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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

ENCERRANDO CICLOS : (relacionamentos, situações) ... Vivendo o novo nas crises...

 


 

“Há duas maneiras de sermos enganados: Uma é acreditar no que não é verdade e a outra é se recusar a acreditar no que é verdade.”

 

Algumas condições do nosso paradigma psicológico é fruto de vivências e experiências, com seus fatores motivacionais personalíssimos conscientes e inconscientes. 


Nosso mundo interior reflete e reage através das ações disparadas pelo sistema límbico, esse espetacular cérebro emocional com suas estruturas crivadas de emoções e sensações viscerais em resposta ao mundo externo.

 

O sistema neural através de seus mecanismos de conexões e de uma rede de sensações prontas a ativar um leque multicolorido de memórias emocionais, capazes de promover o controle ou descontrole, se desorganizando através de sequestros emocionais, que bloqueiam as defesas racionais e lógicas.

 

Sequestros neuronais tornam-nos destrutivos em nossos relacionamentos, defensivos ao menor sinal de alerta, ao ponto de cometermos erros grosseiros, sedimentados em duelos emocionais, que expõe pontos vulneráveis de nossa memória emocional de alto impacto, totalmente disfuncional e desadaptado.

 

Quando a interpretação do sistema límbico é coerente com padrões lógicos e assertivos, nossas habilidades emocionais são compatíveis com a realidade, e promove comportamentos efetivos no enfrentamento de situações adversas, numa perspectiva favorável e ampla do nosso aqui e agora.

 

Uma consciência clara e centrada no princípio da realidade e não no princípio do prazer imediatista, fortalece atitudes e condutas que nos impulsiona à vida, renovando nossa energia vital e promovendo mudanças na bioquímica cerebral, liberando porções de dopamina que irão ativar os circuitos neuronais com uma deliciosa sensação de plenitude.

 

Estamos enfrentando uma crise mundial, provocada pela pandemia que afeta a todos, gregos e troianos nesse tempo de Coronavírus.

 

Você se sente em crise?

Quem é você diante da crise?

 

Geralmente crises tem o potencial de provocar mudanças profundas, crescimento,  amadurecimento emocional e grandes aprendizados.

 

Crises de certa forma expõe nossa dignidade, pode nos assombrar e revelar o nosso calcanhar de Aquiles, mas crise é também um lugar de aperfeiçoamento, onde faremos descobertas incríveis que não puderam ser encontradas na placidez de uma vida, mas no caos.

 

Crise exige posicionamento, e é natural sentir medo, mas não é normal viver com medo, por isso nossas ações e reações devem ter o foco na fé, que impulsiona e fortalece nosso espírito e também, na verdade da Palavra de Deus, como está escrito em 2 Crônicas 20:17 – “Vocês não precisaram lutar nessa batalha. Tomem suas posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o SENHOR dará, ó Judá, ó Jerusalém. Não tenham medo nem desanimes. Saiam para enfrentá-los amanhã, e o SENHOR estará com vocês.”

 

Quando eu era uma estudante de Psicologia, numa certa tarde, encontrava-me nos corredores da PUC (Pontifícia Universidade Católica de Goiás), rindo e tagarelando banalidades em um grupo de matadores de aula, enquanto minha aula acontecia...

 

Meu professor de Psicologia Social, um jovem padre na época, me viu, aproximou-se, me olhou firmemente nos olhos e disse:  ”Deijone, se o cedro do Líbano está assim, o que será dos pinheirinhos? 

 

Devo ter corado de vergonha!  Assumi imediatamente, minha posição de aluna disciplinada e voltei para a sala de aula, pensativa e envergonhada. Essa foi uma grande lição!

 

O nosso posicionamento é fundamental em qualquer situação, e jamais devemos abrir mão de nossos valores, e o caráter deve ser o reflexo desse comprometimento. 

 

Posicionamento é tudo, ele te identifica e autentica suas prioridades, sendo uma chave para abrir espaço diante de novos níveis, novos ciclos e até novas dimensões.

