que ocorre entre seres humanos e entre o homem e Deus.

 


Martin Buber em seu livro EU E TU, fundamenta a experiência da responsabilidade como consciência, quando projetamos a nossa subjetividade na objetividade do outro e que por sua vez fundamenta objetivamente a nossa subjetividade.


Então? O que devemos ao outro?

O  termo, a palavra suicídio, vem do latim sui (próprio) e caedere (matar).

Desfontaines em 1737, definiu suicídio como Sui Caedere: matar a sí mesmo, e duzentos e tantos anos depois, especificamente em 1947, Deshaines, conceituou suicídio como a morte intencional de sí mesmo.

Se analisarmos o suicídio pelo paradigma psiquiátrico, poderíamos afirmar que todo sujeito quando suicida, sofre de alguma  enfermidade mental, pelo menos no momento em que comete tal ato.

Suicidou-se por quê?

Da perspectiva do paradigma psicológico, diríamos que fatores de cunho pessoal e motivações personalíssimas, conscientes ou inconscientes, são condições necessárias para o suicídio, assim como personalidades anormais e com temperamento impulsivo.

O que nos  chama a atenção em uma parcela significativa de suicidas  é o que consideramos “Erro Existencial”, que revela a consciência da significação ou direção da vida e consciência do fracasso.

Transtornos mentais e suicídio caminham de mãos dadas. A depressão responde por 50%  dos suicídios, o alcoolismo por 25%, esquizofrenia por 11%, transtornos de personalidade por 9% e sem transtornos mentais 5%.

O comportamento de ideação suicida está associado a uma visão negativista diante das vicissitudes da vida ou da impossibilidade em vislumbrar alternativas para conflitos internos, e a opção pela morte é a resposta do indivíduo.

Se compararmos o perfil  neuropsicológico de indivíduos portadores de Transtorno Limítrofe de Personalidade com os sujeitos que apresentam condutas suicidas  podemos observar uma alta correlação de impulsividade que atuam como marcadores para a predisposição ao suicídio.

Por exemplo, em sujeitos portadores de Personalidade Borderlaine, observa-se uma deterioração neuropsicológica dos domínios cognitivos dorsolateral, prefrontal e orbitofrontal, e estas deteriorações afetam as funções executivas, que por sua vez intervem e desequilibram a tomada de decisões racionais, promovendo rigidez cognitiva e comportamento auto-agressivo, sugerindo assim um substrato neurobiológico.

O dia em que ocorreu o suicídio, provavelmente  algum evento disparou o gatilho para o ato em sí.

É importante alertar sobre  a relação entre índices elevados de suicídio e número de  armas de fogo, ou seja, muitos portadores de armas, maior incidência de suicídios por armas de fogo, assim também fica o alerta para tentativas frustradas de suicídio, que podem ser consideradas um pedido de socorro e também um fator de risco, pois podem tentar novamente.

Quanto aos fatores de risco para o suicídio podemos afirmar que os transtornos psicológicos lideram a lista, em seguida abusos de substâncias como o álcool ou outras drogas, problemas de desestruturação (familiar, amorosa e financeira), poucas amizades, isolamento, planejamento suicída, desemprego, impulsividade, discriminação entre outros, tudo isso poderá provocar pensamentos e atos suicidas.

Segundo os especialistas em Suicidologia a prevenção do suicídio deve ser uma preocupação não apenas dos profissionais ligados a área da saúde, mas de toda a comunidade humana.

A intervenção em momentos críticos da ideação suicida deve promover o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, assim como os cuidados da própria família, e até a internação em casos graves.

É importante monitorar as ações do individuo  retirar o acesso a armas de fogo, venenos e outros riscos ambientais.

Necessário se faz o acolhimento, o cuidado e os afetos, pois estas ações farão toda a diferença.

A intervenção é necessária,  é uma emergência, tanto psicológica como farmacológica, conforme o caso em questão.

É preciso coragem para se renovar e não deixar os sonhos se perderem.

É  preciso saber viver!



Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PAIXÃO

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”
                         William Shakespeare
                                          (Hamlet)
 
Paixão, você já sentiu isso?
Essa coisa que move impetuosamente a alma de forma particularmente ardente, este sentimento forte e profundo que arrebata o nosso cérebro e faz o coração dar pinotes?
Ah! Então, você sabe do que estou falando... Provavelmente, em algum momento de sua vida, você se sentirá arrebatado pelo outro, faz parte da condição humana.
Difícil?  Também acho. Ninguém disse que seria fácil.
Mas... Porém... Contudo... Todavia... Entretanto... Parece que amamos amar. Será?
É a natureza humana!
A paixão é como um raio fulminante em um céu de brigadeiro surge inopinadamente e é sentida como uma corrente elétrica de 1000 volts e que coloca nossos neurônios em sentido de alerta.
Imagine um mar encapelado, com ondas altas e revoltas numa zona de arrebentação e que se quebram em um torvelinho de espuma, assim é a paixão.
Um sentimento extravagante, um júbilo interno que se move à velocidade da luz.
Experimente para você constatar.
As emoções do apaixonado podem ficar fora de controle, nosso cérebro recebe e interpreta toda e qualquer informação, seja sensorial, de linguagem corporal, verbal ou visual, como se fosse uma expressão da  declaração de amor do outro.
É, realmente, perdemos a noção de razão e lógica.
Nossos recursos cognitivos conspiram contra nós (lembranças, cheiros, sons, música), expressando a imagem e o desejo pelo amor do outro.
Os bilhões de neurônios criam uma rede de conexões que nos aciona em movimentos motores (senta, levanta, anda e corre) sem necessidade específica e nos leva a manifestar comportamentos que não prevíamos.
Ficamos literalmente hipnotizados, poderíamos facilmente ser classificado como um idiota, e é claro que não somos, mas parecemos, nos transformamos, ficamos com a boca seca, mãos úmidas, tremores, suores, coração em plena taquicardia parece que vai saltar pela garganta.
É demais você não acha?
Se for necessário exibirmos nosso QI (Quociente de Inteligência) para qualquer assunto provavelmente será classificado entre idiota ou imbecil acentuado.
Pode um negócio deste?  É possível?
É verdade! Apaixonado é bobo mesmo. A gente só falta babar pelo outro.
A paixão aparentemente produz uma deficiência intelectual que pode ultrapassar os limites da debilidade mental. Provavelmente estou exagerando um pouquinho só, mas é mais ou menos dessa forma.
Sabemos que estados emocionais como o da paixão podem inibir as funções mentais e reduzir de modo dramático o rendimento intelectual e esta inibição emocional, ou seja, este “ataque de estupidez” é uma experiência conhecida entre os apaixonados, principalmente para nós tímidos.
Gaguejamos, nos atrapalhamos, trocamos as palavras, esquecemos o que íamos dizer, enfim, metemos os pés pelas mãos.
É um Deus nos acuda. Socorro!
Está rindo de quê?
Aguarde, sua vez chegará.
O amor é lindo! Suspiros, suores, olhares apaixonados, frio na barriga, borboletas no estomago, aceleração cardíaca, peito saindo fumaça, a flecha do cupido atingiu o seu cérebro, de cheio no centro da ínsula.
Logicamente tudo isto misturado com nossos fatores genéticos, culturais e sociais.
Todo o nosso cérebro se modifica devido à química das substâncias que produz, elevando a frequência de batimentos cardíacos e respiratórios assustadoramente, parece que você subiu uma escada de 700 degraus, você está ofegante.
Se preparando para uma maratona? É o que parece.
A pressão arterial alcança picos elevados, as pupilas dilatam, podemos ter tremores, rubores ou palidez, perda do apetite, do sono e da concentração.
Puxa! Parece que estamos seriamente doentes.
É a dopamina que está em plena ação, agitando as regiões específicas do sistema límbico e deixando tudo potencializado pela emoção.
As estruturas ativadas no cérebro do apaixonado são as do córtex pré-frontal, núcleo caudado e a área tegumentar ventral, áreas que estimulam os circuitos de recompensa, liberando endorfinas, dopamina e noradrenalina.
E é aí que reside o perigo, pois muita adrenalina, oxitocina e cortisol (hormônio do estresse), secretado pela glândula adrenal, desequilibram nossas emoções.
Doente de amor, já ouviu isto?
É a pura verdade, não comem, emagrecem de amor, tudo isso porque a adrenalina secretada pelo cérebro do apaixonado e pela glândula adrenal é um inibidor natural do apetite e do sono.
O  S.N.A. (Sistema Nervoso Autônomo) é ativado durante as emoções e passamos a comportar às vezes de forma irracional, isto talvez se deva ao sistema límbico.
O amor e a paixão podem ser medidos pelo hormônio dopamina, um neurotransmissor que aciona os centros de recompensa e de prazer do nosso cérebro.
É verdade, a importância dos neuroquímicos  e dos circuitos cerebrais na fisiologia da paixão, é o caso da feniletilamina, um neurotransmissor cuja produção pode ser desencadeada por um simples toque de mãos ou uma troca de olhares.
Incrível, não é mesmo? Estas são as sensações e mudanças a nível fisiológico que experimentamos quando nos apaixonamos.
É inegável a importância dos sentidos nos arroubos da paixão, veja por exemplo a  visão, numa troca de olhares, automaticamente é ativado o neocórtex especializado em avaliar e selecionar.
A audição se prende ao que se fala e ao tom de voz, estes possuem efeito na escolha do parceiro, assim como o tato, considerando que temos aproximadamente dois metros quadrados de pele com milhões de receptores, enviando seus impulsos nervosos do cérebro para a medula e que nos mobiliza em termos de imaginação, emoções, atividade motora e memória.
E o que dizer do paladar? A língua é a base do paladar, e a boca riquíssima em sensibilidade, talvez uma das partes mais sensíveis do corpo humano, basta lembrar do bebê na fase oral, onde sua boca é a sua primeira fonte de prazer.
E o olfato?
Ele propicia um efeito direto em nossa afetividade. Cheiros? Odores?
Aí podemos nos perguntar, até que ponto o amor é uma reação química?
Odor corporal é algo para se pensar: o mesmo perfume em pessoas diferentes produz odores diferentes.
Enfim, o nosso espetacular cérebro atribui valor positivo à companhia de outra pessoa.
E em Gênesis - (Gn. 2:24), está escrito: “Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
 
