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segunda-feira, 5 de maio de 2014

PERDÃO: Uma Atitude Libertadora...



Compreender o comportamento humano é um grande desafio, poucos aceitam o peso da vitória, e assim desistem de seus sonhos quando estes se tornam possíveis.

                                                                                                                          Deijone do Vale

Você é um veterano em culpa?

Já se enfrentou como seu próprio inimigo? Carrega uma dose dupla de culpa em sua consciência? ou vive culpando os outros pelos seus desacertos?

Esta na verdade é uma dura realidade vivida por tantos em seu mundo interno e que provoca um efeito devastador na saúde física, psicológica e espiritual.

Forças sinistras internas e externas bloqueiam sua paz e promovem o caos em suas decisões e escolhas, transformando-as em crises?

Qual é a temperatura de suas emoções em momentos decisivos? Uma mente abrasada? Fria? Passiva e morna?  Raso ou profundo?

Existem batalhas pequenas, conflitos breves que superamos facilmente, mas existem outras gigantescas, que afetam nossa humanidade, transformando-nos em bombas-relógio vivas, prontas a destruir outros e autodestruir-se de forma dolorosa e cruel.

Você é o seu próprio carrasco?

Na mitologia grega, a Caixa de Pandora expressa através do mito, a figura de uma mulher extremamente bela, enviada a terra pelos deuses com o propósito de vingar o roubo do fogo por Prometeu.

Pandora com sua Caixa, que continha todos os males que escaparam quando ela a abriu e espalhou-se pelo mundo, à exceção da esperança que permaneceu presa ao fecha-se a tampa da Caixa de Pandora.

Vamos trocar a Esperança presa na Caixa de Pandora, pelo Perdão.

Mas o que é mesmo o perdão? Conceder perdão, perdoar, é absolver, poupar. Perdão fala de paz interior, amizade, reconciliação, compreensão, harmonia, alegria e saúde.

Por outro lado, não perdoar outros ou a si mesmo, corrói a alma (mente, vontade e emoções), alimentando-a de ódio, contenda, fracasso, mágoa, ressentimento, desequilíbrios e patologias de toda ordem.

Dar ou receber perdão, duas vertentes que nos remete a graça.

Perdoar, um ato de graça  que é “justificado”,  termo técnico teológico, que nos leva a fé e a morte de Cristo, aquele que nos  “justificou”, nos tornou justos, como se nunca tivéssemos pecado... perdão completo!

Conceder perdão ou recebê-lo traz alívio, libertação do pesado fardo da culpa imputada a si mesmo ou a outros.

Culpa e falta de perdão é como aquele indivíduo que bebe um copo de veneno, imaginando que é o outro que irá morrer.

O homem que não consegue liberar perdão e cultiva sua dor, torna-se árido, sem viço, até os seus ossos envelhecem rapidamente. Então?

Mágoas são como cadeias que aprisionam e funcionam como aguilhões que impedem a cura e a liberdade.

Cura e perdão andam de mãos dadas. Quer ser curado? Quem você precisa perdoar ou pedir perdão?

Enterre para sempre suas amarguras, ofensas e pare de ficar lambendo suas feridas e acalentando a autopiedade. Lance ao mar do esquecimento... perdoe!

Qual é hoje a sua expectativa em relação a sua dor?  Guerra declarada? Vingança? Predador ou vítima? Justiça própria? Rebelião?

Livre-se imediatamente desses fardos de amargura e ódio. Se possível morra para você mesmo e renasça como alguém que assumiu um novo caráter, uma nova imagem, um novo vigor, um sopro novo em sua essência, alguém restaurado pelo perdão, receba graça e seja gracioso.

Abandone o engano e abra-se para o novo, tenha uma nova ordem em sua existência.

Ausência de perdão é como uma armadilha, um cativeiro que tolhe seu viver. O que tem te atormentado? Pense... e agora mesmo, liberte-se!

Todos os dias encontramos pessoas com perturbações mentais, prioridades distorcidas, agindo de forma autodestrutiva, desejos egoístas, cegueira e surdez espiritual, tudo porque não foram capazes de perdoar.

Você pode até pensar: isto é impossível, mas quero te dizer que perdão não é sentir emoção para tal, perdoar é uma atitude e uma decisão de reconhecimento.

Não resista, decida, fale, expresse o seu perdão em voz audível: Eu perdoo... seja o que for ou quem quer que seja. Perdoe! Está consumado, entendeu?

Vivemos em um mundo caído, com tentações, acusações, enganos, seduções, ciladas, mentiras, aflições, condenações, ciúmes, confusões e muitas vezes sentimos nossa vulnerabilidade.

Qual é a sua mentalidade: dúvidas? questionamentos? Indulgência ou responsabilidade? Liberdade ou legalismo?