 

As estações da alma precisam ser renovadas, ambientes mudados, algumas portas fechadas e outras abertas, esse movimento é necessário para um tempo novo.

 

É necessário também, maturidade para dizer adeus às pessoas e situações, deixe para trás, confusões, mal entendidos, vá embora com classe, sem gritaria, sem silêncios raivosos, sem palavras indelicadas, mas com leveza, honra e respeito, isso te fará mais forte, mais resoluto, sobretudo, demonstre gratidão, pois ela é um bálsamo para a nossa alma.

 

Fechar portas e encerrar circunstâncias, nos fala de propósito de vida, isso é importante para que o novo se faça presente, seja descoberto e ampliado através de um novo olhar e uma nova consciência.

 

Sair de um ciclo, e passar para outro nível, é um movimento de fechamento e ampliação de fronteiras, concluindo situações, relacionamentos e histórias que não mais faz sentido para o nosso crescimento e amadurecimento.

 

Saía da sua zona de conforto, adentre solenemente outros horizontes, novas aprendizagens, novas visões de vida, isso se torna inegociável frente às demandas, vivências e experiências que temos que vencer.

 

Aprenda a cruzar desertos com sabedoria e graça, sim, podemos atravessá-los e aprender lições especiais de vida, lições necessárias e úteis, para descortinar novas perspectivas, mas é vital encerrar ciclos de vivência, que por mais que procrastinamos, chega um momento em que devemos encerrar essa etapa da vida. 

 

É preciso coragem, força e fé, porque assim iremos avançar em obediência, abandonando pedras de tropeço, que impedem a renovação e leveza de espírito.

 

O passado algumas vezes é um grande cativeiro, que nos cega e obscurece vislumbrarmos novas posições.

 

Avante! Avance para o novo tempo com ousadia em seu presente, em seu aqui e agora, se desvincule de tudo que não tem mais sentido com o seu presente, considerando que também não fará parte do seu futuro.

 

Encerre essas situações e etapas com o coração confiante, perdoe se necessário, deixe lugares e algumas pessoas e siga a caminhada, porque se não deixarmos ir, isso se torna nocivo e impede alcançarmos novos ciclos, que nos impulsionam para frente, e muitas vezes, não crescemos e avançamos é porque estamos presos ao passado e nos recusamos a renovar e amadurecer enquanto pessoa.

 

Faça uma saída triunfal, amorosa, com delicadeza, assim como foi sua entrada, saía com educação, seja leve, despeça se possível e agradeça a oportunidade.

 

Muitas vezes não será fácil encerrar nossos contatos com algumas pessoas, e eventos da vida (amizades, trabalhos, relações, ambientes, negócios, etc.), pois deixar coisas e pessoas são tarefas  existências necessárias e exigem um certo grau de  ruptura, uma vez que estas, não poderão continuar a jornada com você, diante de sua nova caminhada.

 

Encerre esses desafios com discernimento, não insista em permanecer atrelado  ao passado, a transição se faz andando para frente, e a sua metamorfose não comporta carregar fardos pesados e desnecessários, portanto, perdoe se necessário for e avance, deixe ir,  pois algumas coisas e pessoas não mais fazem parte de sua vida.

 

Avance na jornada, que muitas vezes será solitária, mas gratificante, com um novo brilho no olhar, vá em paz, com autoridade, grandeza, nobreza de alma e liberdade.

 

Não retroceda em sua caminhada, apenas olhe para trás, para ver o quanto avançou, encerre esse passado com dignidade.

 

Existe um novo lugar para o seu coração, mas para que isso aconteça, é necessário domínio próprio, um dos frutos do espírito, fé em Deus e em suas promessas.

 

Na minha experiência como psicóloga clínica, posso dizer assertivamente, que sou usada para curar pessoas e dar suporte emocional, em áreas na qual fui ferida, e é exatamente nessas áreas que Deus envia pessoas para serem curadas.

 

É um paradoxo, o curador ferido, mas sarado.

 

Sofrimento nos amadurece, mas depende do nosso posicionamento, por isso tire proveito dessa dor, aprenda lições preciosas, fique apenas com as cicatrizes e nunca cultive a amargura, o ressentimento ou a vingança.

 

Feridas necessitam de boa cicatrização, pois feridas mal curadas, ou mal cicatrizadas, sempre doem.

 

Não admita que pessoas toquem suas feridas propositadamente, com a intenção de machucar, mas também não reclame daquilo que você permite.

 

Quando você permite uma boa cicatrização, essa cicatriz autentica sua autoridade nessa área e pessoas serão curadas através de você.

 

Quantas pedras preciosas se escondem sob o cascalho, assim são nossas feridas e situações dolorosas, que trazem em seu bojo, aprendizagem, conhecimento e autoridade.

 

A realidade espiritual é ancorada na fé, que abre nossos olhos e mente para não desistirmos e resistirmos até o fim, e entendermos com quem na verdade é toda essa guerra, pois na Palavra de Deus está escrito: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra o príncipe das trevas desse século, contra as forças e hostes espirituais da maldade, nas regiões celestiais”. (Efésios  6:12).

 

A minha oração hoje, para você, é que Deus te faça um pacificador de almas.

Amém!

 

Dra. Deijone do Valle

 Neuropsicóloga

domingo, 3 de maio de 2020

MIPHKAD (Porta da Guarda): O Mundo lava as mãos...





O amor é um poder ativo na humanidade, um poder que atravessa as paredes que separam os homens de seus irmãos seres humanos, que os une com os outros; o amor o faz suportar o sentimento de isolamento e de separação; o amor também o permite ser ele mesmo a fim de manter sua integridade.  A inveja, o ciúme, a ambição e todo tipo de ganância são paixões; o amor é uma ação, um poder humano que só pode ser praticado em liberdade e jamais como resultado de uma compulsão.”     (Erich Fromm).

A arqueologia e algumas referências literárias nos mostram a natureza das portas antigas, revelando o tipo de material usado, as linhas e estruturas arquitetônicas, a que serviam tais portas, e até as posses financeiras do construtor, por exemplo, a porta de uma tenda, é confeccionada com  pele de animais ou mesmo um pedaço de tecido, são inúmeros os materiais utilizados (madeira, metal, vidro, pedras), algumas são ornamentadas com entalhes e outros enfeites e mesmo inscrições. 

Portas nos falam de segurança, de algo a ser protegido e guardado. Sim, portas são fascinantes...
Hoje nossas casas estão com as portas fechadas, devido ao isolamento social, uma forma de se resguardar, para não ser contagiado pelo novo coronavírus, evitando assim a COVID19.

Minha rua ficou silenciosa, posso ouvir o trinar dos pássaros nas manhãs ensolaradas e identificá-los pelo canto singular, e ver aqueles belos e raros casais de pica-pau no cajueiro do jardim, brincando alegremente na ramagem, com seu colorido rubro-negro, os exuberantes bem-te-vi, fogo-apagou, pardais, sabiás de peito amarelo, canários da terra, rolinhas, pombas do bando, pequenos pássaros pretos, tiziu, tico-ticos, pintasilgos, bandos de periquitos verde-bandeira, as majestosas araras azuis que grasnam barulhentamente e sempre me deslumbram pela beleza, e até uma pequena coruja solitária que revira o pescoço e os olhos quando me vê, tem também os grandes besouros nas flores de maracujá fazendo a polinização, mas eles são assustadores com seu ferrão e o zumbido de helicóptero, as pequenas e laboriosas abelhas, as ágeis borboletas multicoloridas e os pequenos e brilhantes beija-flores.

A natureza é esplendoros, todos cantam e exaltam a majestade e glória de Deus, e alguns desses, pássaros já me surpreenderam ao entrar em meu quarto e banheiro. Amo a sua liberdade.

