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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PERSONALIDADE BORDERLINE (Fronteiriças)




Chove lá fora, ouço o barulho agradável dos pingos d’água ricochetear nas grandes folhas do coqueiro leque, do meu pequeno jardim.

Já são três dias de chuva contínua, neste veranico de janeiro de 2013, gosto disso!
 
Estou de férias do trabalho... Pensei em ver um filme e comer pipoca quentinha.  Dormir?  Não!  Decido, prefiro escrever. 

Ligo o computador à minha frente...

E vocês não vão acreditar, vejo entre as folhas do cajueiro, defronte a minha janela, literalmente “pairando no ar”, um minúsculo, gracioso e ágil beija-flor, se abrigando da chuva.

Nunca estive tanto tempo tão próxima de um, e olhando o doce movimento multicolorido de suas pequenas asas, fiquei a pensar...

Por fim, voou pelos ares, acho que o meu olhar curioso o assustou.

Certamente foi beijar alguma flor!

Vamos lá, vamos ao artigo.

Hoje esta chuva de verão e o pequeno beija-flor me inspiraram.

Vou escrever sobre “personalidade  limítrofe  ou fronteiriça”, um modo de ser psíquico, disfuncional, anormal e totalmente desadaptado.

Todo homem possui uma história pessoal e é isto que devemos considerar quando pensamos em “PERSONALIDADE”, sejam estas personalidades saudáveis ou patológicas.

A síndrome borderline  é um transtorno de personalidade que fica nos limites entre a neurose e a psicose, ou seja, fica na fronteira da normalidade e da patologia.
 
É bem intrigante uma personalidade borderline, desafia até o nosso Código Penal, considerando que a capacidade civil de um indivíduo está condicionada à sua capacidade mental.

O portador da síndrome nem é totalmente insano (sintomas psicóticos) e nem apresenta um prejuízo severo em seu juízo crítico que não compreenda a gravidade de suas atitudes comportamentais e emocionais, no entanto, não consegue contê-las.

O termo Borderline foi usado pela primeira vez em 1884, pelo então psiquiatra inglês, Hugles.

Este modo de reagir do indivíduo borderline, provoca dificuldades e conflitos com as demais pessoas, sendo tênue a linha que separa os estados borderline da loucura e da sanidade.

Personalidade borderline é um típico padrão comportamental de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos.

O paciente borderline apresenta sentimentos de raiva e ira como afeto único ou essencial, associado a uma baixa capacidade de controlar seus impulsos explosivos, o que o leva a manifestar comportamento violento, principalmente quando criticado.

Os borderlines se queixam com frequência de sentimentos crônicos de vazio e apresentam propensão a se envolver em relações íntimas intensas e fugazes, devido a sua instabilidade, o que ocasiona frequentes crises emocionais.

Pequenos estressores são suficientes para levá-los a atos de ira incontroláveis, com reações desproporcionais ao estímulo desencadeador do ataque de fúria.

Seus atos intempestivos revelam um “humor de pólvora”, tendo como alvo pessoas do convívio, como cônjuges, irmãos, pais, amigos, namoradas, colegas de trabalho e familiares.

É importante ressaltar, que embora o borderline consiga manter condutas adequadas em várias situações, ele escorrega feio em situações naturais do dia a dia, uma vez que o seu limiar de tolerância para as frustrações é extremamente baixo.

O curto-circuito de crises de agressividade e insatisfação manifesta-se, como numa tentativa de autenticar sua “importância”, seu valor ou seu poder, seja para se opor ao ambiente ou para confrontar as pessoas à sua volta.

Borderline são extremamente suscetíveis em suas manifestações de instabilidade afetiva e emocional, oscilando entre polos, indo do amor exaltado ao ódio declarado, da alegria efusiva a tristeza profunda, da apatia morna ao entusiasmo exacerbado, tudo isto denota um padrão de comportamento disfuncional.

Exemplo desse feitio pessoal adoecido é a vida conjugal desses indivíduos, pois ao mesmo tempo em que se apegam ao outro como “carrapato” e ficam dependentes e carentes, no instante seguinte, maltrata com   sadismo e requintes de crueldade.

Apesar de viverem sugando e exigindo do outro amor e afeto em doses cavalares, estes indivíduos temem a solidão e não conseguem ficar a sós, são intolerantes à solitude, fazem esforços extravagantes para evitar o abandono.

O seu ego tem tendência a atacar o outro do qual depende emocionalmente, como numa tentativa frustrada de camuflar ou esconder a sua enorme necessidade de dependência.

Infelizmente o ego dos borderline não suporta o vazio, o abandono, a rejeição, não superam com equilíbrio os conflitos da vida, ficando sempre em evidência o seu comportamento desadaptado.