A cada momento deparamos com problemas mentais ( distorções da mente, dos pensamentos e do comportamento); problemas emocionais (preocupações infundadas, depressão, raiva, insegurança, ansiedade, medos e fobias, invejas e autopiedade; vícios (sexuais, jogos, comidas, internet, pornografia) e doenças físicas de toda ordem.

Pode ser que o seu “espinho na carne” seja a falta de perdão (dar ou receber). Ouse perdoar ou pedir perdão, liberte-se do espírito da escravidão, do orgulho ou da auto-suficiência.

Mude sua mentalidade, quebre seus sofismas e enfrente seus argumentos de racionalizações, tão mesquinhos.

Como anda suas motivações? Qual a sua intenção? Justiça própria?

Renuncie sua vaidade e caminhe  em direção á liberdade e viva em novidade de vida e na plenitude de sua fé.

Avance com graça (favor imerecido de Deus), através da verdade, justiça e paz.

Medite no que acabou de ler aqui, agora vá até o espelho e dê uma olhada: o que vê? A imagem refletida mostra sua semelhança, você sabe com quem?

Algum dia você encarou a realidade de sua finitude? A sua própria mortalidade?

Ouvimos diariamente, Fulano morreu: de ataque cardíaco, acidente, dormindo, suicidando, de câncer e tantas outras doenças.

Alguns sobrevivem e dizem que quem passou pela experiência de “quase morte” muda radicalmente a sua visão de mundo, mas não é necessário chegar a tanto para mudarmos, não é mesmo?

Se você soubesse que tem 5 dias sobre a face da terra, o que faria? Como gastaria seus últimos dias, horas, minutos  e  segundos de sua vida terrena?

Pense sobre isso!

Você conhece alguém que nunca teve nenhum ferimento ou nenhuma cicatriz? O quê? Você é um sobrevivente?

Bem, temos nosso quinhão de tristezas, dores e  sofrimentos, uns mais, outros menos, e certamente esta é uma realidade na vida da humanidade, mas as melhores pessoas que conheço são aquelas que foram profundamente feridas e souberam perdoar.

E você tem sido moldado pelo quê? Qual tem sido o seu processo de crescimento e amadurecimento interior?

Orgulho ou prejuízo? Perdão e liberdade?

E por fim abençoe seus algozes, abençoe...abençoe...abençoe... é libertador!

A minha oração por você é de que Deus lhes dê uma unção fresca e que a vontade perfeita do SENHOR, se cumpra em sua vida.



Deijone do Vale

Neuropsicóloga

segunda-feira, 31 de março de 2014

DEPRESSÃO: O Mal do Século... saindo da Caverna...



“O que vivo ensino...
      E o que ensino vivo...”
                                                          Deijone do Vale

Sabemos que a humanidade vive momentos de tensões exageradas, talvez superior à capacidade  funcional de adaptação do sistema nervoso central, ou seja, uma colisão dos processos físico-químicos, principalmente nos neurotransmissores: serotonina, noradrenalina e dopamina e nos processos psicológicos, gerando uma violência na sua realidade emocional, desestruturando o labirinto de suas defesas neuroquímicas e imunológicas, resultando em uma falência adaptativa tanto a nível fisiológico  como  emocional.

Enfim, uma somatória de fatores hereditários, congênitos, e que não excluem os fatores psicossociais e ambientais, que se complementam e estão em constante interação, processando nos indivíduos confrontos e crises, não apenas como fator causal, mas uma multiplicidade de interações que finalizam num caleidoscópio sintomático que por sua vez poderá desembocar em uma depressão, sendo comum o aparecimento de episódios de transtorno depressivo, que ocorrem após um estressor psicossocial severo, por exemplo, a violência urbana.

A depressão ocorre quando existe um mau funcionamento da química cerebral, numa associação íntima de sinais físicos e emocionais, que podem ser expressos na tríade: gastrite, dores musculares e enxaqueca.

Detectamos como sintomas emocionais: lentificação do raciocínio, alterações do ciclo cicardiano (dorme muito ou tem insônia), perda ou aumento do apetite, cansaço persistente e pensamentos com ideação suicida.

Depressão é a resultante de uma inibição globalizada do ser, onde o psiquismo está comprometido por pensamentos invasivos, que corroem a nobreza da mente humana: como memória, vontade, emoções, e a criatividade, descontrolando quimicamente o nosso cérebro.

A depressão é uma doença que pode acometer qualquer um de nós e em qualquer idade, uma doença que afeta pensamentos, comportamento, sentimentos e logicamente a saúde.

Ter uma depressão é como caminhar sobre um campo minado, dentro de um vale sombrio, cercado por despenhadeiros e abismos  imersos em uma densa névoa,  que nos impede de enxergar lá na frente.

