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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Confinamento: COVID19... extraindo novos significados do sofrimento.





“Enquanto como um paciente disposto espero poder beber poções de cura contra a minha terrível infecção; Nenhuma angústia que me cause ainda mais sofrimento, nem uma dura pena para corrigir a correção. Tenha pena de mim, caro amigo, e lhe asseguro que até mesmo sua piedade é o suficiente para me curar.”  (Soneto 111 – Carta a um Nobre Senhor – Shakespeare).


O ano é  de 2020, mas me remete a minha adolescência, quando li pela primeira vez o “Diário de Anne Frank” e sua família judia, isolada entre o medo, a coragem e o absurdo do sofrimento.

Estes são tempos do novo Coronavírus – COVID19, um vírus que veio da China, uma molécula de proteína, revestido com uma capa de gordura (lipídio), um alienígena que invade sem cerimônia, narizes, bocas, e mucosas oculares, provocando uma mutação em suas células multiplicadoras, com uma farra de sintomas como febre, tosse, pneumonia, perda do olfato e sabor, ou mesmo os assintomáticos que podem transmitir o vírus, mas que em alguns indivíduos poderá ser letal.

Sempre pensei na China como um império de primeira grandeza, um dos países mais populosos do universo, com sua cultura milenar, e suas cidades incríveis como Xangai, Beijinj, a Cidade Proibida (considerada Patrimônio Mundial da Humanidade), localizada no centro da antiga cidade de Pequim, atualmente “Palácio Museu” que durante séculos foi residência do Imperador e centro cerimonial e político do governo da China.

Coronavírus! COVID19! China! Wuhan! Imagino a Grande Muralha da China, um conjunto incrível de muros que se espalham entre o norte da China e a Mongólia, com mais de dois mil anos, erguidos sob o domínio de dinastias diferentes e que atraem milhões de pessoas.

Cidade de WUHAN, o “LOCUS NASCENDI” do Novo Coronavírus, que no apagar das luzes de 2019, fez a sua primeira vítima fatal.

Wuhan, um significativo centro econômico e comercial, destacado por pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias em suas indústrias modernas e seus importantes centros educacionais de ciência, e uma expressiva população de 11 milhões de habitantes, a qual comparo, aqui no Brasil, com a cidade de São Paulo, no entanto a metrópole chinesa protagonizou um terrível surto de um tipo misterioso de pneumonia que se transformou em pandemia, tornando-se uma grave emergência de saúde pública de interesse internacional, colocando o mundo inteiro em estado de alerta, com impactos significativos na vida dos indivíduos e na economia mundial, alastrando-se como um rastilho de pólvora, e expondo a espinha dorsal dos sistemas de saúde de todas as civilizações.

Diante desse cenário sombrio e de morte em escalada nos diversos continentes, em pleno século XXI, estamos sendo impactados por uma realidade cruel, que compromete a vida, a saúde física e mental dos habitantes do planeta terra.

Para controle do contágio, da superlotação e falência dos sistemas de saúde, medidas restritivas foram implementadas para se evitar aglomerações (quarentenas, isolamento social, distanciamento social, confinamento), fechamento de fronteiras, shoppings centers, igrejas, lojas, escolas, universidades, teatros, cinemas entre outros.

Foram instituídas medidas preventivas, como lavar as mãos criteriosamente, uso de álcool gel a 70%, máscaras e distanciamento social em bancos, supermercados, refletindo no cotidiano das pessoas, gerando ansiedade, temores, mudanças de hábito nas relações familiares e interpessoais, e  sobretudo no psiquismo individual.

Nesse contexto, é necessário o exercício diário da paciência, da tolerância, dos níveis de comunicação, da afetividade, da empatia, solidariedade e compaixão.

O que você está aprendendo dentro das paredes de sua própria casa? O que esta convivência inesperada te proporcionou? Como tem sido a sua percepção da vida? Qual o sentimento emergente diante da morte pelo COVID19?  Qual é o seu olhar para os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente? Qual o sentimento sobre a finitude de sua própria vida?  Você melhorou ou piorou enquanto ser humano nesses dias de coronavírus?  Sua escala de valores mudou?  O mundo hoje para você é...  As vozes externas são mais consistentes do que as vozes internas? 