Apresentam franca tendência para o alcoolismo, uso abusivo de medicamentos, trabalhar em excesso, sexo desenfreado, e estão o tempo todo perseguindo algo insistentemente, parecem estar em busca de alguma “coisa a mais”, que possa de alguma forma acalmá-los ou preencher o oco de sua alma vazia e insaciável.

É evidente a desarmonia, a inadequação e comprometimento de seus afetos, pois ao mesmo tempo em que sente empatia ou intenções protetoras em seus relacionamentos,  o faz porque  espera retorno, de que será preenchido pelo outro em todas suas necessidades e expectativas grandiosas.

A inconstância do borderline é desconcertante, muda de opinião e de atitude em suas relações interpessoais com extrema facilidade, eliminando de sua vida as pessoas ou substituindo-as por outras.

Passa da idealização para a franca desvalorização, isto por acreditar que não é suficientemente valorizado em sua “onipotência”, daí a insaciabilidade em termos de atenção e apreço.

Borderlines não suportam que outros sejam admirados e mais valorizados que eles, são extremamente competidores e sarcásticos.

Os indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline apresentam tendência suicida, seja através de atos impulsivos ou devido à ira descontrolada, desespero, pânico e ou angústia extrema.

É possível ao borderline manter relações sexuais patológicas ou incestuosas, numa tentativa abortada de se libertarem do seu vazio existencial.

Não conseguem experimentar emoções genuínas por não suportarem, e assim como defesa, suas relações  são primordialmente superficiais e com frequência mudam de trabalho, de casa, de amigos e de cônjuge.

Muitas vezes são despedidos dos empregos ou pedem demissão, por não tolerar as regras, as críticas e a rotina.

O TPB (Transtorno de Personalidade Borderline) é um grave distúrbio que afeta extremamente a vida do paciente, provocando sérios prejuízos, estes necessitam de tratamento e acompanhamento por equipes multidisciplinares,  através de medicação e acompanhamento psicológico.

As pesquisas revelam uma infância traumática (abusos diversos, abusos sexuais, separação dos pais e outras variáveis).

Alguns estudiosos apontam para uma predisposição genética, além de disfunção a nível cerebral.

Alimentam sentimentos de vingança, ódio inapropriado e de difícil controle, humor reativo, dependendo sempre dos acontecimentos à sua volta, excessiva necessidade de atenção, rompimentos raivosos de suas relações com tendência a terminarem em tragédias.

Geralmente os borderline afastam aqueles de quem mais precisam, são extremamente confusos em seus padrões de comportamento e afeto.

É paradoxal sua atuação comportamental e atitudinal, pois ao mesmo tempo em que necessitam do afeto do outro, o afastam de forma cruel e assustadora.

Especializam-se em manipular as pessoas, embora nunca admitam devido  a sua imaturidade emocional, sempre colocando a culpa no outro para justificar suas falhas, perdas e delitos.

É possível que quando crianças foram negligenciados em necessidades básicas de sua vida psíquica, o que marcou profundamente sua personalidade.

Na história de vida desses indivíduos encontraremos uma privação afetiva (ausência de uma mãe ou pai, maus tratos, carência emocional, traumas psicológicos e abusos sexuais na infância).

A memória do borderline é exagerada para acontecimentos negativos e eventos traumáticos, remoem o passado e tem dificuldades para perdoar, pois acreditam que estão corretíssimos em suas crenças e atitudes e que são eternas vítimas desse mundo cruel.

Não conseguem entender porque os outros  olham com indignação e espanto seu comportamento, mas na verdade são frágeis como vasos de porcelana.

Embora  educados, simpáticos e adoráveis em situações que lhes convêm, na intimidade demonstram abertamente o mau-humor, amargura e ataques de profunda raiva.

Conseguem esconder por um tempo o transtorno, entretanto sua vida é um sofrimento só, oscilando entre a bondade e a mais pura crueldade.

Borderline são pessoas imprevisíveis como um raio em céu claro, é uma superfície e uma profundidade de iceberg, difícil sabermos o quanto de sua personalidade está mergulhada na obscuridade.

Exigentes e desconfiados, confundem  facilmente carência emocional com paixão e assim transferem para seus relacionamentos amorosos sua instabilidade emocional, tendo uma vida dupla, uma social e outra diferente na intimidade, ou levando vida paralelas.

São árduos manipuladores, mas não possuem noção clara de sua identidade  (inclusive sexual),  são verdadeiros escravos de suas emoções.

No psiquismo borderline existe uma cisão entre o bem e o mal, entre o amor e o ódio, é uma relação interna de extremos, não há integração, num piscar de olhos se transformam, sendo a inconstância a base de suas vidas.

Borderline passam do encanto inicial ao extremo desprezo, na verdade, estamos diante de um grave transtorno de personalidade e que deve ser tratado, sob risco de prejuízos materiais e emocionais devastadores.