A depressão é considerada uma desordem psiquiátrica que tem se tornado extremamente frequente e atinge o organismo no físico, no humor e nos pensamentos, e não aqueles momentos fugazes de angústia e melancolia que acontecem na vida de todos.

A depressão altera a maneira como nos relacionamos e percebemos o mundo, ela modifica a visão de mundo, das coisas à nossa volta e a forma como se manifestam e se expressam nossas emoções, tolhendo nossa disposição e o sentimento de alegria, prazer e sensação de bem estar.

Afeta terrivelmente sua relação consigo mesmo e com as outras pessoas, é uma doença afetiva ou do humor, não é um sinal de fraqueza que é superado através de uma bela viagem ou lugares diferentes, tirando férias ou passeando.

Depressão é uma condição duradoura, acompanhada de alguns fatores genéticos ou biológicos que podem explicar a maior vulnerabilidade de alguns indivíduos na esfera emocional: desânimo, tristeza, desgosto, apatia, medo, insegurança, isolamento, inércia e solidão entre outros.

Na esfera cognitiva o indivíduo passa a acreditar que  é o culpado por tudo o que lhe acontece: idéias de inferioridade, autopiedade, indignidade, vergonha, ressentimento, derrotismo, e auto acusação ou “dor moral”,  uma indescritível sensação  de impotência diante da vida.

Poderíamos dizer que a depressão é um quadro clínico identificado por um conjunto que permeia os processos bio-psico-social e espiritual e poucas experiências são tão dolorosas como a depressão.

Suas causas são multifatoriais, indo do histórico familiar, desde fatores genéticos, constitucionais, neuroquímicos, numa mistura heterogênea dos fatores sociais, psicológicos, ambientais (estresse e estilo de vida), aliados aos acontecimentos vitais: crises do ciclo vital, existencial (separações, divórcios), climatério (crises da meia-idade), crises de identidade, aposentadoria, falta de autonomia (limitações físicas e psicológicas), violência, isolamento, perdas (orgânicas, afetivas e sociais).

Os sintomas fisiológicos incluem a lentificação das atividades  físicas e mentais aliados à sentimentos de fracasso e pesar, sensação de desconforto  nos batimentos cardíacos, dificuldades de ordem digestivas e gastro-intestinais (constipação ou diarréias), dificuldades digestivas, e dores de cabeça.

O indivíduo perde o interesse em concluir o que inicia, fica irritadiço ou impaciente, não sente que vale a pena viver, chora facilmente e seus pensamentos são de auto-comiseração e desejo de morrer.

É paradoxal alguns sintomas que vão da letargia à inquietação, não conseguem ficar parado e é comum o desenvolvimento de fobias, preocupações somáticas, incapacidade e dificuldades em planejar o futuro e confrontar a própria finitude.

Importante ressaltar que a gravidade e o número destes sintomas variam de indivíduo para indivíduo e na mesma pessoa ao longo do tempo.

Se a culpa é sua? Não, não é, a depressão não ocorre por sua culpa, ela não é uma fraqueza e nem apenas uma sensação de “baixo astral” ou humor rebaixado, ela ocorre mesmo quando tudo parece estar indo muito bem.

Segundo estudos epidemiológicos a prevalência da depressão é maior em mulheres, sendo identificados fatores biológicos, ou seja, que diferem na estrutura e funções cerebrais (neurotransmissores, neuroendócrinos e circadianos), sendo também inegável a importância dos hormônios femininos (progesterona e estrógeno), na gênese dessa possível vulnerabilidade do sexo feminino.

A importância do estrógeno nos ritmos biológicos femininos (menstruação e menopausa), pode desestabilizar ou mesmo sensibilizar os mecanismos neurotransmissores, dos “relógios biológicos” e neuroendócrinos, promovendo vulnerabilidade cerebral devido às flutuações normais dos hormônios, e portanto, provocando transtornos cíclicos do humor.

Sabemos que os estrógenos são encontrados em várias áreas do cérebro e estimulam o crescimento dos processos neuronais e as conexões sinápticas com efeitos positivos sobre volume, conectividade e plasticidade dos neurônios.

Existem fatores de risco para a depressão, como uso de drogas, suporte emocional deficiente por apresentar poucas relações afetivas satisfatórias, baixo suporte social e os abusos físico ou sexual na infância.

O alerta é que busque ajuda, pois é comum as pessoas não procurarem tratamento para sua depressão, principalmente por não conhecerem os sintomas, dificuldades em solicitar ajuda, sentir-se culpadas e mesmo não saberem que existe tratamento.

Um passo significativo é aceitar que se está doente e necessita de suporte,  fale com seus familiares e procure o mais rápido possível ajuda especializada.