Quando o ambiente torna-se altamente tóxico, seja pelo medo real ou imaginário, e afloram sensações psicológicas desfavoráveis (angústia, tristeza, solidão, despersonalização), sensações fisiológicas (tremores, sudorese, taquicardia, pressão alta, formigamentos e dormência, falta de ar, fadiga, fraqueza), tudo isso gerado pelo desequilíbrio emocional que promove  transtornos nos hormônios e na química cerebral, devido altos níveis de stress,, tensão e ansiedade.

Em tempos de coronavírus é necessário o isolamento social tão bem expresso no velho ditado popular: “o tiro sempre acerta aquele pássaro que bota a cabeça para fora.”
Estabeleça uma rotina nessa nova realidade, organizando suas prioridades (alimentação, exercícios físicos, limpeza, sono, descanso), aprendendo a exercitar a gentileza nos espaços domésticos, com atos de bondade e cooperação, praticando a empatia e amor ao próximo.

Aprenda a valorizar o ato de preparar sua própria comida, experimentando novos aromas e sabores, cozinhando para alimentar outras pessoas e observando suas reações.
Cultive seu jardim  com plantas que gere flores e frutos, é uma experiência ímpar colher seus próprios frutos. É um exercício de paciência, a espera da colheita.

Leia novos livros, escreva sua história de vida, cante, dance, ore para as outras pessoas, lave a louça, evite a inércia e o vazio, desenvolva a alegria e o prazer em oferecer um chá para seus familiares e degustar o sabor calmamente,  sem pressa,e a minha receita de chá delicioso e relaxante vai aí: 1 litro de água filtrada e fervente; 4 maracujás médios bem lavados e cortados com a polpa e casca e triturados no liquidificador com a água quente e com 4 folhas de capim cidreira (erva-cidreira), coe, adoce com mel ou a gosto, pode ser servido quente como chá ou gelado para ao tardes de verão, ele fica um chá espesso, devido a pectina da casca do maracujá, e é delicioso.

 Busque o estreitando dos vínculos de amizade, respeito,  evitando ideias e conversas desagradáveis e negativistas, tente elevar as taxas dos hormônios do prazer e bem estar como a Serotonina, que será produzida ao contemplar a beleza da natureza, ou trazer à memória boas recordações; a Endorfina pode elevar ao sorrir para as pessoas ou sorrir de você mesmo, e a Oxitocina será produzida,  fortalecendo a sua fé através da oração, dos cânticos de louvor, adoração e gratidão.

Aprenda a acalmar a sua mente, controlando seu corpo físico com a prática da respiração profunda até sentir o ritmo normal das batidas de seu coração. Inspire profundamente e expire lentamente soltando o ar pela boca e assim até se acalmar e relaxar.

Traga à memória, suas superações conquistadas ao longo da vida e não se deixe dominar por pensamentos invasivos  de temor e que geram ansiedade.

Esse é um momento de recolhimento, mas que não nos impede de  ver a beleza dos raios de sol através da janela, não importando o quanto a vida está nublada, ou como quando pedimos chuva, mas temos que aprender a lidar com a lama.

Mudança de mente exige flexibilidade nos pensamentos e ações, temos um cérebro maravilhoso, desenhado por um Deus poderoso, esse conjunto espetacular de massa encefálica com seus admiráveis feixes de neurônios, capazes de realizar as mais belas obras primas da criação, e como expressou magistralmente, Nelson Mandela, dono de uma força interior indescritível: “Eu sou o capitão da minha alma, não importa quão estreito o portão...”


Deijone do Valle
Neuropsicóloga

domingo, 29 de dezembro de 2019

VIDA INTERIOR: Alma e Espírito e o Amor de DEUS...




‘Senhor Deus, dá-nos a paz, uma paz que não conheça ocaso; Para Ti nos criastes, nosso coração é impaciente enquanto não repousa em ti.” 


(As Confissões de Santo Agostinho – Livro I, 11 – Livro XIII,35.50)

A vida é uma aventura incrível, todos os dias temos a possibilidade de fazer escolhas e mergulhar fundo em novos conhecimentos, ou escondermos em uma zona de conforto e permanecer na superfície ou à margem da existência.

Com isso em mente, vamos dar uma espiada em nossas vivências e caminhar pelos corredores de nossas memórias, sonhos, projetos, e quem sabe ampliar o leque de valores e crenças que moldaram e deram escopo ao mundo interno que construímos ao longo da existência, mas que pode e deve ser transformado, agregando novas estruturas e desafios.

Estamos fechando um ciclo de tempo, o ano de 2019 está chegando ao término e certamente outros ciclos de nossa vida também estão sendo concluídos, encerrados ou iniciados.

Existe uma linha invisível que liga nosso passado ao presente, e este ao futuro, de uma maneira formidável, mas que não poderá ser explicado, meramente, por uma condição de causa e efeito.

Nossa história de vida, revela espaços intermediários que estão no inconsciente, mas que merecem ser decifrados, investigados com um exercício vigoroso,  e dar uma sacudidela na inércia, na procrastinação ou qualquer outro mecanismo de defesa do ego, que trava a vida e impede a decodificação daquilo que perdemos e pelo qual nos martirizamos através da culpa e do remorso, tornando-nos amargos e ansiosos, ao ponto de gerarmos doenças psicossomáticas, porque encarceramos nossa alma  em alguma porão sombrio do nosso corpo.

Levantamos paredes à nossa volta, nos blindamos do outro sem mais, nem porquê, criamos fantasmas espetaculares que nos assombram a cada instante.
Ruminamos o passado que não podemos mudar e este nos impede de degustarmos saudavelmente o aqui e agora, e nos relacionarmos pacificamente com aqueles que nos feriram.

O bálsamo para o passado sempre será o perdão, e se tropeçamos e caímos, é certo que também podemos nos reerguer, levantar, equilibrar e até dançar novos passos criativos.
O importante é cultivar a leveza ao explorar nossa consciência, pois esta é espiritual e como uma “cebola”, ir delicadamente, sutilmente retirando as camadas, e percebendo como foi o cultivo e como está sendo a colheita, dizem até que o cultivo é opcional, mas a colheita é obrigatória, mas digo mais, essa colheita pode ser melhorada e utilizada para o crescimento interior, vai depender da disponibilidade interna, e do desejo legítimo de fazer o melhor.

Podemos renovar a colheita, através de atitudes como a compaixão, a misericórdia, o amor, e os atos que demonstram que em tempos de guerra, não desperdiçamos nada, um aprendizado, um olhar mais acurado, uma cura, tudo pode ser conquistado quando temos uma visão ampliada.

Seja ousado, abra suas asas, alargue as fronteiras de seus sonhos, voe bem alto, junto as estrelas.

Confie naquilo que deseja, mesmo que caminhe entre vales e montanhas, que sempre são lugares de solidão e provas, certamente você nasceu para brilhar, não se intimide, tenha coragem, corra os riscos necessários e treine suas asas para as demandas desfavoráveis, como tempestades, raios e trovões.

A boa notícia, é que a força está dentro de você, na beleza e nobreza de sua alma, e digo mais, vai depender também da sua fé. A fé é um termômetro do espírito, independe da lógica humana, pois bênçãos existem e milagres também, então levante-se e batalhe, ajoelhe-se e ore.

A sua mente necessita de paz e alegria, isso pode ser conquistado por uma vida de oração.

Oração é um estilo de vida, priorize Deus, e que Ele esteja sempre vivo em seu coração, mas é necessário confiar, pois às vezes, ao sermos levados ao deserto uma nova história será escrita.

O tempo é um grande teste em nossas vidas, e não gostamos de esperar, mas, as urgências do nosso coração, necessita se aquietar para seguirmos em frente e avante.

Pare de se vitimizar, seja um guerreiro valoroso, batalhe por um sorriso e não permita que suas forças sejam minadas pela desesperança.

Tenha consciência de sua posição, pois a consciência é o DNA de sua humanidade, não importa se você é um afegão ou um americano, sua consciência é o símbolo divino da raça humana, mesmo que nossos padrões comportamentais e culturais sejam extremamente diferentes,

Nossos momentos emocionais são autenticados por acontecimentos universais: nascimento X morte; casamento X solidão; profissão X arte; juventude X envelhecimento; nossa humanidade se regozija ou chora igualmente diante dessas equações de vida, no entanto à medida que amadurecemos essas equações de vida ganham novo colorido, mas as  vezes será necessário um processo de reestruturação interna, o que exige um “quantum de energia” para ativar forças inconscientes e alavancar e dar suporte mental ás demandas circunstanciais.

Relacionamentos afetivos, escolha de um parceiro para o casamento, são campos minados, que nos despertam para o questionamento e reflexões, tipo... e se... e se tivesse sido assim... e se... e se... e se tivesse agido assim... essas ações consumadas no tempo e espaço, representam o pesadelo de uma vida inteira e que simbolicamente é o nosso “tendão de Áquiles””, que nos fragiliza e nos faz vulneráveis à inveja, o ciúme, a raiva, ao ressentimento e arrependimentos.

Entender nossos dramas, tragédias e comédias pessoais, é esclarecedor, analisá-los à luz da maturidade e do bom senso, poderá nos levar a descobertas elucidativas, um caminho que se descortina com eventos sincrônicos e com conexões mantidas ao longo da vida com pessoas e coisas.

A grande maioria desses eventos e conexões podem estar carregados emocionalmente e cristalizados em nossas mentes, impedindo novos acontecimentos, novas emoções e novas experiências.

A possibilidade e equalização ocorre quando nos permitimos confrontar esses sentimentos enraizados à luz do mundo atemporal e diluir os recalques, possibilitando uma abertura na alma (mente, vontade e emoções), que nos conecta ao invisível e nos posiciona em uma direção assertiva, resgatando o equilíbrio emocional.

Em geral a descoberta faz referência direta ao amor, pois o amor é o alimento da alma, que energiza o espírito através da sensação de plenitude.

Crianças que foram privadas desse amor que acolhe, cuida, ensina, educam crescem com uma ânsia desesperadora pela busca do amor e busca através de drogas, brigas, assaltos e qualquer outra coisa que as faça confirmar a sua posição de existência e pertença.

O amor fortalece nossas emoções positivas e proporciona um sentimento de aceitação, por isso o amor humano é imprescindível, mas o amor de Deus é aquele que verdadeiramente alimenta o Espírito (consciência, intuição e comunhão), do homem com a centelha divina para sermos inteiros e triunos: corpo, alma e espírito.

Necessitamos do amor de Deus, esse amor incondicional que nos regenera, não importando com o quanto fomos quebrados e fragmentados e o quanto de nossas vidas que foram destroçadas.

Afirmo sem medo de errar O amor de Deus é o único que pode curar perfeitamente, almas sem viço, espírito e corpo profundamente feridos e que a psicologia, a medicina, a filosofia, a sociologia, não puderam fazer, o amor de Deus pode, quando se experimenta esse amor através da fé.

O Deus do impossível, Ele é especialista em reconstrução, e nos devolve a inteireza, nos faz novos outra vez, transformados, e nos dá a completude.

A fé nos dá esperança, mas é necessário deixar de chocar as aflições, o seu coração deve entrar no descanso de Deus e não nas urgências de sua alma.

Seja dócil com você e com aqueles à sua volta, seja um mensageiro da paz.

 A nossa humanidade só encontra a completude na esfera espiritual, que é uma experiência transformadora.

A minha oração hoje por você é que a perfeita vontade de Deus se cumpra em sua vida, em nome de Jesus. Amém!


Deijone do Valle
Neuropsicóloga

sábado, 2 de novembro de 2019

SEXO Frágil X SEXO Default:... xx e xy



              Razão e Emoção equacionadas, nos leva à “Reflexão” primeiro passo  para a mudança e o aprendizado.
Deijone do Vale

Razão e sensibilidade são duas vertentes que sinalizam a essência da natureza humana.

A conectividade neural dos hemisférios cerebrais do homem e da mulher sugere diferenças marcantes relacionadas à capacidade de comunicação verbal, percepção, intuição, tomada de decisão, socialização, cognição como memória e atenção, fornecendo um incrível mapa do comportamento feminino X comportamento masculino.

Estas diferenças entre os gêneros abre uma janela para o entendimento de doenças neurológicas ligadas ao sexo.

Vale dizer que as conexões cerebrais variam durante o ciclo vital e são modeladas pela aprendizagem e ou experiências.

O corpo masculino sempre foi default, e as diferenças vão muito além das mamas e outras áreas abaixo do Equador, não e?

O comportamento sexual é governado pelo hipotálamo (uma área localizada na base da nossa massa cinzenta), esta é maior em homens, devido ao hormônio testosterona e certamente devido a ele, o sexo masculino está mais propenso a realizar sexo em situações inusitadas, na qual a mulher nem pensaria.

Quem se importa mais com sexo, o homem ou a mulher?

Aposto que você errou, quando disse que é o homem... pois  bem, pesquisas recentes revelam que o sexo, talvez na atualidade, seja mais importante para as mulheres.

Machismo pode ser mito de um comportamento idealizado e valorizado pela cultura.

O orgasmo masculino comparado ao feminino possui um tempo reduzido de duração e ambos os sexos, necessitam de um período refratário pós-orgasmo, sendo a mulher mais rápida na recuperação para nova resposta na atividade sexual.

E o orgasmo feminino? Este demora um pouco mais para acontecer, mas quando ocorre, é mais prolongado o período do ápice de prazer,  e pode vir em forma de uma cascata borbulhante de orgasmos múltiplos ... um, atrás do outro...

Imagine uma sequência ritmada de pulsões ativadas como fogos de artifício, que explodem em uma cadência tempestiva, impulsionando as terminações nervosas, projetando-as com uma avalanche de descargas elétricas, que avançam sobre uma tempestade de estrelas cadentes, e que deixam um indescritível rastro prazeroso espalhado pelo corpo e cérebro, numa junção palpitante de demonstração da sexualidade feminina, em um momento ímpar.

Do ponto de vista psicológico, a força da mulher reside na leveza, sutileza de sua alma, receptividade e acolhimento, encaixe e sensibilidade.

O homem por sua vez é contido na demonstração de sua emotividade, encapsulado em suas convicções, e mais posicionado em relação a atitudes, ações, direção e foco.

Quanto ao QI (Quociente de Inteligência), não existem basicamente diferenças significativas entre os gêneros.

E as doenças e sua incidência?

O corpo feminino devido às mudanças hormonais constantes, concentra  maiores possibilidades de adoecimento, no entanto, nos curamos mais rápido, até porque culturalmente e na mídia, a saúde da mulher é mais visada, mas essa condição está se modificando, considerando que os homens estão mais propensos a realizar exames preventivos e investir  mais em sua saúde.

A depressão, por exemplo, é mais prevalente em mulheres, exatamente pelas frequentes alterações bioquímicas e hormonais a qual é submetida.

Apresenta também maior ocorrência de AVE (Acidente Vascular Encefálico), do tipo hemorrágico, sendo um fator de risco predisponente,  a famosa enxaqueca feminina.

E a tireoide? ela é a toda poderosa na regulação do peso, temperatura corporal, metabolismo, entre outros, e assim estamos mais vulneráveis à queda da produção hormonal  (hipotireoidismo), cuja disfunção ocasiona cansaço e ganho de peso.

E o que dizer das constipações intestinais? estas deixam a mulherada de cabelo em pé, e o culpado disso é o estrogênio, lento feito tartaruga, enfraquece a musculatura intestinal e vem o quê?  a incômoda prisão de ventre.

Coitada das duplas de cromossomas xx, com joelhos vulneráveis e desgastados nas cartilagens, o que provoca dores articulares, tudo porque temos a bacia dos quadris mais larga que a masculina, devido ao parto.

E o que dizer das doenças auto-imune? aquelas causadas pelas próprias células do organismo, que por não reconhecê-las como células saudáveis, trata-as como células alienígenas e o sistema  imunológico as ataca sem dó e nem piedade, é o caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) que pode comprometer e atacar os órgãos vitais, como o coração e os rins, numa proporção de nove (09) mulheres para cada homem.

A vilã da vez é a prolactina, o hormônio feminino que afeta o sistema imunológico levando-o a nocaute.

Entre homens e mulheres prevalecem diferenças anatômicas, neuropsicológicas e emocionais, sendo o cérebro masculino portador de áreas com maior quantidade de neurônios, volume, espessura, o que pode ser constatado através das varreduras e análise das imagens de RM (Ressonância Magnética).

As áreas de Brocca e Wernicke nos lobos frontais e lobos temporais que são relacionados à  linguagem, são maiores nas mulheres e assim poderá explicar porque conversamos tanto, você  percebeu?

Nós mulheres, processamos a linguagem verbal simultaneamente nos dois hemisférios (direito e esquerdo) do cérebro frontal, e os homens tendem a processar apenas o hemisfério esquerdo, daí a diferença na falação.

As diferenças cerebrais existem, e foram comprovadas pela  ciência,  isto significa um passo de gigante para pesquisas de novos tratamentos de doenças, utilização de medicamentos e até procedimentos cirúrgicos.

Quando nos reportamos ao nível cognitivo, a atenção das mulheres é mais difusa, realiza várias atividades ao mesmo tempo, conversa ao telefone, sente empatia e chora pela notícia recebida, escuta e identifica o movimento dos filhos, vê a capa da revista que está sobre a mesa, de um vestido com delicados babados de renda francesa  e  pequeninos botões de madrepérola, ao mesmo tempo em  que sente o cheiro da lentilha que está preparando para o jantar e não deixa de escutar a propaganda da TV, que anuncia o nome do novo medicamento para obesidade.

Enfim, o cérebro feminino é como uma caldeira em constante ebulição, um verdadeiro arquivo vivo de argumentos verbais ambulantes, capaz de perceber uma pulga atrás da orelha de seu amado a uma distância de 100 milhas, e com uma varredura visual periférica identificar um colar de coral no pescoço alheio, e ainda sentir o cheiro de seu perfume predileto em meio à multidão em movimento.

O homem é mais focado, age com lógica e objetividade, fixa os olhos na televisão para ouvir o noticiário, ou quando  executa  cálculos lógico-matemáticos, o mundo pode cair ao seu redor que a sua percepção e orientação, permanecem em linha com a sua atenção concentrada, que dificilmente será deslocada para tarefas simultâneas.

Decididamente agir com extrema lógica não é um repertório muito comum em cérebros femininos.

Então? Eu sou xx e você xy...

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

domingo, 8 de setembro de 2019

DEPRESSÃO E SUICÍDIO: O Cativeiro da Dor...





 “Um abismo chama outro abismo ao rugir das tuas cachoeiras, todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim”. (Salmos 42:7 -9)

Depressão... quantos nomes para essa desconstrutora de mentes, alguém já disse que tinha um ‘’cachorro negro” que o acompanhava como uma sombra, ou o “demônio da meia noite”, que veio assombrar os porões da alma, ou mesmo o “mal do século” que devassa a vida de milhões e acomete pessoas indistintamente, crianças, jovens e idosos.

Segundo o relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão apresenta uma expectativa sombria, prevendo que será uma das principais causas da baixa produtividade ao redor do mundo a partir de 2020.

Quanto às causas da depressão, não podemos negar a predisposição genética, assim como os estressores psicossociais que funcionam como gatilhos importantes, sejam perdas, luto, aposentadoria, divórcio, vergonha extrema, entre outros.

Considero a depressão um momento de solidão extrema, onde o abatimento da alma é notório, um coração quebrado, uma mente povoada por emoções negativistas e instáveis, um vazio existencial acompanhado da desesperança, um grito preso na garganta, um gemido reprimido a anunciar a dor fantasmagórica do “eu”.

A depressão é uma batalha feroz que destroça a energia vital e suprime a vontade de viver, amortecendo o brilho dos olhos, esgotando todas as possibilidades do fluir da vida, sendo caracterizada por um estado mórbido de lentificação do corpo e seus movimentos, uma estranheza nas emoções e percepções que se mostram imperfeitas e extravagantes, resultando em uma incapacidade de reação aos pensamentos invasivos de ruína, idéias fixas de fracasso, descontentamento e morte.

Um emaranhado de distúrbios psico afetivos, blindados de uma tonalidade aflitiva, um combate de vontades entre o querer e o fazer, entre pensamentos e ações, uma verdadeira guerra do “eu”.

O mundo externo torna-se assustador e inóspito devido a percepção falha e defeituosa da pessoa deprimida, que se sente impotente diante das demandas naturais da vida.

A vida se transmuta em um fardo de peso incalculável, levando a um quadro psicológico de fracasso, fragilizado o ego e bombardeando a auto estima, promovendo abatimento e isolamento, estreitando sobremaneira o círculo de contatos e interesses.

Estes estados angustiosos do querer e da vontade minam o organismo, desencadeando episódios severos de insônia ou hipersonia, suprimindo o campo de atuação social e profissional, invalidando a estrutura emocional que se desorganiza e entra em colapso, devido ações neurotizadas de um comportamento ácido sobre sí mesmo, o que resulta em um distanciamento das pessoas, acentuando os sentimentos de culpa e vergonha.

Podem apresentam sintomas hipocondríacos, manifestados por humor irritável, o mundo fica caótico, e assim sentem dores difusas e imprecisas em seus corpos, sentem vontade de dormir e nunca acordar, o  que de certa forma explica o isolamento e a falta de interesse pelas realidades cotidianas.

Tornam-se poliqueixosos, ou enclausurados em sua dor, vivenciando um caos interno que impacta notadamente o convívio entre seus pares.

Pessoas muito deprimidas requerem vigilância constante, e por ansiarem a morte, exibem reações emocionais de intenso colorido destrutivo, seja através das verbalizações, seja pela prostração.

É comum a sensação de nulidade, uma vez que a depressão esvazia a alma da capacidade de dar e receber afeto, anestesiando os vínculos de amizade, companheirismo, amortecendo ou mesmo suprimindo a maior força motivadora do universo: a capacidade de demostrar amor e de ser amado.

O mundo é visto sob o prisma da agonia, numa visão de pessimismo que corrói a alma como a ferrugem, invalidando a vida.

Atrofia-se a vontade e a dor se torna viciante.

Pessoas deprimidas ficam apáticas, manifestando comportamento misantropo, as vezes nem conseguem tomar banho, escovar os dentes, se alimentar e mesmo pentear os cabelos, os pensamentos tornam-se repetitivos, com idéias fixas e perturbadoras.

É importante observarmos a depressão em crianças, pois estas geralmente desenvolvem “fobia escolar’’ e sérios sentimentos de culpa e irritabilidade, aliados a bruscas mudanças na cognição (memória, atenção e concentração), com prejuízo para o sono que poderá estar alterado, não dormir, ou apresentar vários despertares, e também observar as alterações na área da fisiologia, onde poderá ocorrer transtornos alimentares que podem variar da anorexia à bulimia, ou compulsão alimentar (hiperfagia compulsiva).

Estamos no mês de Setembro/2019 – Setembro Amarelo, mês escolhido para a prevenção do suicídio, esse silêncio “gritante”, onde se faz necessário a empatia, a compaixão e prestação de ajuda aqueles que querem deixar a vida para fugir da dor.

Alertamos sobre os sinais que podem levar ao suicídio: depressão, alterações do humor, conversas referindo apenas ao passado, falsas calmarias, silêncios estranhos.

Pessoas deprimidas podem se tornar suicidas em potencial, é uma ação impulsiva daqueles que desejam anular sua dor, mas a verdade é que certamente existe uma perturbação na mente daqueles que cogita o suicídio.

Quem sabe um sentimento latente de culpa e vergonha, e que pode ocasionar uma auto avaliação punitiva e negativista das pulsões de vida, desestabilizando o psiquismo e fragmentando a mente entre o mundo interno e externo, impondo um isolamento compulsório que bloqueia a vida.

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, foi magistral quando comparou a depressão ao luto: “Luto é uma dor por uma perda externa, e a depressão é a dor por uma perda interna (perda do “eu”).

Corpo e mente, essa unidade indivisível,  degladiam- se  em desespero, diante de um falso silêncio que arrasta estrondosamente seus pés de chumbo, pisoteando a razão e desafiando os limites da lógica, numa tentativa frustrada em elaborar algum processo adaptativo para suportar a cruel realidade, orquestrada por uma marcha fúnebre nesse duelo de gigantes: Vida e Morte.