É um grande dilema para o paciente borderline que entende a gravidade de seus atos, mas é incapaz de frear e controlar seu comportamento auto e hetero destrutivo.

Ele se destrói, mas quer também destruir o outro.

Perdem a racionalidade  diante da frustração, do seu sentimento de dor e comportam-se como animais feridos prontos para o ataque.

Não podemos negligenciar o tratamento, ele é necessário, o grande desafio  fica por conta do diagnóstico, mas como já dizia o pai da medicina moderna, o médico canadense, William Osler: “Se você escutar com cuidado os pacientes, eles te dirão o diagnóstico”.


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

VIVA MELHOR! Comportamento e Saúde


É aquela velha história: Ano Novo, Vida Nova!
O quanto isto é verdade para você?
Tudo igual, do mesmo jeito?
Mudar? Não?
Melhorar? Sim, que bom!

É possível dar um novo rumo à nossa saúde e melhorá-la.

Somos seres humanos, com motivações conscientes e inconscientes, desenvolvemos mecanismos múltiplos de defesas e portamos ansiedades de várias fontes e que se escoam através de padrões comportamentais.

Faça a diferença em sua saúde. Você sabia que 30 minutos diários de uma atividade física o separa dos sedentários?
O nosso comportamento influencia a saúde direta ou indiretamente, de forma imediata ou a médio e longo prazo para melhor ou para pior.

O que chamamos de patógenos comportamentais são aqueles comportamentos ou hábitos relacionados ao estilo de vida e que prejudicam a saúde (açúcar em excesso, obesidade, sedentarismo).

Os imunógenos comportamentais por sua vez apresentam efeito protetor, é o caso das dietas pobres em gordura, uso de filtro solar, atividade física regular, capacidade para desacelerar internamente e manter seu controle emocional equilibrado.

E você como está se comportando em relação à sua saúde?
Como vai você?

Dê uma turbinada em sua rotina diária e viva melhor.
Você está tranquilo? Está em paz com você? Se não está, comece por te perdoar, te garanto que é um ótimo começo. Pare de se culpar, cultive o bom-humor e não tenha medo de voltar atrás e mudar de opinião.

Críticas? Ouça-as e se podem construir, aproveite-as.
Faça um Check-up, visite o seu médico assistente e verifique como está a sua pressão arterial.

Glicose? Gorduras? Tireóide? Coluna? Stress?

Sinta o seu corpo, muitas vezes não percebemos nenhum sintoma, mas lembre-se,  algumas doenças são mais silenciosas que uma lápide.

Você sabe dizer não? Realmente, às vezes é muito difícil, mas o pior é dizer sim e ficar se amargando pelo seu consentimento. Vale dizer que você é totalmente responsável pelo que permite aos outros te fazer.

Beba bastante água, é bom demais. Você conhece algo melhor do que a água para o corpo, se souber me avise, preciso aprender.

Saladas de verduras, legumes e frutas devem fazer parte de sua alimentação diária. Aprenda a mastigar e sentir realmente o sabor daquilo que está comendo.

Não é aconselhável permanecer longos períodos sem se alimentar, pois o seu cérebro pode interpretar como privação e não permitir o gasto de energia, baixando o metabolismo e estocando gorduras.

Coma grãos e fibras, coloque um pouco de cevada nos sucos, trigo moído nas sopas, prepare um mingau de aveia bem quentinho, com folhas de hortelã fresca.

Castanhas, damascos secos e sementes de girassol ou de abóbora são nutritivos, saudáveis e fáceis de levar no bolso para uma emergência.

Estes alimentos fazem uma boa faxina no organismo e também nos deixam saciados por um tempo maior, uma vez que são processados  lentamente.

Troque o açúcar por canela, use também o cravo-da-índia e que tal uma pequeníssima lasquinha de gengibre (ele é um antibiótico natural), batido no seu suco de melancia?

Bata um pouquinho de salsa no suco de laranja, ela ativa o seu sistema imunológico, tem a vitamina C que previne gripes e resfriados.

Coma diariamente uma maçã, você sabia que ela reduz o risco de diabetes?

Conhece o cardamomo? é delicioso quando fervemos suas sementinhas no leite. Experimente!
Suco de couve com gotinhas de limão pode ajudar no combate a infecções estomacais.

Você já experimentou a frutinha da longevidade? é o Mirtillo, fruta vermelha que só encontramos no Brasil nos finais de ano, e é a minha predileta!  Ela combate os radicais livres do nosso organismo, possui antioxidantes (protetores do coração).

É bom lembrar que as frutas vermelhas frescas como a framboesa, morango e amora contêm o ácido salicílico, aquele encontrado na aspirina, e que combate a doença cardíaca.

Quer melhorar a concentração e atenção, experimente um suco de romã, adoçado com uma colher de chá de mel. Sua memória e estômago agradecem.

Sentido cãimbras? Coma banana, batata-doce e espinafre, eles possuem uma grande concentração de potássio.
Já cochilou no meio da tarde? É isso aí!

Estes cochilos restauram e podem aumentar o poder cerebral para a aprendizagem e criatividade e é por isso que as empresas do Vale do Silício já adotaram quartos para cochilos para seus empregados, como é o  exemplo do Google. Parabéns!

Eles estão no caminho certo, deixando o cérebro de seus empregados com a capacidade renovada, como o hipocampo, propiciando a absorção de informações novas.

Tranquilize-se. Você consegue ficar sem ver TV pelo menos um mês? Sem celular por uma semana? Sem internet por um dia? Caso diga não, reveja suas prioridades e verifique o seu nível de stress.

Possivelmente está alto, é melhor respirar fundo e olhar a paisagem, faz bem!

Que tal uma caminhada, ouça uma música suave, tome um bom banho de espuma com óleos aromáticos, hidrata, relaxa, amacia e protege sua pele.

Banho de sol, quanto tempo você não toma um solzinho? É apenas 10 minutos diários (antes das 09:00 e depois das 16:00), tem vitamina D e previne doenças. E não se esqueça do filtro solar.

Tenha um tempo de solitude para orar, ler a Bíblia, meditar, rever sonhos e projetos e ainda leve em conta que o seu impacto sobre as pessoas é diretamente proporcional a sua intimidade com Deus.

Saia de sua zona de conforto, de segurança e de comodismo, mexa-se, movimente-se.

Cuide de seus cabelos, da pele, dos dentes e das unhas, mas não se esqueça de sorrir e de olhar para o outro.
E por fim ame o seu trabalho!

Bem, agora vou tomar uma xícara do meu chá preferido: baunilha.
Saúde!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vida de Terapeuta



É enigmático como certas palavras ou acontecimentos entram em nossa mente e permanecem como o retinir dos sinos de uma catedral. Por quem os sinos dobram? Eles dobram por ti... Ernest Hemingway, senti saudades de quando li o seu livro, já  faz  muito  tempo...

Anos atrás atendi uma paciente portadora da Síndrome de Marfan.  Você sabe o que caracteriza a Síndrome de Marfan?

A Síndrome de Marfan é uma doença, uma desordem do tecido conjuntivo provocada pela mutação genética do gen do cromossoma 15 da proteína fibrilina, presente nos ligamentos que unem os ossos nas articulações, seguram as lentes dos olhos (cristalino), e também está presente na camada interna das artérias (principalmente a artéria Aorta).

O nome da síndrome refere-se ao pediatra francês que a descreveu em 1896, e as principais manifestações clínicas incidem sobre os sistemas esquelético, cardíaco e ocular: estatura elevada, deformidade toráxica, escoliose, braços e mãos alongados; prolapso da válvula mitral e dilatação da veia Aorta; miopia e luxação do cristalino.

Uma pessoa afetada pela Síndrome de Marfan pode ter todos ou alguns destes sintomas.

Pois bem, a minha paciente portava tal síndrome, era jovem, bela, desejava ardentemente viver, estava grávida de sonhos, queria ser professora, ensinar crianças.

Seus olhos negros e profundos esquadrinhavam os meus perplexos, diante daquela vida num leito de hospital.

Sua mão pálida, enorme, que eu mal conseguia segurar entre as minhas, estava úmida, seus pés alongados sobressaíam do lençol, aquilo tocou-me a alma.

Murmurou-me: “Se eu sarar, serei professora, gosto de ensinar crianças”.

Sua voz se instalou dentro de mim e me acompanha até hoje e em muitas ocasiões pareço escutá-la...

Identifico-me com ela, também gosto de ensinar, ela morreu na semana seguinte, lamento sua partida precoce, lamento não ter-lhe falado novamente.

Nestes anos de clínica tenho estado cada vez mais apaixonada pelo desafio que é o atendimento psicológico, o set terapêutico é um campo minado de emoções.

Caminhar, adentrar o mundo do paciente, vê-los em sua plenitude, compreendê-los, manter um olhar empático, verificar inúmeras vezes os meus pressupostos, é instigador.

Andar com os sapatos do outro? ou andar nas suas pegadas? É desafiante!

Empatia pressupõe abertura frente a eventos abomináveis, lascivos, violentos, não importa é necessário suspender o nosso a priori para estabelecer um relacionamento genuíno.

Creio que nós terapeutas somos cuidadores do desespero humano e também de muitos sonhos, projetos e esperanças.

É um privilégio a vida de terapeuta, eu encontrei  no meu trabalho o que amo, fonte inesgotável para meus artigos e ainda acrescenta um significado inestimável à minha própria vida.

Outro dia mesmo, atendi a um adolescente, este veio ao consultório após dois anos de terapia intercalada e longos períodos afastado. 

Chegou com um violão enorme nas costas, lindo, sorridente, o óbvio: veio para uma sessão, veio cantar para mim, e realmente cantou e me encantou.

Imagine  a cena: cantou em inglês uma canção de uma banda britânica e antes de começar a cantar me pediu água para beber e em seguida dedilhou seu violão e com uma voz firme, afinada, me impressionou com o seu canto.

Fechei meus olhos para ouvi-lo melhor, a canção falava de “trovão de lágrimas”, isto me soou muito sugestivo, e a sua voz exprimia sentimento, paixão, percebi na hora o feedback desse querido paciente e pude observar ao vivo e a cores o seu crescimento pessoal e emocional.

Aí pensei: Como é possível guiarmos o outro no complexo de estruturas profundas que é a mente humana e a existência...

Sou uma apaixonada, é uma honra poder compartilhar com o paciente seus segredos, sonhos, anseios, medos e angústias e juntos construirmos em autoconhecimento e percepção.

Somos guardiões de segredos às vezes bem dolorosos e isto me tornou alguém mais paciente e gentil, mais compassiva com os outros e comigo.

Como terapeuta sou desafiada intelectualmente constantemente e porque não dizer também espiritualmente.

Aprendi a transcender ao olhar para o outro e fazer contato com a sua necessidade do momento.

Aprendi a dialogar mais do que polemizar, aprendi a estar presente e olhar com amplitude no sentido da graça, da benevolência e da lealdade para com o outro, possibilitando o encorajamento e promovendo a auto-percepção.

É  mais prazer que fardo, aprendi a fazer menos julgamentos e a ter mais compaixão.

Sempre me recordo de Erich Fromm que frequentemente citou a declaração de  Terêncio, de dois mil anos atrás e ainda tão atual: “Sou humano, e nada que é humano me é estranho”.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DISSONÂNCIA COGNITIVA (Tudo é o Olhar)

 
 
 
 
 
 

 
Não te amo mais
Estarei mentindo  dizendo que
Ainda te quero como sempre  quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


                          Clarice Lispector

              (Agora leia novamente o poema de baixo para cima)


Na psicologia o termo “dissonância cognitiva” é apresentado como um sintoma que revela a guerra interna daquele indivíduo que crê de uma forma e age de outra.

É interessante a observação de nossas ações em confronto com nossas  convicções morais, religiosas, sociais ou afetivas.

A vida oferece possibilidades constantes para nos tornarmos pessoas autênticas, verdadeiras e melhores.

Você tem o livre-arbítrio de ser alguém pior: ser mal educado, ficar em silêncio para punir ou usar o silêncio como auto-preservação.  São atitudes que nem sempre temos consciência.

Dissonância cognitiva é quando anulamos as distorções entre nossas ações e nossas íntimas  convicções morais, na verdade é um estado de tensão existente entre crenças, idéias, atitudes e condutas morais que de certa forma distorcemos para ajustá-las às nossas convicções.

São aqueles pontos cegos em nosso maravilhoso cérebro que não nos deixa enxergar aquilo que nos desagrada ou intimamente censuramos devido a idéias pré-concebidas e armazenadas em nossa memória.

A dissonância cognitiva permite  livrar-nos da culpa, da vergonha, da ansiedade ou da frustração, ela  funciona como uma muleta para nossos deslizes.

É um estado de tensão psicológica entre o que acreditamos ser a verdade e aquilo que sabemos ser a verdade.

Ter uma cognição dissonante é processar tentativas para reduzir a tensão de pensamentos conflitantes através de comportamento contrário àquilo que o indivíduo acredita.

Atitude é aprendida e alguns modelos mentais tais como, opiniões, crenças, comportamentos e emoções possuem relações de consonância, e quando surge uma nova possibilidade que entra em choque  com um modelo já existente, emerge a dissonância cognitiva para abrandar  esse conflito.

É  um verdadeiro desconforto psicológico, o aumento de tensão, muda-se o conceito interno ou o comportamento externo ou permanece-se em estado de tensão e bloqueia a capacidade criativa.

O perigo reside em desencadear mecanismos de defesa rígidos,  por não aceitar ferir o ego que por sua vez rejeita as contradições que chocam com os valores enraizados e assentados em bases cimentadas de convicções inquestionáveis.

Nossas crenças pessoais e atitudes são modeladas tanto pelo nosso mundo  interno quanto externo e que  nos pune caso haja transgressão pelo comportamento dissonante.

Muitas vezes a racionalidade nos escapa e nos apoiamos em garantias ideológicas para preservar o equilíbrio interior.

O poema de Clarice Lispector citado acima traduz a contradição (dissonância) enviezada  pelo olhar.

Tudo é o olhar: De baixo para cima? ou de cima para baixo?

Você é quem decide...


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cocaína, a dependência como busca pelo prazer

 


Quando tentamos analisar o que leva um indivíduo a se tornar viciado, não encontramos uma resposta satisfatória, não estamos ainda em condições de definir o tipo de personalidade capaz de orientar o indivíduo no sentido do tóxico.
 
Logicamente indivíduos bem ajustados emocionalmente e sem ansiedades anormais, apresenta suporte interno para enfrentar as vicissitudes do cotidiano, sem necessidade alguma de entorpecer suas emoções.
 
Geralmente os viciados só chegam aos nossos consultórios em plena toxicomania, já portadores de alterações neuropsicológicas que dificultam a avaliação exata da personalidade original.
 
É possível observarmos alguns traços constitucionais conducentes ao desenvolvimento da dependência ao tóxico, principalmente naqueles indivíduos atemorizados, para quem a vida representa uma constante ameaça e que possuem um baixo limiar de tolerância à frustações, são pessoas extremamente inseguras e que farejam catástrofes, entram em pânico facilmente e se desesperam frente às demandas da própria vida. Outros, totalmente dependentes, querem da vida unicamente o lado bom, sendo o entorpecente um refúgio, ainda que transitório, de realidades que por serem difíceis, ele procura negar a qualquer preço.
 
Veja bem, a procura inicial pela droga coincide com situações ambientais adversas, é o caso por exemplo, dos infelizes amorosos que afogam suas desiluções no álcool ou em outras drogas, ou como diríamos nós psicólogos, buscam alívio no vício para as ansiedades complexas implícita na experiência de rejeição, de pânico ante a solidão, de audesvalorização e raiva por sentir-se abandonado.
 
O entorpecente abranda as tensões inibitórias provenientes da censura, ou do juízo crítico e desta forma facilita a expressão de impulsos inaceitáveis do ego.
 
Infelizmente o consumo de drogas está nos primórdios da história da humanidade. Na segunda metade do século XIX, o químico alemão Albert Niemann, conseguiu isolar o elemento com o princípio ativo da planta coca e que era utilizado como analgésico (cocaína).
 
Dados do DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV - (1995), informa que em meados de 1984 houve um aumento no uso da cocaína com a introdução do Crack no mercado, um alcalóide em formato de pedra e passível de ser fumado, sendo o crack um derivado potente da cocaína bruta, não refinada.
 
Hoje a questão do consumo de drogas é um grave problema de saúde pública no mundo, é algo assustador, complicações médicas, psicológicas e psiquiátrica com elevação dos índices de morbidade e mortalidade.
 
A absorção da cocaína é realizada , geralmente pela mucosa nasal ou bucal, onde o pó é esfregado e assim a droga consegue passar pela rede de células que separam o sangue do cérebro, ou seja, a barreira hematoencefálica e chegam rapidamente ao SNC (Sistema Nervoso Central), e uma vez no cérebro afeta o comportamento.
 
No início observa-se ligeira tontura e cefaléia, logo segue uma hiperatividade mental e bem-estar, neste período a pessoa torna-se ativa, falante, espirituosa e isenta das sensações de fadiga e fome.
 
A embriaguez cocaínica apresenta ilusões de conteúdo agradável, móveis, vivas de objetos e seres de tamanho reduzido, são chamadas alucinações liliputianas.
 
Dupré referiu-se a esta embriaguez pela cocaína de “felicidade em movimento”, no entanto esta hiperatividade mental, pouco a pouco cede a um humor oscilante, irritabilidade, indiferença e desconfiança.
 
Em indivíduos com intoxicação crônica é comun os delírios de perseguição, especialmente de ciúmes acompanhados de visões de igual conteúdo e as alucinações são múltiplas, fragmentadas e móveis, geralmente seguidas de impulsos agressivos.
 
Outro tipo de alteração mental dos viciados crônicos da cocaína é um certo puerilismo, preocupação excessiva com detalhes banais e fuga de idéias.
 
A sintomatologia física desta toxicomania revela pupilas dilatadas, emaciação (emagrecimento), inapetência, palpitações e secura das mucosas com polidipsia (sede excessiva).
 
Em mulheres, estas referem excitação libidinosa com tendência a prática perversas (sado-masoquistas) e os homens rapidamente tornam-se impotentes.
 
A degradação moral e ética vai tomando forma na vida do viciado que negligencia suas obrigações, vai se desinteressando da família e do trabalho, substituíndo-os pela companhia de outros viciados, vagabundos e prostitutas.
 
A degradação física, mental e moral se instala e a morte pode sobrevir em forma de um ataque cardíaco, por parada cardio-respiratória ou mesmo através de doenças oportunistas devido ao estado de fraqueza geral do viciado.
 
Quanto aos sintomas de abstinência e quando privados do tóxico, desenvolve incômodas parestesias (sensação de vermes e insetos sobre a pele), é comum também alterações gástricas, depressão e alucinações aterradoras.
 
O prognóstico é grave, mas não podemos desistir jamais, as vezes é imprescindível a internação clínica, pois de outro modo fica difícil controlar as atividades do paciente e impedir a aquisição do tóxico. É necessário medicação específica, e também a psicoterapia, com o objetivo de promover o ajustamento do paciente em bases psicológicas favoráveis, sob pena de reicidência.
 
Equipes multidisciplinares devem interagir para dar suporte e influir sobre as realidades ambientais, no sentido de dar direção à vida da pessoa em reabilitação, promovendo escolha de atividades que tenham identificação com as necessidades reais do paciente.
 
Caro leitor, a recuperação de um viciado em cocaína é um longo caminho a ser percorrido e este deve ser realizado com passos de perseverança, paciência, esperança, fé em Deus e muito amor.
 
Encerro este artigo com um dos versos do poeta britânico do século XVIII, Alexander Pope: “Você compra a dor com tudo que a alegria pode oferecer, e não morre de nada senão do desejo de viver”.
 
Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Anatomia da Emoção


Quando você está lendo um empolgante romance posso dizer que está usando suas funções cognitivas (uma ação: ler, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação,  pensamento e linguagem) e os processos emocionais (prazer, riso, choro), se emocionar com o personagem do romance.
 
O estilo de vida e o modo como exprimimos nossas emoções ou nossas escolhas existenciais, formam a base da nossa personalidade.
 
Veja só: emoção é movimento, que dá cor aos nossos sentimentos, sejam sentimentos negativos (ciúme, inveja, ira, ódio) ou sentimentos positivos (alegria, carinho, amizade, amor).
 
Emoções provocam diversas modificações em nossa estrutura física, sejam elas: autonômicas (pulso acelerado, palidez ou rubor facial); endócrinas (suor excessivo, lágrimas, boca seca ou salivação); musculares (crispação das mãos ou rosto, sorriso) e comportamentais (agitação, fuga, paralisação).
 
Não podemos ignorar o poder das emoções, pois estas são basicamente impulsos para agir.
 
A raiz da palavra emoção é mover e vem do latim (movere). Emoção nos leva a agir, e é interessantíssimo observarmos as assinaturas fisiológicas quando nos emocionamos.
 
Você mesmo quando fica irado, já percebeu que o seu ritmo cardíaco fica acelerado? Escute! É mesmo o seu coração? ele esta batendo muito rápido. E aparece uma onda de hormônios como a adrenalina que gera energia para o ataque.
 
Já sentiu medo? De que? Pois é, este seu medo faz com que o sangue vá rapidamente para as pernas, por isso o seu rosto fica pálido, são os circuitos nos centros emocionais do nosso cérebro que disparam nossos hormônios colocando nosso corpo em sentido de alerta para fugir ou quem sabe enfrentar aquele monstro horroroso, tipo bicho papão.
 
Lembrou, quando você era criança?
 
E quando estamos felizes, seja pelo amor ou satisfação sexual é o “padrão estimulação parassimpático”, o oposto do medo e fuga, este padrão traduz um conjunto de reações do nosso corpo e que possibilita um estado geral de relaxamento, satisfação e calma.
 
As emoções tem forte domínio sobre nossa mente pensante, é comum ouvirmos relato de mulheres cujo marido as abandonaram porque se apaixonaram por uma mulher mais jovem.
 
Imagine a cena, que se arrasta por vários meses de discussões amargas sobre guarda de filhos e divisão de bens.
 
Ouvimos então da mulher abandonada: “Não me lembro mais do fulano, não me importo”, mas ao fazer tal declaração, percebemos que seus olhos se encheram de lágrimas.
 
Se formos empáticos, saberemos que olhos com lágrimas podem significar tristeza, apesar de ter verbalizado o contrário.
 
É aí que percebemos: temos duas mentes, a que pensa e a que sente. Pensa, raciocina, pondera, fica refletindo horas e acaba chorando.
 
Ah! a minha mente emocional me desmascara. Paixão e razão.
Já se sentiu assim alguma vez?
 
Os estudiosos afirmam que a mais antiga raiz de nossa vida emocional está no sentido do olfato, especificamente no lobo olfativo, as células que analisam e absorvem o cheiro, que nos tempos primitivos era o sentido supremo de sobrevivência.
 
Imagine leitor, fazer escolhas pelo cheiro: é tóxico? ou posso comer? inimigo? sexualmente acessível? predador ou presa?
 
Tudo pelo cheiro! Incrível!
 
Evoluímos, nosso cérebro emocional também, veja o sistema límbico, este território neural de emoções, principalmente quando estamos enlouquecidos pela paixão ou paralisados pelo medo. Quem nos tem em seu poder?
 
Acertou, é o sistema límbico.
 
Aprendizado e memória.
 
Compare o medo de uma lebre e o medo humano. A lebre tem um conjunto restrito de respostas típicas para a questão do medo e os humanos como possuem um repertório mais complexo, pode inclusive ligar para o telefone de emergência da polícia. O quê? 190?
 
Pois é, nossa arquitetura neural está associada ao nosso cérebro emocional influenciando nos centros do pensamento.
 
Você já teve um ataque de nervos?
 
Explosão emocional é o que chamamos de seqüestros neurais, o cérebro límbico recruta todo o restante do cérebro para sua ira, disparando uma reação explosiva, antes do neocórtex, o cérebro pensante, verificar o que está acontecendo e o mais interessante é que quando passa este momento de fúria, as pessoas não sabem explicar e nem compreendem o que aconteceu com elas.
 
Qual foi a última vez que você se viu fora de controle?
Você refletiu e viu depois que passou dos limites?
 
Isto foi um poder neural que se originou na sua amígdala, um centro no cérebro límbico. Mas veja bem, nem tudo é agonia nestes seqüestros límbicos, uma piada que te faz rir a ponto de perder-se em sonoras gargalhadas é também uma resposta límbica.
 
A onde está a sede de toda esta paixão? Ira e risos descontrolados?
 
Respondo, é um feixe em forma de “amêndoa”, chamada amígdala (da palavra grega “amêndoa”), de estruturas interligadas acima do tronco cerebral e são duas amígdalas, uma de cada lado do cérebro, e é uma especialista em emoções.
 
Alguma vez ouviu falar em “cegueira afetiva?
É o que acontece se a amígdala for cortada do cérebro, o resultado é uma total indiferença e impressionante incapacidade de avaliar o significado emocional dos acontecimentos.
 
A amígdala atua como um depósito de nossa memória emocional, se não a tivermos, não teremos significados emocionais, ou seja, toda paixão depende dela.
 
Qual foi a vez que você chorou de dor ou por amor para se acalmar?
 
Lágrimas é um sinal emocional dos humanos, a menos que seja lágrimas de crocodilo, mas chorar ou ser acalentado através de um abraço acalma as regiões da amígdala e a estrutura próxima denominada giro cingulado.
 
O funcionamento da amígdala e sua interligação com o neocórtex estão no centro da inteligência emocional.
 
De qual ato você se arrependeu? Por que nos tornamos tão irracionais com facilidade?
 
Estes circuitos neurais são esculpidos pela nossa experiência durante a infância, por isso é tão importante treinar as crianças em inteligência emocional, ensinando-as a conhecer as próprias emoções, e ter autocontrole dos sentimentos quando estes estão ocorrendo.
 
Crianças necessitam aprender a lidar com suas emoções e para que isto ocorra é necessário colocar limites, motivá-las através do exercício da espera, da paciência, aprendendo a adiar a satisfação imediata e dominando a impulsividade do momento.
 
Ensinar conceitos através do exemplo, da prática da empatia esta capacidade de reconhecer emoções nos outros, perceber do que precisam ou o que desejam, aprendendo a estabelecer vínculos de amizade e relacionamentos através da comunicação, do exercício da paciência e do cultivo do bom humor.
 
Nosso cérebro é bem flexível e está em constante aprendizagem e podemos usá-lo para o bem, ele é uma verdadeira orquestra para a nossa mente.
 
Muitas e muitas vezes eu me perguntei, por que a superfície do nosso cérebro é tão enrugada?
 
Os cérebros dos coelhos são quase lisos e os nossos tão dobrados e enrugados. Talvez seja o reflexo da maturidade filogenética da mente humana. Quem sabe?
 
É um processo miraculoso o neurodesenvolvimento e é contínuo nos seres humanos até os 20 anos de idade.
 
Nosso cérebro sofre modificações quando exposto a influências biológicas, ambientais e psicológicas, estas experiências individuais são poderossíssimas, afetam nossos cérebros por toda a vida.
 
Brevemente falaremos também de outro importante componente na anatomia das emoções, a Ìnsula, uma estrutura do tamanho de uma ameixa seca e que vem desafiando os neurocientistas sobre as suas funções no complexo de circuito múltiplos que compõe  as emoções humanas (cheiros, sabores, sons).
 
Cuide bem do seu cérebro. Converse com seus amigos e enquanto saboreia o seu suco preferido (tangerina? carambola ou melão? ficou com sede de repente?) diga a eles sobre a anatomia das emoções, especificamente fale da amígdala que é parte importante da sua, da minha inteligência emocional.
 
E por fim, descubra a assinatura fisiológica de suas emoções.
Pense!