Existe tratamento sim e o tipo de tratamento depende da intensidade dos sintomas que a doença traz, considerando também o perfil do paciente em termos biológicos, psicológicos e sociais.

O tratamento poderá ser medicamentoso, com anti-depressivos que irão corrigir os desequilíbrios químicos do cérebro, e poderá haver necessidade de suporte psicológico no enfrentamento e na descoberta de novas formas de lidar com os problemas, entender a doença e evitar novas recaídas.

A psicoterapia pode ajudar a falar sobre si, suas relações e seus problemas.

Você poderá se surpreender ao encontrar novas formas de lidar com suas dificuldades.

Procure sair da caverna através da autonomia, da estimulação e para que isto ocorra, é necessário falar, fale sempre, ouça também, peça ajuda médica e psicológica.

Procure realizar alguma atividade física com orientação e tenha contatos sociais, pois estes são fontes de suporte na superação dos sintomas da depressão e aliados para uma melhor qualidade de vida.
Para muitos indivíduos que passam por situações estressantes, a fé é um grande suporte, é uma relação positiva que proporciona bem-estar e valorização da vida.

Bem, quero te dizer que você é como uma pérola valiosa, não importa em que ponto houve interrupção de seus sonhos e projetos, não deixe de comemorar suas pequenas vitórias e o primeiro passo para tratar e vencer a depressão é buscar ajuda.

Movimente-se... movimente-se... movimente-se...fale...fale...fale...não se cale...não se cale...não se cale...

Desabafe com pessoas que tem realmente um vínculo de confiança palpável.

Fale... não guarde! Afinal, a escolha será sempre sua...

Caverna? Morte? Vida plena? Saúde?

Diga para sua alma (mente, vontade e emoções): Desperta ó minha alma!!!  Saía da caverna.

Está escrito: ..."no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus...”

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

Ouça a música: “Esperança” ela alimentará a sua alma...


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

STRESS: Um Blecaute em minha Vida...



“Somos mesmos semelhantes, mas com algumas diferenças, e estas pequenas diferenças, fazem uma grande 
diferença”.
Deijone do Vale



Você é humano? Bem, então quero te dizer que você está envolvido em uma tremenda de uma guerra, e ela acontece a cada momento dentro de nós e à nossa volta.

É uma guerra de poder, de domínio e de oposição a tudo que é bom e justo. Incrível, não? 

Algum momento você se sentiu envolvido por forças internas gigantescas que impactou sua vida?

Batalhas internas e externas são travadas continuamente em nosso espírito e em nossa mente.

Diariamente enfrentamos situações que afetam nossa realidade visível e invisível.

Você acredita em forças espirituais? No sobrenatural?

É uma realidade que os olhos humanos acham difícil de encarar.

Olhe à sua volta, veja o seu aqui e agora: o que tem visto?

Almas feridas? Mentes perturbadas? Emoções em descontrole? Vontades sem limites ou apáticas? 

Violência de toda ordem?  Abusos de drogas?  Assassinatos? Suicídios?  Relações humanas destroçadas?

Que vida é essa? E ouvimos frequentemente o bordão: “Estou estressado”...

Claro, estímulos estressores de alto impacto promovem reações orgânicas, que por sua vez provocam efeitos em cascata, de rebotes psicológicos e emocionais que perturbam e minam o equilíbrio do indivíduo.

A princípio existe uma reação fisiológica de estresse, por exemplo, numa descarga de adrenalina, esta gera aumento do metabolismo,  repressão do tônus muscular, taquicardia, sudorese, dilatação pupilar, palidez, piloreção e até aumento dos esteróides do sistema imunológico.

Isto necessariamente não quer dizer que não exista o bom stress (eustress), aquele que naturalmente faz parte das reações biológicas para defesa do nosso organismo, e nos motiva, fazendo-nos adaptar às diversas contingências e situações novas, possibilitando reações adaptativas de adequação às ameaças do meio ambiente ou puramente internas.

Mas afinal, então o que diferencia um estresse normal do stress patológico?  É exatamente a resposta desadaptada ou desequilibrada do indivíduo a um estímulo prolongado e aversivo.

Stresse demais é tão ruim, quanto nenhum stress.

Basicamente o que causa a desadaptação, são mudanças que ocorrem em nossas vidas e que nos afetam de uma maneira tal, que nos torna vulneráveis,  como no caso de mortes, perdas, medos, agressões, traumas, isolamento,  solidão, conflitos nas relações interpessoais, a lista é inesgotável, do tipo “ad eternum”.

Logicamente existe uma vulnerabilidade individual na reação ao stress, sendo que o mesmo  agente estressor para mim pode não ser para você, e a própria reação ao estresse está condicionada no tempo e contexto de cada indivíduo.