Deijone do Vale
Neuropsicóloga


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PERSONALIDADE BORDERLINE (Fronteiriças)




Chove lá fora, ouço o barulho agradável dos pingos d’água ricochetear nas grandes folhas do coqueiro leque, do meu pequeno jardim.

Já são três dias de chuva contínua, neste veranico de janeiro de 2013, gosto disso!
 
Estou de férias do trabalho... Pensei em ver um filme e comer pipoca quentinha.  Dormir?  Não!  Decido, prefiro escrever. 

Ligo o computador à minha frente...

E vocês não vão acreditar, vejo entre as folhas do cajueiro, defronte a minha janela, literalmente “pairando no ar”, um minúsculo, gracioso e ágil beija-flor, se abrigando da chuva.

Nunca estive tanto tempo tão próxima de um, e olhando o doce movimento multicolorido de suas pequenas asas, fiquei a pensar...

Por fim, voou pelos ares, acho que o meu olhar curioso o assustou.

Certamente foi beijar alguma flor!

Vamos lá, vamos ao artigo.

Hoje esta chuva de verão e o pequeno beija-flor me inspiraram.

Vou escrever sobre “personalidade  limítrofe  ou fronteiriça”, um modo de ser psíquico, disfuncional, anormal e totalmente desadaptado.

Todo homem possui uma história pessoal e é isto que devemos considerar quando pensamos em “PERSONALIDADE”, sejam estas personalidades saudáveis ou patológicas.

A síndrome borderline  é um transtorno de personalidade que fica nos limites entre a neurose e a psicose, ou seja, fica na fronteira da normalidade e da patologia.
 
É bem intrigante uma personalidade borderline, desafia até o nosso Código Penal, considerando que a capacidade civil de um indivíduo está condicionada à sua capacidade mental.

O portador da síndrome nem é totalmente insano (sintomas psicóticos) e nem apresenta um prejuízo severo em seu juízo crítico que não compreenda a gravidade de suas atitudes comportamentais e emocionais, no entanto, não consegue contê-las.

O termo Borderline foi usado pela primeira vez em 1884, pelo então psiquiatra inglês, Hugles.

Este modo de reagir do indivíduo borderline, provoca dificuldades e conflitos com as demais pessoas, sendo tênue a linha que separa os estados borderline da loucura e da sanidade.

Personalidade borderline é um típico padrão comportamental de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos.

O paciente borderline apresenta sentimentos de raiva e ira como afeto único ou essencial, associado a uma baixa capacidade de controlar seus impulsos explosivos, o que o leva a manifestar comportamento violento, principalmente quando criticado.

Os borderlines se queixam com frequência de sentimentos crônicos de vazio e apresentam propensão a se envolver em relações íntimas intensas e fugazes, devido a sua instabilidade, o que ocasiona frequentes crises emocionais.

Pequenos estressores são suficientes para levá-los a atos de ira incontroláveis, com reações desproporcionais ao estímulo desencadeador do ataque de fúria.