Neste tempo de Coronavírus, o mundo inteiro tem que lavar as mãos.
"Ter mãos limpas"; e "Vou lavar as mãos", é algo emblemático, que tornou-se na atualidade símbolo de prevenção e sobrevivência

Lavamos as mãos criteriosamente: esfregamos com água e sabão para obter bastante espuma nas palmas das mãos, depois esfregamos o dorso das mesmas, entre os dedos, nos polegares, nas pontas dos dedos, nas unhas e pulsos, e por fim enxaguamos para dissolver o novo vírus, bactérias e sujeira. MÃOS LIMPAS! 

Isso me remete ao Sinédrio, no julgamento de Jesus Cristo por Pilatos, que lavou suas mãos frente a uma multidão descontrolada e enfurecida que exigia a morte de Jesus. 

Pilatos então pediu uma bacia com água e lavou suas mãos dizendo: "Sou inocente do sangue deste justo, mas isso é com vocês."

No original grego vemos a expressão proferida por Pilatos quando lavou suas mãos: "Videus auten Pilatus quia nihll proficeret sed magis tumultus fieret, accepta aqua lavit manus coram populo, dicens innocens ego sun a sanguine lusti huius: vos videritis. Et respondeus: "SANGUS EIS SUPER NOS ET SUPER FILIOS NOSTROS."
 (Vendo Pilatos que não conseguia, conter a multidão, e que ao contrário o tumulto aumentava, mandou vir água, lavou as mãos diante da multidão e declarou: "Sou inocente deste sangue, isso é lá convosco." Todo o povo disse: O sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos. (Tradução brasileira da Bíblia).

Mãos absolutamente limpas, mas também precisamos de lavar nosso espírito, nossa alma, lavar a sujeira da consciência, no rio de águas vivas que é o Senhor Jesus, lavar nossas emoções deterioradas, lavar nossa mente de toda impureza, lavar nossa vontade do pecado e purificar nossos relacionamentos humanos e fortalecer nossa fé. Corações limpos!

O mundo depois dessa pandemia, nunca mais será o mesmo. Acredito que seremos pessoas melhores, se nos dispusermos a fazer uma reflexão sobre nossas atitudes e ações frente à vida, e principalmente no relacionamento com Deus e com as pessoas.

A “peste chinesa” colocou o mundo inteiro no “olho do furacão”, expondo nossas fraquezas, nossa pequenez, nosso orgulho, nossos medos,  angústias e pecados.

Miphkad, é uma palavra hebraica que significa, (“um lugar apontado, ordem, atribuição, mandato"), como uma porta que temos que adentrar para uma missão de grande responsabilidade, onde Deus delega uma atribuição, no sentido de “uma tropa” convocada para receber uma ordem pela qual será capacitada.

Você sabia que a verdadeira “Porta” é Cristo? Existe um propósito para cada um de nós. Qual é o seu? Busque descobrir sua missão nessa vida, nesse mundo e nesse contexto.

Esses tempos cinzento de mortes, medo e insegurança, tudo isso   reflete  nossas fragilidades, nosso tendão de Aquiles, e também nos iguala na perspectiva da finitude e da morte.

Vamos verificar uma equação de vida, a qual chamarei de Orvalho X Trovão, ou seja, Humildade X Arrogância: o orvalho da madrugada cai suavemente na terra e nas plantações e o trovão com seus raios e relâmpagos costuma anteceder com seu ribombar as tempestades. 

Qual é a sua equação?   Arrogante? Humilde?

Arrogância, anda sempre de mãos dadas com ambição pelo poder e pelas riquezas. A humildade geralmente é acompanhada pela mansidão, mas é uma virtude desprezada por egos inflados e grandiosos.

O caminho para esse tempo é o caminho da humildade, da paciência, um desafio à nossa espiritualidade em tempos de afastamento social.