O stress é desencadeado sempre que nosso cérebro faz uma interpretação de alguma ameaça, daí ocorre toda uma sintomatologia: fraqueza muscular, irritabilidade, descontrole emocional e comportamental, agressividade, fadiga, mal estar, tonturas, vertigens, dores no estômago, dores musculares e de cabeça, sensação de angústia e cabeça oca.

Esse continuum de  sintomas vão se acumulando, ora melhora, ora piora, e essas flutuações no humor vão dar o tom no agravamento ou não dos sintomas.

A verdade é que o alarme foi disparado, você de repente não mais consegue se concentrar, apresenta dificuldades no raciocínio, numa mistura quase volátil de apatia e ou agitação.

Sua energia vital está rebaixada, é onde mora o perigo: Se o organismo entra em exaustão, as dores físicas ou psicológicas também entram em colapso,  minando as defesas do organismo e a resistência imunológica, o que poderá levar a um quadro com colorido depressivo e a um processo difícil de ser revertido  a  curto prazo.

Adoecemos, e olhe que a lista é grande das doenças psicossomáticas, desencadeadas pelo stress: 

Miofibromialgias, lombalgias, úlceras digestivas, colesterol nas nuvens, hipertensão arterial nas estrelas, gastrites solares queimando até a alma, alterações dermatológicas (psoríase, vitiligo, eczemas, herpes), gripes e alergias, alterações hormonais (tireóde, adrenais) e agravamentos de doenças pré-existentes como é o caso de doenças reumáticas.

E o psíquico? Depressão, ansiedade generalizada, fobias, rituais compulsivos, alterações no apetite, sono e na libido, o que poderá levar alguns ao abuso e consumo de drogas de toda ordem, tornando-se um círculo vicioso de alto estresse com aumento da fadiga e cansaço crônico.

O stress  afeta todas as áreas de nossas vidas (física, mental, social, existencial).
Prevenção?


Em qualquer lugar do mundo, quando se fala em saúde, fala-se em alimentação saudável, atividade física e vida emocional equilibrada.

Então, vamos às dicas preventivas:
  • Realize pausas durante o seu trabalho;
  • Aprenda a fazer exercícios de relaxamento e respiração;
  • Coma e durma em horários regulares;
  • Não fume, não beba bebidas alcoólicas;
  • Pouco sal, pouco açúcar e pouca gordura em seus alimentos;
  • Exercite-se regularmente;
  • Tire férias;
  • Evite trabalhar fora do horário;
  • Tenha algum tipo de lazer;
  • Ore, medite e leia a Bíblia;
  • Saiba dizer: Não!
  • Tenha amigos e metas para sua existência;
  • Seja menos exigente (consigo ou com as pessoas);
  • Aprenda a ajudar outros;
  • Faça algo bom para você;
  • Ouça música;


Lembre-se, o stress tem natureza física, psicológica e psicossocial, e o nosso corpo é controlado pela nossa mente  e que deve ser disciplinada pela consciência.

Como você está agora? Impaciente? Apressado? Dominador? Autoritário? Perfeccionista? Pare... pare e pense o que você pode melhorar? Se for necessário, faça uma reengenharia existencial, espiritual, emocional, provavelmente você mesmo poderá curar o seu estresse.

Ah! Está faltando amor? Pois é isso mesmo, nossa primeira vocação deveria ser o Amor...

O amor é o mais forte e poderoso dos sentimentos, e na prática da psicologia, podemos perceber que a afetividade mal resolvida tem papel essencial na gênese, manutenção, melhoria ou piora do estado de estresse do paciente.

Esta  aglutinação de crises carregadas afetivamente, provocam a perda da autoestima, não reconhecendo seus preciosos valores pessoais e acabam cobrando-se excessivamente, ao evidenciar seus aspectos negativos ou fragilidades, relegando ao segundo plano suas virtudes e esquecendo-se de suas potencialidades.

Ninguém aprende a andar sem levar alguns tombos, que podem esfolar nossa alma, mas nos ensinam também.

Então?  É a mesma coisa com nossas vivências, frustrações, cansaço mental, é um processo contínuo de acúmulo de experiências e aprendizado, onde ajustamos nossas expectativas mal elaboradas ou não, forçando o nosso ego a encontrar forças para as demandas e vicissitudes da vida.

A vida apresenta situações,  potencialmente imprevisíveis, que requerem adaptações constantes, desafios contínuos e estratégias básicas de enfrentamento, através de ações cognitivas, comportamentais e  emocionais que possam refletir um suporte suficientemente consistente para proteger nossa saúde física e psicológica.

Ter conhecimento, necessariamente não controla uma situação estressante, mas o conhecimento permite uma sensação subjetiva de poder e força para se organizar e executar as ações necessárias na administração das circunstâncias, com uma maior autoeficácia, não é mesmo?

O que lhe incomoda tanto? Está com medo de que? Já enfrentou isto no passado? Conseguiu superar? O que fez? Você é bom em...? O que então, pode lhe ajudar no enfrentamento de sua crise atual? 

Está em perigo?

É realmente uma ameaça ou um grande desafio? O seu foco está na dificuldade? Na emoção?  Na solução do problema?

“E se...”,  são palavras que tem o poder de nos assombrar a vida toda... “e se você tivesse”... verdadeiramente... loucamente... apaixonadamente...

Faltou  algo,  faltou entusiasmo (Entheos), esta palavra que vem do grego e significa Deus dentro de si. Nada é tão real, porque todo o nosso vazio interior é exatamente do tamanho de Deus.

Nada mais pode nos preencher a alma tão entusiasticamente como Theos (Deus) que nos arrebata com uma paixão viva, na verdade uma alegria ruidosa, exaltada e contagiante, que nos torna pessoas sublimes e inspiradoras.

Aja “como se”, pergunte sempre: isso é um problema mesmo? ou uma preocupação? e lembre-se, 95% das preocupações não se transformam em problemas.

E depois todo problema tem uma solução, então pare de ficar sofrendo pelo que passou, apenas tire proveito dos erros e não se afogue em copinhos de água.

Ajude quem está próximo de você, te garanto que a benção passa primeiro  por você. 

Seja mais flexível, rigidez  é legal para rochas, pedras, não para humanos, estes precisam ter um coração sensível.

E por fim entenda de uma vez por todas: “Você é o que você faz de si mesmo”.

E como diria George Whashington: Trabalhe para manter viva em seu peito aquela pequena faísca celestial, chamada consciência.



Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HIPERTRICOSE LANUGINOSA CONGÊNITA: Uma doença raríssima...




Kemilly, seu pai, e a psicóloga Deijone do Vale


 HIPERTRICOSE LANUGINOSA CONGÊNITA: Uma doença raríssima...

Mude seus conceitos e você eliminará muito de seus preconceitos.
                                                                                            Deijone do Vale

Algum dia você imaginou, qual é o seu papel na vida de outras pessoas?
Somos humanos, temporários no planeta  azul e dominados por dois instintos básicos, contraditórios: Eros, ou instinto de vida e Tanatos, instinto de morte.
Esse dualismo conceitual integra toda a natureza humana.
Assim, o núcleo da nossa personalidade, contém pontos vulneráveis, portamos vulnerabilidades emocionais específicas, impostas pelo meio ambiente  que condiciona frustrações e lutas intensas internas para a sobrevivência.
Muitas vezes, procuramos harmonizar as necessidades e impulsos conflituais que agem de forma a ajustar-se ao ambiente, demandando uma quantidade enorme de tensão emocional, em busca do ajustamento interpessoal e intrapessoal, cuja história se inicia nos primeiros anos de vida.
Existem doenças raríssimas, como é o caso da Hipertricose Lanuginosa Congênita.
Essa doença é caracterizada pelo crescimento em excesso de pelos no corpo humano, um distúrbio onde existe uma proliferação exacerbada de pelos felpudos que se espalham em todo o corpo, exceção apenas às palmas das mãos, planta dos pés e mucosas.
A  Hipertricose, é uma anomalia rara, mas pouco pesquisada ainda, conhecida desde a Idade Média como a Síndrome do Lobisomem, devido ao aspecto característico dos pelos abundantes espalhados pelo corpo e rosto.
Pouco se sabe sobre a disfunção, de caráter autossômico dominante, no entanto, acredita-se em uma provável mutação genética, que pode ou não ser hereditária, sendo raros os registros de hipertricose no mundo, mais ou menos 53 casos, uma incidência de 1 para 10 bilhões de habitantes (1: 10.000.000).
Especula-se até em mutação genética espontânea do cromossoma 8q, sendo necessário  novas pesquisas e estudos  para maior compreensão da síndrome.

O caso de Kemilly de dois anos de idade, do Estado do Tocantins, que tive a oportunidade de conhecer, é provavelmente o único  caso no Brasil de Hipertricose Lanuginosa Congênita.
O tratamento até hoje mais recomendado e que tem se mostrado eficiente é a depilação a laser, o que foi realizado no rostinho de Kemilly.
Desde o nascimento é possível observar o lanugo, um excesso de pelos, que já é formado durante a própria gestação, e não são substituídos e vão aumentando sempre de tamanho.
Como geralmente ocorre em anomalias que saem dos parâmetros convencionais, quanto ao aspecto fisiológico, é algo que faz agravar condições emocionais e psicológicas, que acompanham esses tipos raros de disfunções, provocando sofrimento, devido isolamento, discriminação, falta de informações sobre a doença e tratamento desse tipo de Síndrome.
Além da diferenciação física, o comprometimento emocional do portador da síndrome e do grupo familiar, poderá alcançar picos elevados de intenso stress ao enfrentarem o preconceito e a rejeição social.
É necessário  intervenção psicológica precoce, para se evitar possíveis prejuízos emocionais e sociais.
Como é que você se sentiria se a sua aparência fosse diferente dos demais?
Faria brincadeiras deselegantes? Piadas?  Daria apelidos? Excluiria de sua convivência?
Qual seria a sua dor?
Nosso olhar tem o poder de acrescentar vida (Eros) ou matar (Tanatos), portanto, cuidado com o olhar, ele diz muitíssimo, mais do que gostaríamos.
Diferenças marcantes podem gerar traumas e comprometer todo o sistema psicológico de um indivíduo.
Você já se colocou na pele do outro?
Empatia? Hummm... deveria  ser a digital emocional  da humanidade.
Não seja um vitimizador, pare, pense, posicione-se, corrija, exorte e cultive a compaixão.
Faça isso, garanto que a sua visão terá outra perspectiva.
Violência psicológica, muitas vezes se manifesta, e é expressa no olhar depreciativo, crítico, agressivo ou desafiador, que  amedronta, desnuda e desvaloriza o outro.
Nunca ameace a saúde emocional do outro, através de condutas abusivas, olhares confrontativos, isto certamente trará incalculáveis e irreparáveis danos, gerando sentimentos de menos valia, exclusão, renegação social e afetiva.
Impeça através de seu comportamento a produção de segregação, de violência social, para tanto, eduque seus filhos para conviver saudavelmente  com as diferenças e com sólidos sentimentos de reciprocidade sobre a vida.
Ajude através do conhecimento, da informação compartilhada, a sanear este mundo, buscando eliminar o preconceito, quando se conceitua sem conhecer de fato.
Juntos vamos combater as agressões indignas e desumanas contra o diferente, melhorando a convivência,  promovendo o afeto e a solidariedade entre as pessoas.
Olhe o outro com olhos empáticos e pratique atos solidários, isto é um bom começo para melhorar esse velho mundo.
E você, quem é?

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

(Leia a reportagem sobre Kemilly na íntegra: http://dm.com.br/texto/153054)

domingo, 15 de dezembro de 2013

LOUCURA E RAZÃO: Gavetas da Alma...

Acredita em anjo?
Pois é, sou o seu!
Além de anjo, eu poderia ser seu amor...
                                                                                             Deijone do Vale



A loucura, por mais paradoxal que pareça tem uma finalidade biológica específica: está a serviço da preservação individual.

Homens e ratos reagem a uma ameaça ou provocação através de duas formas bem definidas: fuga ou agressão, uma resposta biológica automática no sentido da preservação.

Se preferirmos a fuga, nos afastamos do elemento provocador, mas se o impulso é o ataque ou luta, a reação imediata é a irritação e hostilidade.

Ataque ou fuga?  Raiva ou defesa?

Fuga ou agressão são na verdade funções inibitórias, na vida humana principalmente, e isto se torna claro e plenamente justificado em nossa realidade emocional.

Veja como o coelho foge rápido, a tartaruga se retrai sob o seu casco, e nós humanos que somos, ao tentar escapar ou enfrentar realidades penosas, desenvolvemos o quê?

Desenvolvemos conflitos, ansiedades, sentimentos de frustração e outras insatisfações, aí nos neurotizamos ou enlouquecemos de vez, logicamente cada qual dentro de seu limiar de tolerância individual para o paradigma: luta/fuga...

Sempre que nos vemos ameaçados por um perigo, seja externo ou interno, real ou imaginário, nos mobilizamos fisiologicamente e psicologicamente no sentido da fuga ou ataque.

Cada indivíduo reage de conformidade com a sua constelação emocional, suas vivências, estrutura do ego, com suas capacidades de controle, julgamento e decisões, tudo isso intensificado pelas influências ambientais, interpessoais, temperamentais, morais, e uma multiplicidade complexa de fatores, desde capacidade intelectual, talentos, fatores culturais, crenças e o próprio contexto no qual se encontra inserido.

Desse coquetel emocional resulta um ser único, inigualável e com necessidades emocionais profundas, aliadas à imagem ideal que cria para si mesmo, sem se ater às exigências eternizadas pela educação que nos modelam, condicionam e nos civiliza.

Então o que fazemos? Tudo! Para ver se controlamos a nossa rebelião raivosa (ou não?).

Lançamos mão dos nossos mecanismos de defesa que controlam os impulsos instintivos e as emoções primárias, que vão desde mecanismos de repressão (quando banimos o impulso da consciência), como também mecanismos de supressão (quando ele é consciente, mas o suprimimos).

E dá-lhe mecanismos de defesa: Negação (negamos nossas emoções inaceitáveis), outro mecanismo é a formação reativa (uma fachada totalmente oposta à nossa realidade profunda).

Racionalizamos, justificando com lógicas impecáveis os nossos sentimentos, pensamentos e ações inaceitáveis e porque não procrastinar? Outro mecanismo de defesa usado para evitar o confronto.
E o mecanismo de projeção, então? onde atribuo ao outro, aquilo que na verdade é meu, projetando no outro, algo que pertence a mim mesmo.

E por aí vai... são tantos mecanismos de defesa do ego ou de adaptação psicológica, como a sublimação, por exemplo, que nos permite de certa forma temperar a dureza de nossa realidade interna e expressá-la sob uma forma mais aceitável socialmente.

Até o próprio humorismo funciona como mecanismo de defesa, é o caso do condenado ao enforcamento que ao subir ao cadafalso, solenemente se exprime: “Espero que eu agora aprenda a lição!”.

As atitudes exibidas na vida adulta, obedece  a dinâmica da história de vida individual, ou seja, são os recursos adaptativos psicológicos, que utilizamos como uma forma de salvaguardar a autoestima, caso contrário enlouqueceríamos todos, nesta dissociação entre o aspecto normal da personalidade, que de vez em quando aparece lado a lado com o contingente patológico.

Vicent Van Gogh retratou magistralmente no quadro: “Diante da eternidade”, com seu pincel, um homem triste, pessimista, desanimado, ansiado com o seu destino espiritual, totalmente preocupado com seus pecados reais e imaginários.

Quando perdemos a razão? Quando nos alienamos? Será quando somos dominados por paixões intensas? Paixões extravagantes? Louco amor?

Lógico que nossas emoções são indispensáveis para a nossa racionalidade, para os processos neurais,  expressos em nossa mente.

Mente e corpo, uma unidade indivisível, um influenciando o outro, através das emoções que se expressam e modelam nossas respostas comportamentais, refletindo ou não o uso da razão.
Se tivermos um déficit em nosso comportamento emocional, é bem possível que teremos dificuldades em tomar decisões racionais.

Existe influência das emoções, quando tomo uma decisão ou deixo de tomá-la, mas fica o questionamento: “Será  que uma decisão  é a resultante de um comportamento puramente racional?

Voltamos ao argumento anátomo-fisiológico, aos processos cerebrais, suas estruturas que desencadeiam emoções inatas e emoções aprendidas, por exemplo: Qual seria o substrato neural que envolve emoções em um sorriso espontâneo?

Seriam as mesmas estruturas em um sorriso intencional?

Difícil separar razão da emoção ou vice-versa, o que fica evidente é que nossas emoções possibilitam o equilíbrio na tomada de decisões.

Equacionar razão e emoção não é tarefa fácil, quando estas estão em desequilíbrio, nos fragiliza.

Você é daqueles que acredita que o racional fortalece? Será que quando somos muito racionais, isto não sinaliza a pouca disponibilidade para lidar com situações emocionais?

Como será o seu  duelo interno entre razão e emoção?

Dificil, não? esta homeostase do nosso ser no mundo, pois entre razão e emoção existe alguém singular: Você!

Em síntese, quanto mais amadurecemos emocionalmente, mais estáveis e flexíveis serão nossos ajustamentos frente às pressões ambientais e que tocam nossos pontos vulneráveis e assim reagimos por uma mobiização, no sentido da luta e fuga, então, voltamos ao ponto inicial de nossa questão...

Mas sempre apareceram, por mais que disfarcemos as nossas realidades inaceitáveis: seja através do corpo, das atitudes, dos sentimentos, dos instintos, ou nas expressões fisionômicas e nos sintomas psicossomáticos.

Nem sempre é o externo, a imagem introjetada é que dimensiona a ameaça transformada em um estímulo aterrador, que fica impresso na nossa memória emocional.

Dá o que pensar, e isso me recorda um verso, do poema de Paulo Leminski, que diz: “...todo bairro tem um louco

Que o bairro trata bem
Só falta mais um pouco,
Pra eu ser tratado também”...

É exatamente essa, a diferença entre esquecer e não querer mais lembrar, infelizmente tem coisas que violam indelevelmente a nossa alma, e uma delas é o sentimento represado.

Se pudesse, cantaria: “Parabéns prá você....” , mas fico apenas com a frase dita por Bob Marley, o difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se ama. Eu desisti: mas não pense que não foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.
Parabéns!

Ouça a música: Orchidea...
Deijone do Vale
Neuropsicóloga