Seus atos intempestivos revelam um “humor de pólvora”, tendo como alvo pessoas do convívio, como cônjuges, irmãos, pais, amigos, namoradas, colegas de trabalho e familiares.

É importante ressaltar, que embora o borderline consiga manter condutas adequadas em várias situações, ele escorrega feio em situações naturais do dia a dia, uma vez que o seu limiar de tolerância para as frustrações é extremamente baixo.

O curto-circuito de crises de agressividade e insatisfação manifesta-se, como numa tentativa de autenticar sua “importância”, seu valor ou seu poder, seja para se opor ao ambiente ou para confrontar as pessoas à sua volta.

Borderline são extremamente suscetíveis em suas manifestações de instabilidade afetiva e emocional, oscilando entre polos, indo do amor exaltado ao ódio declarado, da alegria efusiva a tristeza profunda, da apatia morna ao entusiasmo exacerbado, tudo isto denota um padrão de comportamento disfuncional.

Exemplo desse feitio pessoal adoecido é a vida conjugal desses indivíduos, pois ao mesmo tempo em que se apegam ao outro como “carrapato” e ficam dependentes e carentes, no instante seguinte, maltrata com   sadismo e requintes de crueldade.

Apesar de viverem sugando e exigindo do outro amor e afeto em doses cavalares, estes indivíduos temem a solidão e não conseguem ficar a sós, são intolerantes à solitude, fazem esforços extravagantes para evitar o abandono.

O seu ego tem tendência a atacar o outro do qual depende emocionalmente, como numa tentativa frustrada de camuflar ou esconder a sua enorme necessidade de dependência.

Infelizmente o ego dos borderline não suporta o vazio, o abandono, a rejeição, não superam com equilíbrio os conflitos da vida, ficando sempre em evidência o seu comportamento desadaptado.

Apresentam franca tendência para o alcoolismo, uso abusivo de medicamentos, trabalhar em excesso, sexo desenfreado, e estão o tempo todo perseguindo algo insistentemente, parecem estar em busca de alguma “coisa a mais”, que possa de alguma forma acalmá-los ou preencher o oco de sua alma vazia e insaciável.

É evidente a desarmonia, a inadequação e comprometimento de seus afetos, pois ao mesmo tempo em que sente empatia ou intenções protetoras em seus relacionamentos,  o faz porque  espera retorno, de que será preenchido pelo outro em todas suas necessidades e expectativas grandiosas.

A inconstância do borderline é desconcertante, muda de opinião e de atitude em suas relações interpessoais com extrema facilidade, eliminando de sua vida as pessoas ou substituindo-as por outras.

Passa da idealização para a franca desvalorização, isto por acreditar que não é suficientemente valorizado em sua “onipotência”, daí a insaciabilidade em termos de atenção e apreço.

Borderlines não suportam que outros sejam admirados e mais valorizados que eles, são extremamente competidores e sarcásticos.

Os indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline apresentam tendência suicida, seja através de atos impulsivos ou devido à ira descontrolada, desespero, pânico e ou angústia extrema.

É possível ao borderline manter relações sexuais patológicas ou incestuosas, numa tentativa abortada de se libertarem do seu vazio existencial.

Não conseguem experimentar emoções genuínas por não suportarem, e assim como defesa, suas relações  são primordialmente superficiais e com frequência mudam de trabalho, de casa, de amigos e de cônjuge.

Muitas vezes são despedidos dos empregos ou pedem demissão, por não tolerar as regras, as críticas e a rotina.

O TPB (Transtorno de Personalidade Borderline) é um grave distúrbio que afeta extremamente a vida do paciente, provocando sérios prejuízos, estes necessitam de tratamento e acompanhamento por equipes multidisciplinares,  através de medicação e acompanhamento psicológico.

As pesquisas revelam uma infância traumática (abusos diversos, abusos sexuais, separação dos pais e outras variáveis).

Alguns estudiosos apontam para uma predisposição genética, além de disfunção a nível cerebral.

Alimentam sentimentos de vingança, ódio inapropriado e de difícil controle, humor reativo, dependendo sempre dos acontecimentos à sua volta, excessiva necessidade de atenção, rompimentos raivosos de suas relações com tendência a terminarem em tragédias.

Geralmente os borderline afastam aqueles de quem mais precisam, são extremamente confusos em seus padrões de comportamento e afeto.