Como equilibrar nossas equações de vida? 

Paulo, o Apóstolo dos gentios escreveu magistralmente sobre o fruto do espírito, essas capacidades sobrenaturais que Deus nos concede quando nossa personalidade é restaurada pela sua infinita graça.

Vamos analisar nesse tempo de  isolamento social, qual fruto do espírito, necessita ser restaurado em nossas vidas:

1 – AMOR: Deus é amor, e se não tivermos a disposição de caminhar em amor, não vamos conseguir alcançar a natureza de Cristo, pois o nosso caráter deve  ser moldado em amor; 

2 – ALEGRIA: Não podemos deixar os “dias difíceis” roubar nossa alegria (coronavírus, morte, medo, doença, desemprego, fome, privação). Alegria não é estar rindo ou divertindo, a verdadeira alegria vem do Senhor, porque a alegria do senhor é a nossa força;

3 – PAZ: A paz reflete segurança e tranquilidade, e isso somente é possível se voce desenvolver intimidade com o seu Criador, o Deus Todo Poderoso, através do Espírito Santo, nosso Consolador. O termômetro de nossa fé é a paz em todas   as circunstâncias, guardando o nosso coração e mente através da oração;

4 – LONGANIMIDADE: Deus é longânimo, e nos concede essa capacidade para que não busquemos a retaliação ou justiça própria, e tenhamos controle sobre nossa impulsividade, equilibrando nossas emoções para lidarmos com a oposição, pressão, decepções, e nos tornarmos fortes e resistentes aos ataques;

5 – BENIGNIDADE: Capacidade a nós concedida para suportar fraquezas de outros, perdoar e exercer misericórdia, capacitando-nos a cultivar um espírito brando que não fere com críticas mordazes e desprezo. Benignidade expressa a ternura do coração para suportar a fragilidade do outro; 

6 ­– BONDADE: Disponibilidade em se doar, mesmo que o outro não mereça. Não fazer uso de sua própria justiça, mas ter compaixão daqueles que necessitam, e que a bondade e a misericórdia nos sigam todos os dias da nossa vida; 

7 – FIDELIDADE: É a expressão da fé. Unidos em aliança e firmados nas promessas do  senhor, sendo a nossa fé um princípio vivo no exercício da fidelidade a Deus e lealdade aos homens. Ser fiel até a morte para recebermos a coroa da vida;

8 – MANSIDÃO: Um espírito indulgente e suave para com as fraquezas e erros alheios, ao ser injuriado não desejar vingança. Aprendendo com Jesus, a ser manso e humilde de coração e encontrar descanso para a nossa alma;

9 – DOMÍNIO PRÓPRIO: Nunca perder a gentileza no trato com as pessoas, mantendo a serenidade e o equilíbrio frente a discussões, sem guardar ressentimentos e mágoas, isso nos alerta para o auto controle  sobre as obras da carne (prostituição, impureza, idolatria, feitiçaria, lascívia, ciúmes, iras, facções, contendas, invejas, bebedices, dissensões, impureza, orgias), e tudo que entristece o Espírito Santo de Deus.

Essa pandemia tem desafiado a estrutura mundial, mas devemos ser sóbrios e não  desesperar, devemos nos consolar uns aos outros, pois existe uma redenção consumada: Jesus voltará e estabelecerá seu reino milenar aqui na Terra e reinaremos com Cristo em glória.

Nossos dias são limitados, vamos vigiar e orar, mesmo que Jesus não volte em nossa geração, pode ter certeza, Ele virá!

A Porta é Jesus, e Ele é o caminho, a verdade e a vida.
Minha oração hoje por você é que escolha adentrar a porta eterna da graça que é Jesus, o nosso Senhor e salvador da humanidade, decida responder ao seu chamado, renuncie ao mundo e seus padrões decaídos e desfrute do amor incondicional de Deus.

 Maranata!  Ora vem Senhor Jesus! Amém!

Deijone do Valle
Neuropsicóloga

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Confinamento: COVID19... extraindo novos significados do sofrimento.





“Enquanto como um paciente disposto espero poder beber poções de cura contra a minha terrível infecção; Nenhuma angústia que me cause ainda mais sofrimento, nem uma dura pena para corrigir a correção. Tenha pena de mim, caro amigo, e lhe asseguro que até mesmo sua piedade é o suficiente para me curar.”  (Soneto 111 – Carta a um Nobre Senhor – Shakespeare).


O ano é  de 2020, mas me remete a minha adolescência, quando li pela primeira vez o “Diário de Anne Frank” e sua família judia, isolada entre o medo, a coragem e o absurdo do sofrimento.

Estes são tempos do novo Coronavírus – COVID19, um vírus que veio da China, uma molécula de proteína, revestido com uma capa de gordura (lipídio), um alienígena que invade sem cerimônia, narizes, bocas, e mucosas oculares, provocando uma mutação em suas células multiplicadoras, com uma farra de sintomas como febre, tosse, pneumonia, perda do olfato e sabor, ou mesmo os assintomáticos que podem transmitir o vírus, mas que em alguns indivíduos poderá ser letal.

Sempre pensei na China como um império de primeira grandeza, um dos países mais populosos do universo, com sua cultura milenar, e suas cidades incríveis como Xangai, Beijinj, a Cidade Proibida (considerada Patrimônio Mundial da Humanidade), localizada no centro da antiga cidade de Pequim, atualmente “Palácio Museu” que durante séculos foi residência do Imperador e centro cerimonial e político do governo da China.

Coronavírus! COVID19! China! Wuhan! Imagino a Grande Muralha da China, um conjunto incrível de muros que se espalham entre o norte da China e a Mongólia, com mais de dois mil anos, erguidos sob o domínio de dinastias diferentes e que atraem milhões de pessoas.

Cidade de WUHAN, o “LOCUS NASCENDI” do Novo Coronavírus, que no apagar das luzes de 2019, fez a sua primeira vítima fatal.

Wuhan, um significativo centro econômico e comercial, destacado por pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias em suas indústrias modernas e seus importantes centros educacionais de ciência, e uma expressiva população de 11 milhões de habitantes, a qual comparo, aqui no Brasil, com a cidade de São Paulo, no entanto a metrópole chinesa protagonizou um terrível surto de um tipo misterioso de pneumonia que se transformou em pandemia, tornando-se uma grave emergência de saúde pública de interesse internacional, colocando o mundo inteiro em estado de alerta, com impactos significativos na vida dos indivíduos e na economia mundial, alastrando-se como um rastilho de pólvora, e expondo a espinha dorsal dos sistemas de saúde de todas as civilizações.

Diante desse cenário sombrio e de morte em escalada nos diversos continentes, em pleno século XXI, estamos sendo impactados por uma realidade cruel, que compromete a vida, a saúde física e mental dos habitantes do planeta terra.

Para controle do contágio, da superlotação e falência dos sistemas de saúde, medidas restritivas foram implementadas para se evitar aglomerações (quarentenas, isolamento social, distanciamento social, confinamento), fechamento de fronteiras, shoppings centers, igrejas, lojas, escolas, universidades, teatros, cinemas entre outros.

Foram instituídas medidas preventivas, como lavar as mãos criteriosamente, uso de álcool gel a 70%, máscaras e distanciamento social em bancos, supermercados, refletindo no cotidiano das pessoas, gerando ansiedade, temores, mudanças de hábito nas relações familiares e interpessoais, e  sobretudo no psiquismo individual.

Nesse contexto, é necessário o exercício diário da paciência, da tolerância, dos níveis de comunicação, da afetividade, da empatia, solidariedade e compaixão.

O que você está aprendendo dentro das paredes de sua própria casa? O que esta convivência inesperada te proporcionou? Como tem sido a sua percepção da vida? Qual o sentimento emergente diante da morte pelo COVID19?  Qual é o seu olhar para os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente? Qual o sentimento sobre a finitude de sua própria vida?  Você melhorou ou piorou enquanto ser humano nesses dias de coronavírus?  Sua escala de valores mudou?  O mundo hoje para você é...  As vozes externas são mais consistentes do que as vozes internas? 

Quando o ambiente torna-se altamente tóxico, seja pelo medo real ou imaginário, e afloram sensações psicológicas desfavoráveis (angústia, tristeza, solidão, despersonalização), sensações fisiológicas (tremores, sudorese, taquicardia, pressão alta, formigamentos e dormência, falta de ar, fadiga, fraqueza), tudo isso gerado pelo desequilíbrio emocional que promove  transtornos nos hormônios e na química cerebral, devido altos níveis de stress,, tensão e ansiedade.

Em tempos de coronavírus é necessário o isolamento social tão bem expresso no velho ditado popular: “o tiro sempre acerta aquele pássaro que bota a cabeça para fora.”
Estabeleça uma rotina nessa nova realidade, organizando suas prioridades (alimentação, exercícios físicos, limpeza, sono, descanso), aprendendo a exercitar a gentileza nos espaços domésticos, com atos de bondade e cooperação, praticando a empatia e amor ao próximo.

Aprenda a valorizar o ato de preparar sua própria comida, experimentando novos aromas e sabores, cozinhando para alimentar outras pessoas e observando suas reações.
Cultive seu jardim  com plantas que gere flores e frutos, é uma experiência ímpar colher seus próprios frutos. É um exercício de paciência, a espera da colheita.

Leia novos livros, escreva sua história de vida, cante, dance, ore para as outras pessoas, lave a louça, evite a inércia e o vazio, desenvolva a alegria e o prazer em oferecer um chá para seus familiares e degustar o sabor calmamente,  sem pressa,e a minha receita de chá delicioso e relaxante vai aí: 1 litro de água filtrada e fervente; 4 maracujás médios bem lavados e cortados com a polpa e casca e triturados no liquidificador com a água quente e com 4 folhas de capim cidreira (erva-cidreira), coe, adoce com mel ou a gosto, pode ser servido quente como chá ou gelado para ao tardes de verão, ele fica um chá espesso, devido a pectina da casca do maracujá, e é delicioso.

 Busque o estreitando dos vínculos de amizade, respeito,  evitando ideias e conversas desagradáveis e negativistas, tente elevar as taxas dos hormônios do prazer e bem estar como a Serotonina, que será produzida ao contemplar a beleza da natureza, ou trazer à memória boas recordações; a Endorfina pode elevar ao sorrir para as pessoas ou sorrir de você mesmo, e a Oxitocina será produzida,  fortalecendo a sua fé através da oração, dos cânticos de louvor, adoração e gratidão.

Aprenda a acalmar a sua mente, controlando seu corpo físico com a prática da respiração profunda até sentir o ritmo normal das batidas de seu coração. Inspire profundamente e expire lentamente soltando o ar pela boca e assim até se acalmar e relaxar.

Traga à memória, suas superações conquistadas ao longo da vida e não se deixe dominar por pensamentos invasivos  de temor e que geram ansiedade.

Esse é um momento de recolhimento, mas que não nos impede de  ver a beleza dos raios de sol através da janela, não importando o quanto a vida está nublada, ou como quando pedimos chuva, mas temos que aprender a lidar com a lama.

Mudança de mente exige flexibilidade nos pensamentos e ações, temos um cérebro maravilhoso, desenhado por um Deus poderoso, esse conjunto espetacular de massa encefálica com seus admiráveis feixes de neurônios, capazes de realizar as mais belas obras primas da criação, e como expressou magistralmente, Nelson Mandela, dono de uma força interior indescritível: “Eu sou o capitão da minha alma, não importa quão estreito o portão...”


Deijone do Valle
Neuropsicóloga