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quarta-feira, 1 de maio de 2013

CIÚME – PARTE II - “O MONSTRINHO DE OLHOS VERDES”



Desci ao jardim das nogueiras,
para mirar os renovos do vale
para ver se brotavam as vides,
se floresciam as romeiras. (Cânticos de Salomão - 6:11)

Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas;
vejamos se florescem as vides,
se se abre a flor, se já brotam as romeiras;
 dar-te-ei ali o meu amor. (Cânticos de Salomão – 7:12)

O ciúme é um sentimento universal, um estado emocional, caracterizado pelo sentimento de posse em relação ao outro, acompanhado de ansiedade pela ameaça real ou imaginária de que o objeto de nosso “amor” possa ser ameaçado e assim desejamos exclusividade incondicional.

Esta tríade: “amor”, ciúme e traição, tão presente em nossos dias, tem destruído vidas e relacionamentos.

Shakespeare em 1603, quando escreveu “Otelo, o mouro de Veneza”, representou magistralmente “o monstro de olhos verdes – o ciúme”.

OTELO, o general mouro de Veneza, presenteou a sua bela esposa DESDÊMONA, com um velho lenço de linho bordado de morangos, o qual havia herdado da mãe.

E em uma trama de traição, inveja e ciúme, o lenço é roubado pelo invejoso IAGO (seu sub-oficial), e encontrado no quarto de CÁSSIO (seu tenente), suposto amante de Desdêmona.

Otelo totalmente descontrolado pelo ciúme asfixia sua esposa, matando-a, mas a mulher do malvado IAGO, revela a Otelo toda verdade, reafirmando a inocência e fidelidade de Desdêmona.

OTELO se mata, apunhalando-se e caindo sobre o corpo de sua amada DESDÊMONA...

Atire então, a 1ª pedra quem nunca sentiu uma pontinha de ciúme.

Analisar o ciúme é analisar as manifestações da psiquê humana (mente, vontade e emoções), a partir dos relacionamentos, pois esta realidade implica intimidade psíquica e  física, teremos assim, fenômenos conscientes e inconscientes.

O ciúme é provavelmente um sentimento presente em todas as culturas, cantado em prosa e verso e encontrado até nos animais irracionais, o leão, por exemplo, quando assume um território vencendo fisicamente o macho dominante do bando, ele mata os leõnzinhos e assim assegura uma nova linhagem de seus próprios descendentes.

Nos homens o ciúme está mais ligado ao sexo, ao medo de perder a linhagem, do pavor diante da possibilidade de sua mulher ter uma relação com outro homem, de se ver comparado e ter seu desempenho sexual avaliado.

Homens acreditam que mulheres fazem sexo quando estão apaixonadas e, portanto pensam que o risco de perderem suas amadas é maior quando estas os traem sexualmente.

Nas mulheres o ciúme está mais ligado à questão emocional, da perda do afeto e da segurança.

Ser traída pode significar a perda da segurança emocional e ou material e passar por algum tipo de privação e perder a proteção.

Mulheres pensam que homens fazem sexo sem amor, então acredita que a possibilidade de perderem seus amados é quando existe envolvimento emocional do homem com a outra mulher.

Podemos dizer que o ciúme do homem é um ciúme sexual e o da mulher um ciúme emocional.

Afinal, temos ciúme do que mesmo?

Temos ciúme da infidelidade sexual, da infidelidade emocional, ciúme do trabalho do outro, do tempo do outro, da atenção do outro, da admiração do outro, da internet, da pornografia e tantos outros.

Por que ocorre o ciúme?

Constatação da infidelidade do outro; Desejo de manter o outro na relação, uma vez que se sente ameaçado pelo rival; Sentimentos de desconfiança ou de insegurança em relação à fidelidade do outro e até mesmo por incapacidade em compartilhar o afeto do outro com outras pessoas.

Temos um Ciúme do Bem e um Ciúme do Mal:

Ciúme do Bem é aquele que fortalece a relação, protege, resgata a auto- estima,  através do cuidado, da atenção, fazendo com que a pessoa se sinta querida e amada.

O ciúme do bem é aquele que não afeta negativamente o relacionamento e funciona como proteção, elevando o moral do parceiro.

O perigo mora na casa do exagero.

O ciúme do mal é aquele ciúme em excesso, que poderá inviabilizar o relacionamento, tornando-o perigoso.

Primeiro a desconfiança, depois acusações, monitora e vasculha a vida de forma invasiva e ofensiva, e por fim mata, é o ciúme patológico, onde encontramos os crimes passionais movidos pela paixão e violenta emoção.

Este comportamento anormal e fora de controle poderá ter causas variáveis, desde uma doença mental como a esquizofrenia, delírio de ciúme do alcólatra ou qualquer outro desequilíbrio da bioquímica cerebral.

Pode ser também, um mecanismo de defesa do ego chamado projeção, o qual projeta no outro, seus próprios desejos (eu é que gostaria de trair) e assim acusa o outro de traição, geralmente é um processo inconsciente.

Assume assim o ciúme um aspecto disfuncional, quando passa a dominar o relacionamento como uma obsessão pelo controle da vida do outro: viola correspondências, bisbilhota e-mails, celulares, revira bolsos e bolsas numa busca frenética pela infidelidade do outro.

O ciúme pode ser superado através da honestidade, da comunicação, do diálogo, pois falar sobre nossos sentimentos ajuda a compreender o “que” se está sentindo e o “como” se está sentindo.

E finalmente, buscar ajuda profissional para entender as possíveis causas de prováveis inseguranças, analisar o relacionamento como está e como gostaria que fosse.

Conversar de forma racional com ajuda especializada para “regular” as lentes emocionais do ciúme, que às vezes estão ampliadas, cinzentas, fora de foco ou distorcidas.

É preciso corrigir esquemas de pensamentos e emoções desajustadas, promovendo ações que possibilitem um relacionamento saudável, verdadeiro e prazeroso.

Você não deve permitir que o “monstrinho de olhos verdes” semeie discórdia na sua vida afetiva e em seu relacionamento.

Nenhum relacionamento sobrevive sem dois ingredientes básicos da relação a dois: honestidade e confiança.


Deijone do Vale

Neuropsicóloga

quinta-feira, 18 de abril de 2013

VIVENDO, MORRENDO E APRENDENDO



“Se você não sabe para onde vai, qualquer lugar serve.”
Anônimo

São exatamente dezenove horas e dezenove minutos de uma noite quente de outono.

Estou ouvindo minha música preferida: autumn rose, tudo é silêncio, quebrado pelos acordes melodiosos que invadem meu ser num misto de alegria, saudade e esperança.

E por falar em esperança, esta disposição de espírito que nos induz a esperar, de que algo bom vai acontecer, e de que tudo vai dar certo. Você também é assim?

Você está cansado? Fisicamente, mentalmente ou os dois? Acalme-se. Sente-se. Ouça o silêncio ou sua música predileta.

Tem que decidir? É sério? Mantenha a mente em paz e jamais tome decisões quando você estiver zangado.


Está com dor de cabeça? Suas têmporas estão latejando? Seu estômago está ruim?

Cuide melhor de seu corpo, ele é o templo do Espírito Santo.

O que você comeu no início da manhã? Uma maçã? Parabéns!

O quê?! Bacon?!

Almoçou? Uma deliciosa salada verde com lasquinhas de amêndoas tostadas?

Teve que dizer “não” para alguém? Foi grosseiro e deselegante? Claro que não!

Aprenda a dizer “não” com gentileza e muito, muito carinho.

Às vezes as circunstâncias não são exatamente o que esperávamos, a vida em alguns momentos nos parece tão injusta...

E daí? Não se atormente, durante uma grande parte do tempo, perdemos algumas batalhas e isso nos faz ganhar muitas guerras, não é mesmo?

Afinal, você fez o que foi preciso no momento, e isto é ótimo.

Como tem reagido às pessoas? Medo? De dizer: “eu não sei”, “me perdoe”, “desculpe-me”, “eu amo você” ou “adeus”.

Está difícil? Experimente verbalizar seus sentimentos, fará bem à sua alma.

Tem exercitado? Caminhada? Natação? Por onde anda sua “magrela/bicicleta? Está com saudades de dar umas pedaladas e contemplar a madrugada? O sol vai te encontrar ou a chuva?

As pessoas... Ah! as pessoas, sim olhe em seus olhos. Tem coisa mais bela do que olhos? Dizem muito... muito  mesmo...

Solitário? Solidão? Solitude? É um estado de espírito, mas a vida é feita de escolhas... é bom fazer escolhas sábias.

Empatia? Deveria ser condição “sine qua non” das relações humanas.

Procure tratar os outros como gostaria de ser tratado, você vai se surpreender.

Já ouviu isso? Não apresse o rio... Aproveite a experiência de viver, pare de ser duro consigo mesmo... chorar faz bem, alivia.

Seja sempre verdadeiro e diga a verdade em amor, no entanto não saia por aí falando tudo que pensa, é melhor guardar alguns detalhes para reflexão, aprendemos muito assim.

Desafios? Dificuldades? Decepções? É assim que crescemos, amadurecemos e fortalecemos nossos “músculos” emocionais, só que às vezes vai doer  um pouco, mas depois seremos pessoas melhores.

Ouvir? É uma arte... temos que aprender.

Olhe agora ao seu redor, o que realmente você está vendo?

Ouça... respire profundamente, sinta o ar, inspire, expire, respire, solte o ar, aprenda a acalmar seu corpo respirando corretamente.

Preste muita atenção às pessoas a sua volta, aprenda a identificar necessidades nos outros, seja um pacificador, o mundo necessita urgentemente de você.

Ajude alguém pelo menos uma vez no dia, é um ótimo exercício de cidadania, e depois aproveite seus momentos de descanso, tirando uma soneca que irá revigorar o seu espetacular cérebro e prepará-lo para ideias geniais de como fazer a diferença a onde você se encontra.

Tenha amigos, cultive suas amizades, aprenda a livrar-se de ressentimentos, mágoas e outros entulhos que podem impedi-lo de viver uma vida saudável.

Seja cuidadoso com o que sai de sua boca, pois palavras são poderosas.

Aproveite as oportunidades para sorrir para alguém, cumprimente sem esperar resposta, e finalmente nunca deixe alguém sair de sua presença pior do que chegou, faça disso um estilo de vida.

Sorria de você mesmo e lembre-se, você ainda vai dar boas gargalhadas de muita coisa que já te causou medo.

Afinal, nascemos para um nobre propósito, descubra o seu.


Ouça a música Autumn Rose  





Deijone do Vale
Neuropsicóloga


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Você é Ciumento?




O ciúme é um sentimento natural do ser humano provocado pela falta de exclusividade sobre o sentimento de alguém.

Ele pode ter um caráter positivo ou negativo. Quando atinge o sentido de cuidado ou zelo por alguém, pode ser um sentimento benéfico. Por outro lado, quando há egoísmo ou controle excessivo, o ciúme pode transformar-se em paranoia.

Ouça a entrevista da Dra. Deijone com Luiz Geraldo da Rádio CBN Goiânia transmitida no programa "Bem Viver".



Fique atualizado acesse o site da CBN Goiânia








terça-feira, 2 de abril de 2013

Irresistível Impulso



...não somos nós mesmos
Quando a natureza, ao sentir-se oprimida, ordena à mente
Que sofra com o corpo.
 SHAKESPEARE,  Rei Lear


Imagine você, tendo um impulso irresistível para furtar aquele pequeno vidro de perfume, de que você não precisa e nem verdadeiramente deseja.

O gesto furtivo quase involuntário de suas mãos agarra o objeto,     enquanto seus olhos piscam alucinadamente, fitando hipnotizado o frasco de perfume ordinário.

Sente que suas têmporas latejam num furor ardente, sua garganta está seca, o suor escorre em pequeníssimas gotículas deslizando pela testa e naquele instante experimenta uma tensão enorme e crescente, como o ribombar de um trovão.

 A adrenalina derrama-se feito um filete de mel inundando o seu interior, num misto de extremo prazer e alívio.

Após o furto, o cérebro libera uma boa quantidade de dopamina, acionando o sistema límbico, ocasionando uma intensa emoção prazerosa de recompensa, é como se um delicioso chocolate quente escorresse suavemente pela sua garganta, acalmando o estomago nauseado pela tensão.

Aperta com força o pequeno frasco e vai embora, levando-o na bolsa.

Mas, como  em um filme de câmara lenta, aquela euforia e bem-estar, vai dando lugar a  uma sensação de estranheza.

Retira o pequeno perfume da bolsa e aspira sofregamente o seu odor, o cheiro enche suas narinas como uma bofetada, e uma sensação de culpa, arrependimento, vergonha e remorso invade sua mente.

Atira longe o pequeno frasco, que se parte em mil pedaços, assim como o seu coração, a inutilidade do objeto é como o leite derramado no caríssimo tapete persa.

Olhe para a furtadora de perfume: aparentemente alguém comum, completamente normal, nada que identifique o descontrole emocional ou algum traço à mostra que indique desordem mental, a não ser o impulso compulsório de furtar.

Falta de caráter? O quê? Moral comprometida? Decididamente NÃO!

É uma patologia chamada cleptomania, uma doença psiquiátrica, geralmente crônica, com breves, médios ou longos períodos de remissão.

A manifestação da cleptomania está condicionada a uma extrema ansiedade e impulsividade incontrolável de furtar, geralmente objetos sem grandes valores monetários.

O psiquiatra suíço André Matthey foi o primeiro a utilizar o termo Klopemanie para aqueles indivíduos que cometiam roubos impulsivamente de objetos irrelevantes , mais tarde os médicos franceses Marc  e  Jean  Esquirol, alteraram o termo para Kleptomanie, atribuindo o ato de furtar a uma doença mental, e realmente, é um transtorno de controle dos impulsos.

A falha em resistir ao impulso de furtar se traduz numa crescente ansiedade antes do ato, o alívio emocional subjacente apoia a hipótese de uma disfunção ou falha na produção dos neurotransmissores responsáveis pelo controle dos impulsos.

O sujeito portador da cleptomania, vivencia a angústia do ato, e muitas e muitas vezes sofre silenciosamente a vergonha, a incompreensão interna e externa.

O diagnóstico da cleptomania, geralmente não é algo fácil, envolve o sistema legal de leis, e distinguir um ladrão que burla a lei de um cleptomaníaco é tarefa árdua, mas não impossível, e em algumas situações, esbarra no desejo do cleptomaníaco de se esconder devido a vergonha, por isso não buscam tratamento especializado.

A cleptomania prejudica a vida social, familiar e ocupacional do indivíduo, motivando discussões acaloradas entre judiciário, psiquiatria e neuropsicologia.

O início pode ser na infância ou no final da adolescência e continuar anos a fio.

Outra hipótese é um sentimento de solidão vivenciado pela pessoa, como sentimentos de insegurança, uma carência psíquica por carinho e atenção.

Interiorizamos formas de autocompensação pela falta de atenção, de carinho e diálogo, que por sua vez poderá desenvolver disfunções emocionais e comportamentais.

Ansiedade demasiada para o psiquismo infantil poderá resultar em transtornos comportamentais e em patologias, expressando uma falta, uma necessidade não suprida ou negligenciada.

Conflitos emocionais afloram através de episódios mal resolvidos, estímulos aversivos que incidem sobre a mente infantil, desembocando em doenças.

São aquelas angústias encarceradas que não se expressam de forma adequada e saudável.

Pense em um quadro mental,  uma criança, um pequenino sózinho em seu quarto, no escuro, ouvindo os pais brigarem, se agredirem física ou verbalmente.

Qual é o impacto disso sobre o psiquismo infantil?

Sente-se indefeso, sozinho, e lá na escola... Ah!  a escola... Começa a furtar pequenos objetos que acaricia em seus momentos de solidão.

Isso pode ser a expressão do medo, da ansiedade e da angústia.

Quando tudo isso começou?

Quem sabe?

Será naquele instante quando se sentiu insignificante diante de um mundo adulto, imenso, frio e conturbado?

Os pais correndo apressados, tão atarefados, tão responsáveis com seus horários, com seus negócios, com suas vidas... não tem tempo para “olhares”.

E você? Então? Como é? Começou a sentir prazer em subtrair pequenos objetos e que depois se arrependia e os jogava fora, como numa tentativa de se purificar.

Amedrontava-se?  Ficava com culpa, vergonha e dor... Que tripé!

É... uma alma pede pouco, quem sabe um pouco mais de cuidado, um pouco mais de afeto.  Só isso!

Senão, mais tarde é necessário muito mais, é necessário tratamento psicológico, medicamentoso com fármacos que combatem a ansiedade e a depressão.

É possível a prevenção, e esta se expressa no olhar, na fala, no diálogo, na comunicação clara, na qualidade dos afetos e dos relacionamentos.

Nosso olhar deve ser ampliado 360º para compartilhar o amor, demonstrá-lo e ratificá-lo se necessário for.

Nada substitui o afago de uma mão, a ternura de um olhar e a doçura de uma palavra.

Ame... Respeite... Cuide... Eduque... Converse... Observe... Observe... Observe... SEMPRE!




Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 22 de março de 2013

BULLYING  –  Essa “brincadeira” é séria!
 
 
“Não nascemos vítimas, mas nos tornamos”
Simone de Beavoir
 
 




Você sobreviveu a um bullying? Traumatizado?
 
Sentiu medo? Indefeso?
 
É difícil pedir ajuda? Insegurança?

 
Ficou em silêncio? Vingar?
 
Deixar a escola? Vergonha?
 
Vontade de morrer? Deprimido?
 
É possível que todos estes questionamentos tenham um “sim” como resposta.
 
O termo Bullying vem do inglês (bully – valentão) e tem sido utilizado para descrever a prática de ações ou atos, caracterizados por um comportamento violento, recorrente e intimidador.
 
O propósito intencional de provocar dor em todas as suas dimensões, seja dor física, psicológica e ou moral é o que norteia o agressor no fenômeno bullying.
 
Este comportamento do agressor é repetitivo, altamente negativo, promovendo uma relação desigual, onde um detém o poder, e o outro é massacrado através da intimidação, do medo, da ridicularização, da ofensa, da difamação e de ataques à integridade física da vítima.
 
Abusos psicológicos do bullying são manifestados através de insultos, verbalizações contra a honra, contra a auto-imagem, rebaixando e ridicularizando aspectos físicos, estéticos, sócio-econômico, familiares, religiosos, de orientação sexual ou qualquer outra característica que alimente o menosprezo do agressor ou grupos de agressores.
 
Agressores assim, podem também ter sofrido o mesmo tipo de abuso e reproduzem estes comportamentos agressivos, destrutivos e auto-destrutivos, numa tentativa frustrada de vingança e reparação.
 
A vítima de bullying poderá desenvolver comportamento de extrema ansiedade e atitudes de auto-extermínio como o suicídio, devido a intensa carga emocional, desproporcional à sua capacidade psíquica.
 
Sinais de alerta devem ser observados como dificuldades psicológicas, marcas físicas de agressão, isolamento, desatenção ou apatia, pessimismo, inquietação, nervosismo, tristeza, queda do rendimento escolar, e sintomas psicossomáticos, como dores de cabeça, diarréias, inapetência, dores no estomago, insônia ou hipersônia entre outros.
 
Bullying acontece em qualquer ambiente ou circustância onde exista interação humana, principalmente em relações diárias e constantes como nas escolas, nas empresas e na vizinhança (comunidades).
 
Essa condição de bullying, onde persiste o ataque, devasta a auto-estima, a confiança nas relações e vínculos humanos, desestruturando a vida psíquica da vítima e tornando-a refém de um contexto específico.
 
A construção da personalidade (temperamento e caráter), especificamente o caráter, com os valores morais, códigos de conduta e de bons costumes de uma geração inteira, poderá se comprometer, se não houver vozes que se levantem para construir medidas educativas eficazes, que visem a dignidade da pessoa humana. É uma questão de saúde pública dos valores éticos, e isto é uma emergência social.
 
Você que foi ou é vitimizado, precisa abrir a sua boca e pedir socorro, não pode se ocultar no silêncio, este sofrimento imposto tem que parar.
 
Para tanto, é necessário o apoio de toda uma comunidade, para o enfrentamento, a denúncia, o esclarecimento, a busca pela proteção para as vítimas, que também necessitam modificar o seu padrão comportamental, através de apoio especializado, seja ele psicológico, médico ou jurídico.
 
É emergente um basta a esse conjunto de violências esculpidas, seja física ou psicológica e para que isto aconteça é necessário coragem para denunciar, pois um estresse crônico devido ao bullying compromete o sistema neuropsicológico de qualquer um a ele submetido.
 
É provável o desencadeamento de ansiedade social, por conta do bullying, desde sudorese, até distúrbios graves de ansiedade como o transtorno do pânico.
 
A psicoterapia de suporte é fundamental, tanto para a vítima, como para o agressor e deve ser implementada, no sentido de assegurar apoio para o tratamento das disfunções e promover o treinamento de atitudes assertivas e saudáveis.
 
Somos todos responsáveis por essa busca e disseminação do respeito às individualidades, diferenças e singularidades de cada um.
 
Somos elos de uma mesma corrente, somos singulares em nossa humanidade, e onde um elo se rompe, ali provavelmente existe dor e sofrimento e você poderá contribuir, educando, aconselhando, informando, acolhendo, prevenindo, identificando, se envolvendo, se comprometendo em realizar a sua parte.
 
Não podemos dizer, isto não é comigo, pois o respeito, a solidariedade e a moral, estes devem ser cultivados como pérolas dentro de nós.
 
Cada cidadão do mundo deve dar a sua contribuição, auxiliando na transformação dos agressores e de suas vítimas.
 
Você também é responsável!
 
 
 
Deijone do Vale
 

Neuropsicóloga
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

SUICÍDIO – Uma Vida Interrompida



“Com a ajuda do espinho em meu pé, pulo mais alto do que qualquer um com pés sadios”
Kierkegaard




Você algum dia se perguntou porque as pessoas se matam?
Provavelmente já ouviu histórias trágicas, tristes, comoventes e chocantes.

Tudo isto nos reporta ao sentido da vida e como já disseram outros antes de mim, é preciso realizar  as grandes tarefas existenciais: viver no tempo, viver neste mundo, viver e conviver com outros... e com o radicalmente Outro: DEUS.

É bom quando vivemos em comunhão, é muito bom uma convivência amorosa e como sinalizou tão bem, Martin Buber, este grande pensador de nossa época, basta recordarmos a dimensão hermenêutica da sua obra sobre a Bíblia (traduziu a Bíblia para o alemão), sobre o Judaísmo, o que reforça o conceito de “relação”, o que ocorre entre seres humanos e entre o homem e Deus.

 


Martin Buber em seu livro EU E TU, fundamenta a experiência da responsabilidade como consciência, quando projetamos a nossa subjetividade na objetividade do outro e que por sua vez fundamenta objetivamente a nossa subjetividade.


Então? O que devemos ao outro?

O  termo, a palavra suicídio, vem do latim sui (próprio) e caedere (matar).

Desfontaines em 1737, definiu suicídio como Sui Caedere: matar a sí mesmo, e duzentos e tantos anos depois, especificamente em 1947, Deshaines, conceituou suicídio como a morte intencional de sí mesmo.

Se analisarmos o suicídio pelo paradigma psiquiátrico, poderíamos afirmar que todo sujeito quando suicida, sofre de alguma  enfermidade mental, pelo menos no momento em que comete tal ato.

Suicidou-se por quê?

Da perspectiva do paradigma psicológico, diríamos que fatores de cunho pessoal e motivações personalíssimas, conscientes ou inconscientes, são condições necessárias para o suicídio, assim como personalidades anormais e com temperamento impulsivo.

O que nos  chama a atenção em uma parcela significativa de suicidas  é o que consideramos “Erro Existencial”, que revela a consciência da significação ou direção da vida e consciência do fracasso.

Transtornos mentais e suicídio caminham de mãos dadas. A depressão responde por 50%  dos suicídios, o alcoolismo por 25%, esquizofrenia por 11%, transtornos de personalidade por 9% e sem transtornos mentais 5%.

O comportamento de ideação suicida está associado a uma visão negativista diante das vicissitudes da vida ou da impossibilidade em vislumbrar alternativas para conflitos internos, e a opção pela morte é a resposta do indivíduo.

Se compararmos o perfil  neuropsicológico de indivíduos portadores de Transtorno Limítrofe de Personalidade com os sujeitos que apresentam condutas suicidas  podemos observar uma alta correlação de impulsividade que atuam como marcadores para a predisposição ao suicídio.

Por exemplo, em sujeitos portadores de Personalidade Borderlaine, observa-se uma deterioração neuropsicológica dos domínios cognitivos dorsolateral, prefrontal e orbitofrontal, e estas deteriorações afetam as funções executivas, que por sua vez intervem e desequilibram a tomada de decisões racionais, promovendo rigidez cognitiva e comportamento auto-agressivo, sugerindo assim um substrato neurobiológico.

O dia em que ocorreu o suicídio, provavelmente  algum evento disparou o gatilho para o ato em sí.

É importante alertar sobre  a relação entre índices elevados de suicídio e número de  armas de fogo, ou seja, muitos portadores de armas, maior incidência de suicídios por armas de fogo, assim também fica o alerta para tentativas frustradas de suicídio, que podem ser consideradas um pedido de socorro e também um fator de risco, pois podem tentar novamente.

Quanto aos fatores de risco para o suicídio podemos afirmar que os transtornos psicológicos lideram a lista, em seguida abusos de substâncias como o álcool ou outras drogas, problemas de desestruturação (familiar, amorosa e financeira), poucas amizades, isolamento, planejamento suicída, desemprego, impulsividade, discriminação entre outros, tudo isso poderá provocar pensamentos e atos suicidas.

Segundo os especialistas em Suicidologia a prevenção do suicídio deve ser uma preocupação não apenas dos profissionais ligados a área da saúde, mas de toda a comunidade humana.

A intervenção em momentos críticos da ideação suicida deve promover o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, assim como os cuidados da própria família, e até a internação em casos graves.

É importante monitorar as ações do individuo  retirar o acesso a armas de fogo, venenos e outros riscos ambientais.

Necessário se faz o acolhimento, o cuidado e os afetos, pois estas ações farão toda a diferença.

A intervenção é necessária,  é uma emergência, tanto psicológica como farmacológica, conforme o caso em questão.

É preciso coragem para se renovar e não deixar os sonhos se perderem.

É  preciso saber viver!



Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PAIXÃO

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”
                         William Shakespeare
                                          (Hamlet)
 
Paixão, você já sentiu isso?
Essa coisa que move impetuosamente a alma de forma particularmente ardente, este sentimento forte e profundo que arrebata o nosso cérebro e faz o coração dar pinotes?
Ah! Então, você sabe do que estou falando... Provavelmente, em algum momento de sua vida, você se sentirá arrebatado pelo outro, faz parte da condição humana.
Difícil?  Também acho. Ninguém disse que seria fácil.
Mas... Porém... Contudo... Todavia... Entretanto... Parece que amamos amar. Será?
É a natureza humana!
A paixão é como um raio fulminante em um céu de brigadeiro surge inopinadamente e é sentida como uma corrente elétrica de 1000 volts e que coloca nossos neurônios em sentido de alerta.
Imagine um mar encapelado, com ondas altas e revoltas numa zona de arrebentação e que se quebram em um torvelinho de espuma, assim é a paixão.
Um sentimento extravagante, um júbilo interno que se move à velocidade da luz.
Experimente para você constatar.
As emoções do apaixonado podem ficar fora de controle, nosso cérebro recebe e interpreta toda e qualquer informação, seja sensorial, de linguagem corporal, verbal ou visual, como se fosse uma expressão da  declaração de amor do outro.
É, realmente, perdemos a noção de razão e lógica.
Nossos recursos cognitivos conspiram contra nós (lembranças, cheiros, sons, música), expressando a imagem e o desejo pelo amor do outro.
Os bilhões de neurônios criam uma rede de conexões que nos aciona em movimentos motores (senta, levanta, anda e corre) sem necessidade específica e nos leva a manifestar comportamentos que não prevíamos.
Ficamos literalmente hipnotizados, poderíamos facilmente ser classificado como um idiota, e é claro que não somos, mas parecemos, nos transformamos, ficamos com a boca seca, mãos úmidas, tremores, suores, coração em plena taquicardia parece que vai saltar pela garganta.
É demais você não acha?
Se for necessário exibirmos nosso QI (Quociente de Inteligência) para qualquer assunto provavelmente será classificado entre idiota ou imbecil acentuado.
Pode um negócio deste?  É possível?
É verdade! Apaixonado é bobo mesmo. A gente só falta babar pelo outro.
A paixão aparentemente produz uma deficiência intelectual que pode ultrapassar os limites da debilidade mental. Provavelmente estou exagerando um pouquinho só, mas é mais ou menos dessa forma.
Sabemos que estados emocionais como o da paixão podem inibir as funções mentais e reduzir de modo dramático o rendimento intelectual e esta inibição emocional, ou seja, este “ataque de estupidez” é uma experiência conhecida entre os apaixonados, principalmente para nós tímidos.
Gaguejamos, nos atrapalhamos, trocamos as palavras, esquecemos o que íamos dizer, enfim, metemos os pés pelas mãos.
É um Deus nos acuda. Socorro!
Está rindo de quê?
Aguarde, sua vez chegará.
O amor é lindo! Suspiros, suores, olhares apaixonados, frio na barriga, borboletas no estomago, aceleração cardíaca, peito saindo fumaça, a flecha do cupido atingiu o seu cérebro, de cheio no centro da ínsula.
Logicamente tudo isto misturado com nossos fatores genéticos, culturais e sociais.
Todo o nosso cérebro se modifica devido à química das substâncias que produz, elevando a frequência de batimentos cardíacos e respiratórios assustadoramente, parece que você subiu uma escada de 700 degraus, você está ofegante.
Se preparando para uma maratona? É o que parece.
A pressão arterial alcança picos elevados, as pupilas dilatam, podemos ter tremores, rubores ou palidez, perda do apetite, do sono e da concentração.
Puxa! Parece que estamos seriamente doentes.
É a dopamina que está em plena ação, agitando as regiões específicas do sistema límbico e deixando tudo potencializado pela emoção.
As estruturas ativadas no cérebro do apaixonado são as do córtex pré-frontal, núcleo caudado e a área tegumentar ventral, áreas que estimulam os circuitos de recompensa, liberando endorfinas, dopamina e noradrenalina.
E é aí que reside o perigo, pois muita adrenalina, oxitocina e cortisol (hormônio do estresse), secretado pela glândula adrenal, desequilibram nossas emoções.
Doente de amor, já ouviu isto?
É a pura verdade, não comem, emagrecem de amor, tudo isso porque a adrenalina secretada pelo cérebro do apaixonado e pela glândula adrenal é um inibidor natural do apetite e do sono.
O  S.N.A. (Sistema Nervoso Autônomo) é ativado durante as emoções e passamos a comportar às vezes de forma irracional, isto talvez se deva ao sistema límbico.
O amor e a paixão podem ser medidos pelo hormônio dopamina, um neurotransmissor que aciona os centros de recompensa e de prazer do nosso cérebro.
É verdade, a importância dos neuroquímicos  e dos circuitos cerebrais na fisiologia da paixão, é o caso da feniletilamina, um neurotransmissor cuja produção pode ser desencadeada por um simples toque de mãos ou uma troca de olhares.
Incrível, não é mesmo? Estas são as sensações e mudanças a nível fisiológico que experimentamos quando nos apaixonamos.
É inegável a importância dos sentidos nos arroubos da paixão, veja por exemplo a  visão, numa troca de olhares, automaticamente é ativado o neocórtex especializado em avaliar e selecionar.
A audição se prende ao que se fala e ao tom de voz, estes possuem efeito na escolha do parceiro, assim como o tato, considerando que temos aproximadamente dois metros quadrados de pele com milhões de receptores, enviando seus impulsos nervosos do cérebro para a medula e que nos mobiliza em termos de imaginação, emoções, atividade motora e memória.
E o que dizer do paladar? A língua é a base do paladar, e a boca riquíssima em sensibilidade, talvez uma das partes mais sensíveis do corpo humano, basta lembrar do bebê na fase oral, onde sua boca é a sua primeira fonte de prazer.
E o olfato?
Ele propicia um efeito direto em nossa afetividade. Cheiros? Odores?
Aí podemos nos perguntar, até que ponto o amor é uma reação química?
Odor corporal é algo para se pensar: o mesmo perfume em pessoas diferentes produz odores diferentes.
Enfim, o nosso espetacular cérebro atribui valor positivo à companhia de outra pessoa.
E em Gênesis - (Gn. 2:24), está escrito: “Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
 
Deijone do Vale
Neuropsicóloga