É paradoxal sua atuação comportamental e atitudinal, pois ao mesmo tempo em que necessitam do afeto do outro, o afastam de forma cruel e assustadora.

Especializam-se em manipular as pessoas, embora nunca admitam devido  a sua imaturidade emocional, sempre colocando a culpa no outro para justificar suas falhas, perdas e delitos.

É possível que quando crianças foram negligenciados em necessidades básicas de sua vida psíquica, o que marcou profundamente sua personalidade.

Na história de vida desses indivíduos encontraremos uma privação afetiva (ausência de uma mãe ou pai, maus tratos, carência emocional, traumas psicológicos e abusos sexuais na infância).

A memória do borderline é exagerada para acontecimentos negativos e eventos traumáticos, remoem o passado e tem dificuldades para perdoar, pois acreditam que estão corretíssimos em suas crenças e atitudes e que são eternas vítimas desse mundo cruel.

Não conseguem entender porque os outros  olham com indignação e espanto seu comportamento, mas na verdade são frágeis como vasos de porcelana.

Embora  educados, simpáticos e adoráveis em situações que lhes convêm, na intimidade demonstram abertamente o mau-humor, amargura e ataques de profunda raiva.

Conseguem esconder por um tempo o transtorno, entretanto sua vida é um sofrimento só, oscilando entre a bondade e a mais pura crueldade.

Borderline são pessoas imprevisíveis como um raio em céu claro, é uma superfície e uma profundidade de iceberg, difícil sabermos o quanto de sua personalidade está mergulhada na obscuridade.

Exigentes e desconfiados, confundem  facilmente carência emocional com paixão e assim transferem para seus relacionamentos amorosos sua instabilidade emocional, tendo uma vida dupla, uma social e outra diferente na intimidade, ou levando vida paralelas.

São árduos manipuladores, mas não possuem noção clara de sua identidade  (inclusive sexual),  são verdadeiros escravos de suas emoções.

No psiquismo borderline existe uma cisão entre o bem e o mal, entre o amor e o ódio, é uma relação interna de extremos, não há integração, num piscar de olhos se transformam, sendo a inconstância a base de suas vidas.

Borderline passam do encanto inicial ao extremo desprezo, na verdade, estamos diante de um grave transtorno de personalidade e que deve ser tratado, sob risco de prejuízos materiais e emocionais devastadores.

É um grande dilema para o paciente borderline que entende a gravidade de seus atos, mas é incapaz de frear e controlar seu comportamento auto e hetero destrutivo.

Ele se destrói, mas quer também destruir o outro.

Perdem a racionalidade  diante da frustração, do seu sentimento de dor e comportam-se como animais feridos prontos para o ataque.

Não podemos negligenciar o tratamento, ele é necessário, o grande desafio  fica por conta do diagnóstico, mas como já dizia o pai da medicina moderna, o médico canadense, William Osler: “Se você escutar com cuidado os pacientes, eles te dirão o diagnóstico”.


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

VIVA MELHOR! Comportamento e Saúde


É aquela velha história: Ano Novo, Vida Nova!
O quanto isto é verdade para você?
Tudo igual, do mesmo jeito?
Mudar? Não?
Melhorar? Sim, que bom!

É possível dar um novo rumo à nossa saúde e melhorá-la.

Somos seres humanos, com motivações conscientes e inconscientes, desenvolvemos mecanismos múltiplos de defesas e portamos ansiedades de várias fontes e que se escoam através de padrões comportamentais.

Faça a diferença em sua saúde. Você sabia que 30 minutos diários de uma atividade física o separa dos sedentários?
O nosso comportamento influencia a saúde direta ou indiretamente, de forma imediata ou a médio e longo prazo para melhor ou para pior.

O que chamamos de patógenos comportamentais são aqueles comportamentos ou hábitos relacionados ao estilo de vida e que prejudicam a saúde (açúcar em excesso, obesidade, sedentarismo).

Os imunógenos comportamentais por sua vez apresentam efeito protetor, é o caso das dietas pobres em gordura, uso de filtro solar, atividade física regular, capacidade para desacelerar internamente e manter seu controle emocional equilibrado.

E você como está se comportando em relação à sua saúde?
Como vai você?

Dê uma turbinada em sua rotina diária e viva melhor.
Você está tranquilo? Está em paz com você? Se não está, comece por te perdoar, te garanto que é um ótimo começo. Pare de se culpar, cultive o bom-humor e não tenha medo de voltar atrás e mudar de opinião.

