Páginas

sábado, 22 de setembro de 2012

Psicologia em Diabetes



É preocupante o aumento da incidência do diabetes no mundo. É uma doença de caráter endêmico (peculiar a uma determinada população) e o principal foco de atenção é a prevenção de suas complicações, que ocasionam a diminuição da qualidade e quantidade de vida.

A falta de controle dessa doença gera incapacitação, encurtamento de vida útil, mortalidade prematura e considerável morbidade, isto sem citar os custos elevados  dos gastos com a doença.

A pergunta que não quer calar é: como poderemos evitar as complicações ou a própria doença?

Considere alguns fatores, como a educação, a informação, a reeducação alimentar, a própria motivação do paciente em reação ao conhecimento da doença, são essenciais para o controle e ou desenvolvimento da doença.

As campanhas de saúde educam, e quando bem delineadas podem significar uma boa ajuda no controle e na prevenção, e o envolvimento da família, pois o principal tratamento é a mudança do estilo de vida e a monitorização dos níveis glicêmicos.

Não podemos deixar de mencionar que em alguns casos é necessário o suporte psicológico quando o paciente necessitar, uma vez que é uma trajetória que exige determinação, paciência, apoio emocional, solidariedade e atendimento multidisciplinar.

O aspecto emocional do impacto ocasionado pelo diagnóstico é manifestado através de mecanismos de defesa que vão da negação à tristeza profunda, dos sentimentos de resignação ou de desprezo, traduzido em frases do tipo:  “ não é comigo, não necessito me preocupar com isso”; “ vou continuar comendo de tudo e do meu jeito”.

Sentimentos de desesperança também são manifestados no primeiro momento e pode ser sentido pelo paciente e pela sua família.

Aceitar o diagnóstico é um passo importantíssimo para o tratamento, já o grande desafio é que o diabetes pode fazer emergir sentimentos de fragilidade e agravar desequilíbrios psicológicos no paciente. Daí a importância de se conhecer a doença e suas conseqüências físicas e emocionais.

Não se deixe abater, é possível viver como qualquer outra pessoa, mas é necessário também manter todos os cuidados que o diabetes exige.

Sabemos o quanto é difícil lidar com a frustração diante das restrições impostas, podem emergir sentimentos de raiva, medo, agressividade e revolta. É perfeitamente compreensível e natural que uma doença crônica, gere ansiedade e insegurança.

O portador de diabetes pode apresentar sinais de  rebeldia ao tratamento, instabilidade de humor e questionamentos: “por que comigo?”; “o que foi que eu fiz para merecer isso?”. 

É compreensível esta tendência em se sentir pior que os demais, o único com problemas e a procurar culpas que não existem, como se o diabetes fosse uma punição, isto evidência  a dificuldade de aceitar-se e de assumir-se perante os outros, com seus limites, diferenças e cuidados.

É emergente observar se não está boicotando o tratamento ou não respeitando as orientações recebidas de seu médico.

É bem possível aparecer sentimentos de baixa-estima e diminuição da auto-confiança, o que se reflete num possível isolamento social que por sua vez aponta para o medo de entrar em contato com suas emoções. Daí a reclusão e a evitação do convívio com outras pessoas.

Outro aspecto a ser mencionado é a possibilidade de chantagem emocional, manipulação, a pessoa utiliza o fato de estar diabético para conseguir o que deseja e obter maior atenção ou concessões especiais.

Então, quanto mais precoce for a percepção desses sinais e mais rapidamente tratados, naturalmente melhor serão os resultados, tanto do aspecto psicológico quanto do próprio diabetes.

O apoio psicológico é tanto para o diabético e seus familiares que são pontos de segurança e estímulo para um bom tratamento.

A pessoa portadora de diabetes é alguém singular, total, plena e que necessita e merece ser tratada com dignidade e respeito. Por exemplo, na criança portadora de diabetes, é comum a ansiedade dos pais que ficam temerosos e tendem a superproteger o filho, na tentativa de evitar que algo lhe aconteça. 
Essa superproteção gera insegurança e dificuldades no aprendizado e no reconhecimento de alguns sintomas agudos e comuns ao diabetes. 

É fundamental que a criança cresça se responsabilizando por seu corpo, por sua saúde e esta adaptação depende em grande medida da família na qual esta criança está inserida.

É preciso ajudá-la a viver bem, a se integrar na família, na escola e na sociedade.

Não podemos  deixar de registrar a ligação entre obesidade e diabetes, pois quando ocorre uma super alimentação forçamos o nosso pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina, porque é grande a quantidade de alimento a ser processado, logo esse pâncreas fica exausto e interrompe esta produção e então, é aí que o açúcar no sangue sobe, é quando são manifestados os sintomas de sede, urina em excesso, visão turva, fadiga entre outros.

Estar doente, estar diabético é uma condição, não  há    porque se envergonhar, a menos que você esteja sendo omisso nos cuidados necessários.

O modo como lidamos é que fará toda a diferença, por isso ouça o seu médico assistente, não se engane com curas mirabolantes, siga à risca o tratamento preconizado, por fim converse sobre o diabetes, sobre o seu temor e sua rejeição.

Cultive bons hábitos alimentares, pratique alguma atividade física regularmente com orientação profissional e tenha cuidados preventivos. 

Não tenha medo de ser feliz, a vida é bela!



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DEPRESSÃO – A DOR DA ALMA

 
“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?”

Salmos 42:5
 
Querido amigo, a depressão é uma doença, e estatisticamente é comprovado que 19% da população, ou seja, aproximadamente uma em cinco pessoas no mundo apresenta depressão em algum momento da vida.



 Afinal, o que é depressão?

Depressão é uma doença episódica e ou recorrente, e que pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer idade. Existem vários tipos:  (Depressão do Transtorno Bipolar, Depressão que acomete epiléptico, Depressão pós parto, Depressão da mulher no climatério, Distimia (depressão leve e crônica) entre outras.

O que causa a depressão são alterações químicas no cérebro da pessoa deprimida, geralmente nos neurotransmissores, que são substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Estas substâncias são: serotonina, noradrenalina e dopamina (responsáveis por promover aquela sensação de prazer, bem-estar e alegria).

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão grave é uma doença que invalida pessoas mais que os problemas cardiológicos. As causas são variadas e os tratamentos diversos, no entanto fatores psicológicos e sociais podem ser gatilhos, assim como o estresse pode precipitar a depressão nas pessoas com predisposição genética.

Quando estamos alegres costumamos  dizer que olhamos o mundo com lentes cor de rosa, quando deprimidos o mundo fica negro, é a famosa “nuvem negra”, tudo nos irrita, temos dificuldades para concentrar, aparecem sentimentos de medo, culpa, insegurança, desesperança, sensação de desamparo, de inutilidade, tudo é um imenso vazio, oco, feio e insuportável.

 A auto-estima cai vertiginosamente, perda ou aumento do apetite e do peso, surgem os problemas de insônia ou hipersônia e vontade de morrer.

É como se o deprimido carregasse o mundo nas costas, tamanho o peso de sua dor. Sente-se como uma minúscula pulga em um mundo de elefantes.

Lamenta o dia todo se sentindo um fracasso: “Ninguém me ama, ninguém me quer” esta é a canção favorita do deprimido... Oh! Céus, oh! Dia, oh! Vida! Está literalmente no olho do furacão.

É necessário buscar ajuda para um tratamento adequado e também para a confirmação do diagnóstico. O tratamento é medicamentoso e a psicoterapia oferece suporte na reestruturação psicológica da pessoa.

Além da nuvem negra é possível um arco-íris!
 

Deijone do Vale
Neuropsicóloga




terça-feira, 4 de setembro de 2012

PERSONALIDADES PSICOPÁTICAS



Você sabe o que são personalidades psicopáticas?

Bem,  são manifestações do comportamento de indivíduos que apresentam ainda que por motivos discutidíssimos, um desvio quantitativo de sua personalidade. Geralmente este desvio  é desde a infância e acompanha todo o ciclo vital da pessoa.

O psicopata, não apresenta  alterações qualitativas nos processos intelectuais, afetivos e volitivos.

Eu poderia dizer que tudo que existe  no psicopata, existe também na pessoa considerada  normal, a distinção que faço é em termos de proporção, ou seja de grau, exemplo disso, seria a personalidade psicopática criminal, onde existe uma escassez de valores morais e éticos, associados a uma acentuada agressividade e impulsividade, cujo resultado seria a conduta anti-social.

Estas personalidades psicopáticas variam ao extremo, o que evidencia em todas, são suas reações inadequadas frente a determinadas situações criando conflitos que por fim se revelam em sofrimento para outros e para a sociedade.

São aqueles indivíduos que não olham os meios para obter determinado fim e os seus fins são também discutíveis, alguns são extremamente dominadores, outros passam a vida toda se apoiando em muletas humanas para se beneficiarem.

Existe nestes indivíduos um nível de tolerância muito baixo em relação à frustração, que chega a nos surpreender, o seu querer é de uma intensidade assustadora, no entanto o psicopata só recorre a comportamentos criminosos, quando não consegue o que deseja por outros modos.

Desde a mais tenra infância chama a atenção uma anestesia afetiva em seus relacionamentos, rebeldia a figuras de autoridade, agressividade, impulsividade, capacidade de dissimulação, tiranização  dos mais fracos, suplício de animais, atos de covardia, depredação de bens públicos e particulares, impulsos incendiários, tudo isto parece proporcionar-lhe um prazer mórbido.

Chama-nos a atenção a falta de auto-crítica, a   falta de integração emocional dos valores morais, sociais e educacionais (normas, costumes, conceitos éticos).

Mente, rouba e mata se achar necessário, este feitio amoral permeia toda a sua vida pessoal.

Apresenta um freqüente descontentamento e irritabilidade, e tem sérias dificuldades em manter relações estáveis e construtivas, pois  em geral carecem de sentimentos de valores (senso de responsabilidade, honra, respeito aos sentimentos e interesses alheios).

Você deve estar aí se perguntando: Eles  já nascem assim?

Veja, as averiguações etiopatogênicas da psicopatia são variáveis, mas é fato que um ambiente desfavorável, como pobreza, lares desfeitos, ilegitimidade e defeitos educacionais, como um pai excessivamente autoritário, uma mãe extremamente tolerante e que satisfaz todos os desejos, é possível que o resultado seja um psicopata.

Há relatos na clínica médica de casos de encefalite e psicopatia, são quadros pós-encefalíticos e desvios de conduta, indicadores de prejuízo das funções de auto-crítica.

A verdade é que esta questão sobre a etiopatologia da psicopatia, permanece aberta às discussões e pesquisas.

A orientação freudiana para a psicopatia, a explica como resultado da falta de internalização do superego (um dos componentes da estrutura psíquica, responsável pelo nosso conceito de “certo” ou “errado”, ou seja, o superego representa a herança sócio-cultural).

Leopold Bellek já dizia: “um continum biopsico-sociológico, que vai da extrema organicidade à extrema psicogenicidade”.

É ai que você me questiona: Psicopata se regenera?

Bom, regeneração é algo que psicopata não assimila emocionalmente, não se observam em psicopatas sentimentos de culpa, suas racionalizações  justificam a seus olhos a conduta criminosa.

Quando privados de liberdade ou encarcerados, acentua-se a sua revolta contra a sociedade que o pune por um crime, pelo qual não se sente responsável.

Atenção especial se deve dar às relações humanas dos psicopatas, são superficiais, e  quando profundas, revelam-se intensamente destrutivas, pois são totalmente egocêntricos.

O prognóstico de psicopatia é sombrio e grave, comporta sempre um difícil teste para psiquiatras, neurologistas  e psicólogos, e mais uma vez Freud vem em meu socorro: “Saber aceitar frustração ainda é uma condição essencial para a sobrevivência emocional e uma garantia de bom ajustamento interpessoal”.

Colocar limites para nossos filhos é fundamental! 



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Memória: Isto é que é bom


Todo mundo deseja possuir uma boa memória, mas afinal o que é memória? Ah! são as lembranças, recordações, reminiscências, são aquelas impressões e conhecimentos adquiridos e retidos em nossa mente.


Você já ouviu dizer que fulaninho têm memória de elefante, pois é, isto expressa uma grande capacidade de memorização, é aquela memória extraordinária. Em contrapartida temos a memória de galo, aquela memória fraca, que mal consegue  se lembrar que dia é hoje. Você sabe, que dia é hoje? E aí, já parou para pensar como vai a qualidade de sua memória?


Quero te dizer que a nossa, a minha, a sua memória necessita de exercícios, assim como os músculos se fortalecem através de exercícios físicos regulares, a nossa memória também  melhora, caso a exercitemos, este texto mesmo que você esta lendo é um bom exercício de memória.


Os jogos por exemplo, estes desenvolvem a capacidade mental, no trânsito dentro do ônibus, você pode ir somando mentalmente os números registrados nas placas dos automóveis, selecionando visualmente as diversas cores de carros e categorizando-as por modelos e marcas. Estes exercícios cerebrais estimulam as funções das células nervosas (neurônios) ativando-as. É importante que sejam realizadas com regularidade.


Sabemos que com o envelhecimento a tendência é ocorrer uma baixa nas funções mentais devido  à falta de exercício mental constante.


Estimule os seus cinco sentidos: novos aromas que nunca experimentou, coma algo que nunca teve oportunidade ou coragem para fazê-lo, dê a seu paladar uma nova possibilidade, e veja o que acontece. Gostou? Sim ou não?  Pato ao tucupi, já experimentou?


Ouça músicas diferentes  de seu gosto ou preferência musical, e sinta as novas emoções (desagrádaveis ou prazeirosas), exercite-se. Caminhe por uma rua nunca antes aventurada, aproveite a paisagem  para descobrir com os seus olhos uma imagem que nunca viu, olhe os rostos desconhecidos, veja coisas que antes não foram despertadas em sua memória.


E os cheiros?  Você se lembra daquela rosquinha de canela que a sua avó fazia quando você era criança, e aquele suco de limão geladinho, quando você chegava todo suado da escola? Salivou? bom sinal, o seu cérebro funcionou direitinho.


Jogar xadrez, dama ou dominó? Gosta de fazer palavras cruzadas? as atividades manuais são ótimas, que tal um tricô, croche e bordados.
 

Leia, leia, leia, cozinhe, faça aquela receita de família que faz tempo você abandonou, ainda se lembra dos ingredientes? das quantidades exatas? Tente lembrar.

No banho cante, sabe aquelas cantigas de roda que você cantava com as outras crianças de seu bairro (o quê? Ciranda, Cirandinha?).


Tem um velho ditado que diz que recordar é viver, no trocadilho digo, recordar é manter sua mente conectada à vida. Longa memória para você!


sábado, 25 de agosto de 2012

Cérebro e Mente - Computador Vivo





“Como os homens são belos! Admirável mundo novo que tem tais habitantes!”
William Shakespeare – A Tempestade.







Sempre gostei de Shakespeare pela sua capacidade de compreender e expressar a natureza das paixões humanas, observador agudo das forças obscuras que os humanos exprimem através do ódio, traições e também da beleza, do amor cantado em prosa e verso.

Nascemos, desenvolvemos doenças, sofremos e por fim morremos. Dor e sofrimento se mesclam diante da morte, diante das doenças das quais a carne humana é herdeira. O que dizer, então das doenças mentais, principalmente que são fonte de estigmas, mal compreendidas, pouco sabemos sobre elas e menos ainda o que fazer.

Todos conhecemos alguém com Depressão, Esquizofrenia, Mal de Alzheimer e estas são assustadoras, pois afetam o cérebro e consequentemente o seu produto, a mente.

As doenças mentais são aqueles monstros que tememos enfrentar, preferimos fingir que elas não existem.

A boa notícia é que há esperança, existe esperança para a doença mental que afeta pessoas comuns como você e eu.

Existem atualmente medicamentos que oferece bons resultados e a psicoterapia também tem um papel de relevância no tratamento, e ambos (fármacos e psicoterapia), afetam as funções da mente e consequentemente do cérebro, este “computador vivo”, poderoso que todos os humanos carregam sobre seus ombros pela vida toda.

 O nosso cérebro pesa pouco mais de um quilo e recebemos apenas um, mas é maravilhoso.

Forma e função (cérebro e mente), pensar e sentir, e o que dizer do nosso sistema de comunicação, da fala, da memória, do riso e este é singularmente humano.

Hipócrates o pai da medicina expressou tão bem: “Os homens devem saber que do cérebro e apenas do cérebro, nascem nossos prazeres, alegrias, risos e gracejos, assim como nossas tristezas, dores, mágoas e temores. Por meio dele, em particular, pensamos, vemos ouvimos...”

O que nos define como seres humanos está na essência do nosso cérebro, compreendê-lo é compreender a nós mesmos.
Quando decidi ser psicóloga na década de 1980, o que me motivou foi o desejo de entender as doenças mentais como a esquizofrenia, as demências e a depressão, por serem tão desafiadoras.

A  alguns anos atrás ser portador de doença mental era como colecionar esqueletos escondidos no baú.

Ainda hoje é necessário combater essa compreensão errônea das doenças mentais, acabar com o estigma, afinal estamos na era do genoma, é tempo de mudança, é tempo de ampliarmos a nossa visão, é tempo de tornar esse mundo um lugar melhor para se viver. 

Admirável mundo novo!


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pai – “Presente” para o Filho



Dizem que navegar é preciso, digo que escavar é preciso. Os arqueólogos procuram juntar fragmentos do passado em busca de um sentido para o presente. Saber quem é o pai, conhecê-lo, conviver com ele, ter o seu nome na certidão de nascimento é fundamental na construção da identidade pessoal do indivíduo. O exercício da paternidade é um ato de amor e referência.

Alertamos que a ausência paterna durante o desenvolvimento da criança ou do adolescente têm conseqüências no desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental.

Já dizia Freud, em seu trabalho: Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância: “Na maioria dos seres humanos, tanto hoje como nos tempos primitivos, a necessidade de se apoiar numa figura de autoridade é tão imperativa que seu mundo desmorona, se essa autoridade é ameaçada”.

Realmente, a função paterna exerce um papel que reforça o sustentáculo afetivo que o pai representa para que a mãe possa interagir com o seu filho (bebê), e ao mesmo tempo funciona também como um fator de divisão, da relação simbiótica do bebê e sua mãe. O pai passa a representar o princípio de realidade e ordem dentro da família e a criança à medida que vai amadurecendo percebe que ela não é o centro do universo, não é a única a compartilhar a atenção da mãe.

Os pais aumentam ou dificultam os processos de maturidade emocional, daí a importância do pai, a falta deste poderá ocasionar uma dificuldade para lidar com os sentimentos gerados por este abandono, seja ele total ou parcial.

É possível encontrarmos nestas crianças e mesmo depois de adultos, sentimentos de baixa auto-estima, por não se sentirem merecedoras de amor, pelo fato de não terem sido reconhecidas como filhos.

Sentimentos de ódio, de inveja, de ciúmes são de difícil manejo, considerando que toda criança necessita saber e se sentir amada, aceita, querida e que de alguma forma possui raízes, pois a família representa a essência do vínculo afetivo na construção da sua capacidade de estabelecer vínculos interpessoais.

A grande maioria de atendimento em psicoterapia de crianças e adolescentes são ocasionadas por problemas de agressividade, indisciplina, baixo rendimento escolar, apatia, gravidez precoce na adolescência, marginalidade, uso abusivo de drogas, são de crianças e adolescentes, ressentidas pela ausência do pai. Até a identificação sexual necessita desse modelo de pai, como  no Complexo de Édipo, fenômeno universal que consiste no amor do menino pela mãe e na hostilidade pelo pai. É uma relação de ambivalência porque também ama esse pai. 

O Complexo de Édipo é uma analogia à lenda grega, na qual Édipo, sem o saber, assassinou o próprio pai e casou-se com a mãe, e ao descobrir a verdade vazou os próprios olhos.

Uma boa ilustração do conflito edípico aparece no filme japonês: O Corvo Amarelo, que conta a história de um menino, filho único, que viveu em um ambiente repleto de afeição, enquanto o pai se ausentava por um período relativamente longo. Quando voltou, a criança demonstrou-lhe abertamente sua hostilidade, não aceitando sua amizade e tentando impedir sua aproximação da mãe. Os conflitos transpareceram em seu comportamento no jardim da infância, a ponto de chamar a atenção da professora que então discutiu o assunto com os pais. Felizmente estes eram compreensivos e, com carinho e paciência ajudaram o filho a resolver o seu problema. 

Quando o Complexo de Édipo é bem resolvido, o menino, por exemplo, dirige-se emocionalmente para figuras femininas fora do lar e vai dessexualizando de sua ternura para com a mãe e se imagina no futuro como alguém tão valoroso como o pai e se casará com uma mulher tão bela quanto à mãe. 

Esta conduta reforçará suas tendências masculinas que encontrarão expressão mais tarde em outras atividades, nos estudos e jogos.

A variante desse fenômeno na menina é o mesmo e o denominamos de Complexo de Eletra, o qual abordaremos em outra oportunidade.

O Complexo de Édipo, contudo nem sempre se resolve satisfatoriamente, por exemplo, se houver uma atitude da mãe depreciatória em relação ao pai ou aos homens em geral, poderá prejudicar o processo de identificação com a figura masculina.

A vida é um suceder de eventos que podem ser mais ou menos traumático conforme os dispositivos de defesa e a ausência de um pai poderá gerar no psiquismo infantil muita ansiedade e estas quando mal elaboradas provocarão prejuízo e desequilíbrio psicológico.

É possível uma criança internalizar um pai simbólico, capaz de representar a instância moral do indivíduo ou disparar o gatilho para uma maior propensão ao envolvimento com a delinqüência e a marginalidade.
Temos uma necessidade inata de filiação e quando isto nos é negado, fica uma sensação de orfandade, de um imenso vazio a ser preenchido.

O êxodo paterno tem levado milhares de crianças no Brasil a viverem sem o pai, sem o nome no registro de seu documento de identidade.

O reverso da medalha também é negativo, os homens que não se relacionam com seus filhos também apresentam índices de violência maiores, propensão a acidentes, maior índice de criminalidade, taxas mais elevadas de doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão arterial e são submetidos a tratamentos psiquiátricos e por fim apresentam menor êxito em suas carreiras ou na sua força de trabalho, se comparados com pais comprometidos com suas famílias.

Todos perdemos, quando não construímos uma identidade favorável para nossos filhos. Um pai na vida de um filho é algo legítimo, necessário e por que não dizer vital, não podemos banalizar esta falta, pai é uma necessidade real.

Precisamos fortalecer este vínculo, ligar mais fortemente o pai ao filho, pois um pai comprometido sempre encontrará uma solução adequada às necessidades do filho. Portanto, caríssimo pai que está lendo este artigo, exerça a sua paternidade, senão ficaremos o tempo todo, correndo atrás do psiquiatra, do psicólogo, da polícia, do judiciário, enfim, correndo atrás do prejuízo. Exerça a sua paternidade!

domingo, 5 de agosto de 2012

ALZHEIMER


Introdução

A doença de  Alzheimer foi descrita em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Alois Alzheimer  ao realizar uma autópsia, descobriu no cérebro do morto, lesões que ninguém nunca tinha visto antes. Tratava-se de um problema de dentro dos neurônios, os quais apareciam atrofiados em vários lugares no cérebro, e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas, enroscadas umas nas outras.   

A doença também é conhecida como demência ou “caduquice”. É uma doença degenerativa do cérebro, cujas células se deterioram (neurônios) de forma lenta e progressiva, provocando uma atrofia do cérebro. 

A doença afeta a memória e o funcionamento mental (por ex. a capacidade de raciocinar, de compreender e falar), mas pode também conduzir a outros problemas, tais como confusão, mudanças de humor e desorientação no tempo e no espaço. 
   
A doença faz diminuir a capacidade da pessoa se cuidar, ou seja destrói a autonomia do indivíduo em realizar tarefas simples e rotineiras  (higiene pessoal,  vestuário, de gerir sua vida emocional e profissional) não sabendo escrever e nem fazer contas simples e elementares.É uma doença terminal que causa uma deterioração geral da saúde. 

A causa de morte mais frequente é a pneumonia, porque à medida que a doença progride o sistema imunológico deteriora-se, e surge perda de peso, que aumenta o risco de infecções da garganta e dos pulmões. A doença de  Alzheimer é uma doença do cérebro, de instalação insidiosa, com agravamentos progressivos, lentos e irreversíveis até o momento. 

Quais sãos os sintomas? 

No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceitos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que vão se agravando gradualmente. 
   

Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, apresentam alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até as si mesmos quando colocados frente ao espelho espelho. Foi relatado o caso de um senhor que olhando sua imagem refletida no espelho falo: "Cara me dá um cigarro!" 
 À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral (alimentação, higiene, vestuário). 
   
SINAIS DE ALERTA

  • Perda de memória, principalmente dos acontecimentos mais recentes;
  • Dificuldade em executar as tarefas domésticas (pode ser incapaz de preparar qq. parte  de uma refeição, ou esquece-se de que já comeu.)
  • Problemas de linguagem : (esquecer palavras simples ou substituí-las por palavras desajustadas, tornando as suas frases de difícil compreensão)
  • Perda da noção do tempo e desorientação (perder-se na própria rua ou não saber voltar para casa);
  • Discernimento fraco ou diminuido (vestir roupa quente num dia de verão);
  • Problemas relacionados com o pensamento abstrato: esquecer completamente o que são números e o que tem de ser feito com eles); - Trocar o lugar das coisas  (colocar um relógio dentro do acucareiro);
  • Alteração do humor ou comportamento: ( da serenidade ao choro sem motivo aparente); 

   
Alterações da personalidade



Pode tornar-se extremamente confuso, desconfiado, calado. As alterações podem incluir apatia, medo ou comportamentos inadequados. 



Perda da iniciativa



Tornar-se muito passivo, e necessitar de estímulos e incitamento para participar de alguma atividade. 
   
A grande arma para enfrentar a doença é a informação associada à solidariedade, pois à medida  que os familiares conhecem melhor a doença e sua provável evolução, vários recursos e estratégias podem ser utilizados. É sempre possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes e dos familiares. Existem doenças incuráveis, porém não existem pacientes “intratáveis”. 
   

Como a doença afeta os familiares?



As dúvidas e incertezas com o futuro, a grande responsabilidade, a inversão de papéis onde os filhos passam a encarregar-se dos cuidados dos seus pais, além da enorme carga de trabalho e sobrecarga emocional acabam por gerar no meio familiar, conflito e angústia. É necessário que os cuidadores procurem eles próprio ajuda para enfrentar a situação. 
   

Como é feito o tratamento? 



O tratamento tem dois aspectos: um inespecífico, por exemplo, de alterações de cpt como agitação e agressividade, do humor como depressão, que não deve ser feito apenas com medicação mas tb. com  orientação por diferentes profissionais da saúde. 



O tratamento específico é feito com drogas que podem corrigir o desequilíbrio químico no cérebro. 



Estes tratamentos funcionam melhor na fase inicial da doença e o efeito é temporário, pois a DA continua a progredir. 
   

Fatores de risco

Uma combinação de fatores pode causar o desencadeamento: Idade: quanto mais avançada a idade, maior a porcentagem de idosos com demência. Aos 65 anos, a cifra é de 2-3% dos idosos, chegando à 40% quando se chega acima de 85-90 anos. Idade Materna: filhos que nasceram de mães com mais de 40 anos, podem ter mais tendência à problemas demenciais na terceira idade. 
   

Sexo



Alguns estudos têm sugerido que a doença afeta mais mulheres do que homens.



Fatores genético/hereditariedade



A causa da doença de  ainda não é conhecida. Existem várias teorias, porém de concreto aceita-se que seja uma doença geneticamente determinada, não necessariamente hereditária (transmissão entre familiares). 
   

Podemos dividir a doença em três fases:

  • inicial
  • intermediário
  • terminal.

Fase Inicial

Começa, geralmente, entre 40 e 90 anos. No começo são os pequenos esquecimentos, que vão se agravando gradualmente, chegando até não conhecer a si mesmo diante do espelho gerando um quadro de ansiedade e depressão. Ocorre a perda da memória recente, dificuldade para reter novas informações, distúrbios de linguagem, dificuldades para as tarefas da vida diária, irritabilidade e desorientação. 
   

Fase Intermediária

O paciente é completamente incapaz de aprender e reter novas informações. A pessoa se torna cada vez mais dependente de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação se inviabiliza e passam a necessitar de cuidados de supervisão integral, (alimentação, higiene, vestuário).  Inicia-se perda do controle da bexiga (incontinência). 




Fase Final



O paciente está totalmente incapaz de andar (restrito ao leito), não fla mais, risco de pneumonia, desnutrição e úlceras por ficar deitado. Perda do controle da bexiga e esficteres, dificuldades para engolir alimentos, evoluindo para uso de sonda enteral ou gastrostomia (sonda no estomâgo). 



Diagnóstico

Não há  um teste específico de modo inquestionável da doença de Alzheimer. O diagnóstico certo  só pode ser feito por exame do tecido cerebral obtido por biópsia ou necropsia.

Deste modo, o  diagnóstico de provável Alzheimer  é feito excluindo outras causas de demência pela história (depressão, perda de memória associada a idade), exames de sangue (hipodireoidismo, deficiência de vitamina b), tomografia ou ressonância (multiplos infartos, hidrocefalia) e outros exames. É claro que isso não impede que marcadores mais sensíveis venham a surgir no futuro.