O suicídio é um fenômeno intencional, sendo  enorme a sua correlação com a depressão, como fator de risco, devido ao sentimento de falência emocional, vergonha, solidão e um elevado grau de ambivalência, impotência e perda da esperança.

A mente é inundada pelo desejo da morte como término do sofrimento, e quando o suicídio acontece, ele esmaga à todos , e é forte seu impacto, sendo considerado uma das maiores tragédias humanas, e que provavelmente irá nos assombrar ‘’ad eternum”.

O suicídio é visto como um fracasso emocional e responde pela tentativa de eliminar a dor, transformando-se em seu próprio carrasco para a solução final.

Fico questionando, se o suicídio não seria uma espécie de vingança inconsciente ou mesmo consciente contra os vivos, contra aqueles que ficam.

Sentimentos destrutivos de culpa são muito comuns nos familiares, amigos e pessoas do convívio do suicida, que sentem-se profundamente marcados pela culpa e dor, e muitos vivenciam um luto devastador, de uma angústia incalculável, desenvolvendo mecanismos de defesa como a “negação” e a “culpa patológica” pela consumação da vida, e graves problemas emocionais, pois a vida se torna intragável pela sensação de impotência, sendo necessário ajuda psicológica, através da psicoterapia e dos grupos de acolhimento para dar suporte ao impacto do suicídio que modifica toda uma história de vida.

Urgente se faz o resgate de coisas que são fortemente abaladas ou destruídas, é necessário encontrar um novo significado para a reconstrução interna.

Quanto aos aspectos preventivos  e curativos da depressão, a medicação muitas vezes é necessária, considerando os aspectos orgânicos e genéticos da doença, e também a psicoterapia para uma suporte emocional consistente, a fim de propiciar momentos catárticos para alívio das defesas reprimidas e melhoria da organização da estrutura emocional.

Pessoas deprimidas em uso de medicação devem ser acompanhadas de perto, principalmente em períodos de remissão dos sintomas, pois a depressão é uma doença de ciclos, melhora aqui, piora acolá, e de repente tudo fica negro, e o suicídio é uma possibilidade que não podemos ignorar.

O sol da vida poderá voltar a brilhar e para isso as atividades físicas contribuem favoravelmente e podem ajudar a modificar e alavancar as  taxas de endorfinas na corrente sanguínea, melhorando as sensações de bem estar físico e mental.

A inércia e o sedentarismo devem ser combatidos, através de pequenas caminhadas diárias, não permitindo que a ociosidade e a imobilidade sejam as vencedoras, pois a tendência comum em indivíduos deprimidos é ficarem afundados no túnel escuro e escondidos nas sombras de sua dor.

A avaliação nutricional poderá contribuir para o aumento dos níveis de triptofano (aminoácidos de síntese da serotonina (hormônio do prazer), que poderá ser encontrado em uma pequena barra de chocolate amargo, em alimentos como o abacate, nozes, banana verde (biomassa de banana  verde cozida com casca, na panela de pressão,  e depois ainda quente descascadas e liquidificadas no liquidificador, esta polpa pode ser congelada em pequenas porções e utilizada em sucos, cremes, sopas, peixes, ensopados, etc).

E por fim quero abordar a questão da fé, e ao adentrarmos a esfera do espiritual, não podemos deixar de lembrar que somos corpo, alma e espírito.

Depressão exige fé, e esta precisa ser renovada através do amor de Deus, pois sem o exercício da fé, a depressão poderá se tornar um gigante em nossas vidas.

A fé necessita ser restaurada em sua vida, acredite, você é uma obra prima do criador, e nesses tempos de gemidos, dores e desafios, não podemos nos esquecer do amor de Deus por nós.

Guardamos todas as experiências dentro da alma (mente, vontade e emoções), e com as lentes da misericórdia e do amor de Deus, te convido agora ao exercício do perdão.

Perdoe a todos que te feriram e principalmente perdoe a você mesmo, limpe todas as suas feridas com o óleo do perdão.

Cure-se!

A minha oração hoje por você é que encontre o verdadeiro sentido da vida através do amor de Deus.

Deixe-se ser encontrado pela graça de DEUS.

Todo dia é dia de recomeçar.

Cristo é a plenitude e a alegria de toda a terra.

Amém!

Deijone do Valle
Neuropsicóloga