Críticas? Ouça-as e se podem construir, aproveite-as.
Faça um Check-up, visite o seu médico assistente e verifique como está a sua pressão arterial.

Glicose? Gorduras? Tireóide? Coluna? Stress?

Sinta o seu corpo, muitas vezes não percebemos nenhum sintoma, mas lembre-se,  algumas doenças são mais silenciosas que uma lápide.

Você sabe dizer não? Realmente, às vezes é muito difícil, mas o pior é dizer sim e ficar se amargando pelo seu consentimento. Vale dizer que você é totalmente responsável pelo que permite aos outros te fazer.

Beba bastante água, é bom demais. Você conhece algo melhor do que a água para o corpo, se souber me avise, preciso aprender.

Saladas de verduras, legumes e frutas devem fazer parte de sua alimentação diária. Aprenda a mastigar e sentir realmente o sabor daquilo que está comendo.

Não é aconselhável permanecer longos períodos sem se alimentar, pois o seu cérebro pode interpretar como privação e não permitir o gasto de energia, baixando o metabolismo e estocando gorduras.

Coma grãos e fibras, coloque um pouco de cevada nos sucos, trigo moído nas sopas, prepare um mingau de aveia bem quentinho, com folhas de hortelã fresca.

Castanhas, damascos secos e sementes de girassol ou de abóbora são nutritivos, saudáveis e fáceis de levar no bolso para uma emergência.

Estes alimentos fazem uma boa faxina no organismo e também nos deixam saciados por um tempo maior, uma vez que são processados  lentamente.

Troque o açúcar por canela, use também o cravo-da-índia e que tal uma pequeníssima lasquinha de gengibre (ele é um antibiótico natural), batido no seu suco de melancia?

Bata um pouquinho de salsa no suco de laranja, ela ativa o seu sistema imunológico, tem a vitamina C que previne gripes e resfriados.

Coma diariamente uma maçã, você sabia que ela reduz o risco de diabetes?

Conhece o cardamomo? é delicioso quando fervemos suas sementinhas no leite. Experimente!
Suco de couve com gotinhas de limão pode ajudar no combate a infecções estomacais.

Você já experimentou a frutinha da longevidade? é o Mirtillo, fruta vermelha que só encontramos no Brasil nos finais de ano, e é a minha predileta!  Ela combate os radicais livres do nosso organismo, possui antioxidantes (protetores do coração).

É bom lembrar que as frutas vermelhas frescas como a framboesa, morango e amora contêm o ácido salicílico, aquele encontrado na aspirina, e que combate a doença cardíaca.

Quer melhorar a concentração e atenção, experimente um suco de romã, adoçado com uma colher de chá de mel. Sua memória e estômago agradecem.

Sentido cãimbras? Coma banana, batata-doce e espinafre, eles possuem uma grande concentração de potássio.
Já cochilou no meio da tarde? É isso aí!

Estes cochilos restauram e podem aumentar o poder cerebral para a aprendizagem e criatividade e é por isso que as empresas do Vale do Silício já adotaram quartos para cochilos para seus empregados, como é o  exemplo do Google. Parabéns!

Eles estão no caminho certo, deixando o cérebro de seus empregados com a capacidade renovada, como o hipocampo, propiciando a absorção de informações novas.

Tranquilize-se. Você consegue ficar sem ver TV pelo menos um mês? Sem celular por uma semana? Sem internet por um dia? Caso diga não, reveja suas prioridades e verifique o seu nível de stress.

Possivelmente está alto, é melhor respirar fundo e olhar a paisagem, faz bem!

Que tal uma caminhada, ouça uma música suave, tome um bom banho de espuma com óleos aromáticos, hidrata, relaxa, amacia e protege sua pele.

Banho de sol, quanto tempo você não toma um solzinho? É apenas 10 minutos diários (antes das 09:00 e depois das 16:00), tem vitamina D e previne doenças. E não se esqueça do filtro solar.

Tenha um tempo de solitude para orar, ler a Bíblia, meditar, rever sonhos e projetos e ainda leve em conta que o seu impacto sobre as pessoas é diretamente proporcional a sua intimidade com Deus.

Saia de sua zona de conforto, de segurança e de comodismo, mexa-se, movimente-se.

Cuide de seus cabelos, da pele, dos dentes e das unhas, mas não se esqueça de sorrir e de olhar para o outro.
E por fim ame o seu trabalho!

Bem, agora vou tomar uma xícara do meu chá preferido: baunilha.
Saúde!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga